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CRÔNICA

Amizade e Vida

Maria Aparecida Torneros

Na verdade, conheci a Cris, em Campos dos Goytacazes, numa feira de agropecuária onde ambas fomos trabalhar no estande da Serla, anos atrás. Na correria da montagem, nos identificamos e foi amizade/irmandade à primeira vista. Quando dei por mim, já tinha pernoitado na casa dela e tomado café com as broas de milho da Zezé, sua mãe. Entrei para a família, voltei lá muitas vezes por conta do trabalho e acompanhei também sua vida de funcionária da prefeitura de Búzios, lugar onde sempre teve e terá seu pezinho fincado.

Como nossas atividades se esbarravam por tantas cidades, ali, na orla Bardot, muitas vezes, eu e Cris caminhamos, ora sozinhas, ora com os companheiros de vida, esta foi passando, mudanças nos atropelaram, mas sempre sobrou um espacinho em cada uma de nós para cultivar as canções naquelas praias lindas.
Temporadas com Heló, Carol, Vaninha, fui levando amigas e namorados pra ela conhecer. Esperamos a chegada do bb JP, hoje quase um rapazinho filho da Carol engenheira.

Os gringos, esses Cris acolheu com gosto de empanadas. O que a segurou afetivamente, o hermano Andrés, também a levou muitas vezes a Buenos Aires. É aquele ser de prontidão, ainda bem. Veio a minha aposentadoria. Passados 4 anos, vrio a dela. Temos mães que nos necessitam. Em Campos, estão Zezé e sua família.
Ontem, no expositor de momentos que é o Facebook, vi um post dela com duas fotos em que se despede de Búzios. Depois de décadas, vai se mudar. Será visitante na cidade de Bardot. Nem acredito. Buzios sem a Cris não tem a menor graça.

E eu já nao vou lá há uns 2 anos.

Falamos então um pouquinho. Tranquilizei-me ao saber que Andrés está por alguns dias no Brasil para ajudá-la.
E sei o quanto é penoso para ela deixar para trás tantas histórias. Ali, ela ancorou seu barco de ilusões, construiu seus castelos de sonhos e acolheu amigos e amigas como eu, que aprendi a amar cada cantinho do munícipio, cuja história ela conta e reconta emocionadamente.

Pezinho em Búzios? Ora, Cris, você tem a alma nesse Paraíso, e vai para Campos, mas volta, claro, sempre, pois há um chapéu seu em cada varanda, pendurado, esperando sair pelas areias emoldurando sua cabecinha de menina da terra. Violões para você dedilhar, casas para você se hospedar, pousadas que te puxarao, as pedras da rua que reconhecem seus tamancos, as tartarugas que pressentem sua voz, os coloridos que enfeitam seus vestidos, os olhares dos pescadores que admiram sua passagem, todos vão esperar por você , todas as manhãs. E a canção da vez será… estou de volta pro meu aconchego…

Na verdade, Cris sai de férias, passará uma temporada fora de Búzios, mas voltará!

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária, que publicou originalmente este texto.

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Comentários

ermelinda rita on 3 agosto, 2014 at 12:44 #

Parabéns. Cida Torneros mais uma vez mostrou sua sensibilidade ao escrever.Parece que estamos em Búzios e que conhecemos a Cris.


ermelinda rita on 3 agosto, 2014 at 12:47 #

É muita sensibilidade.Até as tartarugas reconhecem a voz da Cris.Só Cida Torneros para descrever tão bem uma amizade.Parabéns


vera voto on 3 agosto, 2014 at 19:46 #

AMEI,CIdona…. dona das boas palvavras, vc continua cheia de poesia e embala com arte suas historias.Precisamos brindar ao som das ONDAS do MAR aqui em Copa
Parabéns! bjs


Cris on 7 agosto, 2014 at 21:38 #

Emocionada com a página, as palavras, carinho e lembranças tão bem descritas, lisonjeada por tudo isso sair de você que é verdadeira e intensa, mesmo sabendo que vai além do que realmente sou, mas me sinto representada pelo ser descrito emocionalmente, também te amo assim. E a canção como Deus quer, cantaremos juntas,


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