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Postado em 02-08-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 02-08-2014 00:32


Edu Lobo e Caca Diegues na tenda dos autores
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Edu:primeira parceria com Vinícius

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DEU NO UOL/FOLHA

O cineasta Carlos Diegues e o músico Edu Lobo encerraram a programação da Flip nesta sexta (1º).

Ambos lançam na Flip livros de memórias. Diegues publica a autobiografia “Vida de Cinema” (ed. Objetiva). Já o músico é tema de”Edu Lobo: São Bonitas as Canções – Uma Biografia Musical” (Edições de Janeiro), de Eric Nepomuceno. A mediação da mesa foi do jornalista João Cabral de Lima.

O debate passou por vários tópicos da biografia e carreira dos convidados, temperado por tiradas espirituosas dos dois. Com vários assuntos dispersos, a mesa não aprofundou nenhum tema e não teve grandes momentos.
Flip 2014 – 3º dia
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Raquel Cunha/Folhapress
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Na tenda de autores, o músico e compositor Edu Lobo e o cineasta Cacá Diegues

Lobo contou que era um estudante da PUC quando, a convite de uma amiga, pode conhecer Vinicius de Moraes numa festa e tocar para ele.

Vinicius perguntou se o jovem aspirante a música tinha alguma samba sem letra. A parceria começou logo ali e resultou na música “Só me Fez Bem”.

Com medo de perder a letra, Lobo guardou o pedaço de papel com a letra dentro da meia.

“Minha vida mudou completamente a partir daí. Estava estudando para ser diplomata. Fui salvo da diplomacia por um diplomata [Vinicius].”

Lobo ainda provocou risos na plateia ao lembrar os embates dele e de Chico Buarque com os tropicalistas (Caetano Veloso, Gilberto Gil) nos anos 1960.

“Chico e eu éramos os caretas, porque usávamos smoking e tal. Os tropicalistas tinham uns arranjos mais pro lado dos Beatles. Mas a gente não brigou com eles. Eles é que não queriam conversa com a gente. Deviam nos achar velhos.”

PATRULHAS

Diegues relembrou a criação de seus grandes sucessos, como “Xica da Silva” (1976) e “Bye, Bye, Brasil” (1979).

O primeiro faz uma ode ao Carnaval e à busca da felicidade, mesmo sob as condições mais adversas.

“Acho ridículo este desprezo de certos intelectuais pelo Carnaval. É o maior teatro de rua da cultura ocidental.”

Na época, o filme recebeu críticas de alguns intelectuais, que viam na história uma espécie de brincadeira com a escravidão.

“Não é um filme sobre a escravidão, mas sobre a busca da felicidade, mesmo você sendo escravo. Não estou dizendo que a escravidão é uma coisa boa, disse que as pessoas podem se divertir, sobreviver, mesmo sendo escravas.”

Daí o debate pulou para a famosa expressão “patrulhas ideológicas”, que Diegues cunhou no final dos anos 1970.

“Foi uma piada que fiz e deu certo. Devia ter a ver com a realidade, já que pegou. Era o início do fim da ditadura, final dos anos 70, e alguns intelectuais queriam manter a obra de arte prisioneira de determinadas ideologias políticas. A criação não pode sofrer nenhuma forma de censura. Não gosto de intelectual orgânico, que não diz o que pensa, só o que o partido pensa”, comentou, sendo muito aplaudido neste ponto.

Os dois ainda falaram do legado de Tom Jobim (“as músicas dele ficam mais bonitas a cada dia”, disse Lobo) e de José Wilker, morto em abril deste ano (“era um grande ator. A morte dele foi um desastre”, comentou Diegues).

“O Grande Circo Místico”, peça inspirada no poema homônimo de Jorge de Lima e musicado por Lobo e Chico, poderia ter rendido um ponto alto do debate. Diegues começa a filmar um roteiro inspirado na peça ainda neste ano. Mas o tema também passou de raspão pela mesa, nos últimos minutos da conversa, sem grandes consequências.

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