Palácio da Aclamação – Salvador.

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CRÔNICA
Cidade da Bahia!

Gilson Nogueira

A porta principal do Palácio da Aclamação castigada pela chuva precisa de verniz. Os passeios da cidade, armadilha para o pedestre que não olha para o chão, de cimento. E um pedaço de pano vermelho está amarrado ao poste como curativo para uma ferida que não cura. Salvador segue demonstrando ser a capital doa absurdos urbanísticos.

Mistura-se renovação da Orla da Barra com o descaso. Diversos símbolos arquitetônicos da Cidade da Bahia, que lhe conferem riqueza sem igual nos trópicos, continuam desprezados.

Há, ainda, a estupidez do spray escrevendo nas paredes e muros desmiolação de “gênios” do anonomato. Suas artes não servem para nada. Só enfeiam o
cotidiano.. Procura-se um Picasso, um Caribé, um Aldemir> Martins dos novos tempos e nada. Nem uma tela eles são capazes de pintar. Riscam de coisa nenhuma a cara da terra de Caymmi. Apesar disso, no Campo Grande, o Hotel da Bahia, renovado,ostenta, de novo, o belo e a pujança de um estado rico em cultura e hospitalidade.

Os “artistas” da destruição não conseguem apagar sua beleza, nem a da Praça Dois de Julho, o Campo Grande, onde, há pouco, passando por lá, a pé, vi uma noiva de vestido longo em companhia de um sujeito de smoking, menor que ela, fazendo poses para um fotógrafo, em uma pontezinha sobre o lago artificial que era a alegria de passarinhos e das folhas e flores a borrifar água na manhã ensolorada. Há uma confusão de gente atrapalhando o tráfego
em São Pedro, um sinal fechado e uma buzina salvadora, o cheiro de acarajé retardando os passos da mulher idosa e o
Mosteiro de São Bento de portões frontais fechados.

Entra-se pela esquerda, para rezar-se direito. O turista pára e confere o mapa. Em volta dele, o vendedor de cheiro de sauna ensacado e uma paisagem de desolação. Além de diversas lojas de portas arriadas, vítimas da falência do comércio soteropolitano, por falta de apoio, navios, mais de 30, ancorados na Baía de Todos os Santos, a partir da entrada da Barra, enfeiando o mar, como se ele fosse um grade sanitário público para os cargueiros que chegam e vão.

No ar,medo da ameaça dos bandidos, que espreitam os que circulam na área. Pivetes aos montes, em turma, nas ruas da
Graça, principalmente, aguardam o vacilo do senho que acaba de sair do banco. Por sorte, a polícia passa e sua sirene tange os aprendizes do crime. Logo, eles voltarão. E, neste salve-se quem puder, em meio a uma cidade cheia de cartazes e carros de som de candidatos, espera-se a Primavera, com suas cores e perfumes, para alegrar um pouco mais a vida. Com Bahia e Vitória livres do rebaixamento. E o Teatro Castro Alves, fantasticamente soberano, a proclamar que baiano burro nasce morto.

Vamos nessa, que todos os caminhos do coração levam ao Parabéns Para Você, em homenagem ao amigo Chico Soares, tricolor na alma e no corpo, exemplo de ser humano que Deus torce para que tenha muitos anos de vida! Chico, o Vat 69 vai voltar, de presente pra você!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP.

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