============================================================

DEU NO UOL/FOLHA

SAMANTHA LIMA
DO RIO

Morreu no Rio, na noite de sábado (2), o cientista político Marcus Figueiredo, aos 72 anos, um dos mais renomados especialistas em análise de pesquisa eleitoral do país.

Figueiredo estava internado no Hospital Samaritano, na zona Sul, havia uma semana e se recuperava de uma cirurgia para correção de um aneurisma abdominal, realizada na quinta-feira (31). No pós-operatório, ele teve três paradas cardíacas, não resistindo à última.

Seu corpo foi cremado no Memorial do Carmo, na zona Norte, na manhã de domingo (3) em cerimônia reservada a parentes e amigos próximos.

Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, Figueiredo fundou e coordenava o Doxa, Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública, ligado ao Iesp (Instituto de Estudos Sociais e Políticos) da Universidade do Estado do Rio.

Referência em comunicação política, o Doxa havia nascido no Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), mas migrou em 2010, junto com Figueiredo e outros professores da instituição, para a Uerj, quando o Iuperj enfrentou uma crise financeira.

Figueiredo também era professor de pós-graduação do Iesp, mas os problemas circulatórios que vinha enfrentando acabou afastando-o das salas de aula nos últimos meses, por conta de inúmeras cirurgias a que foi submetido. Apesar disso, ainda participava de seminários e vinha se preparando para voltar a dar aulas regulares neste semestre.

É autor do livro “A decisão do voto”, de 2008. Com a mulher, a também cientista política Argelina Cheibub Figueiredo, publicou “O plebiscito e as formas de governo”, em 1993.

Cientista político, historiador e membro da Academia Brasileira de Letras, José Murilo de Carvalho lamentou sua morte.

“Marcus teve grande importância no processo de redemocratização do país, ao fim da ditadura, porque era um dos profissionais mais preparados para estudar este fenômeno. Ele se dedicou ao estudo da ciência política em plena ditadura, quando ainda existia um pensamento de que isso era inútil. É uma lástima perdê-lo”.

O cientista político Fabiano Santos, que foi aluno e colega de Figueiredo, lembra que ele foi “pioneiro na integração da ciência política e da análise política”.

“Ele era um dos grandes nomes da análise de eleições. Fez trabalhos muito importantes em pesquisa de comportamento eleitoral. Abriu um campo importante de atuação da ciência política no Brasil, pelo qual o país se destaca muito hoje”.

Além de mulher, Figueiredo deixou duas filhas e quatro netos.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos