Dilma com o Bispo Macedo no Templo de Salomão(SP)

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Cristina fala sobre crise em Buenos Aires

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ARTIGO DA SEMANA

Gaza em Buenos Aires, Jerusalém em São Paulo

Vitor Hugo Soares

Duas imagens de inegáveis relevo e simbolismo de poder (sob óticas do jornalismo, comunicação e propaganda) e de efeito político (e eleitoral) imponderável, marcaram, no Brasil e na Argentina, a quinta-feira, 31, da passagem de julho para agosto.

Na que vem de Buenos Aires, a presidente Cristina Kirchner fala, em cadeia nacional de Televisão e Radio, para um país de 40 milhões de habitantes em transe outra vez, à beira de outra moratória da dívida contraída com poderosas corporações do dinheiro e dos negócios, que não costumam passar a mão na cabeça de ninguém quando o assunto é grana ou juros.

A imagem distribuída de São Paulo, em noite da inauguração do monumental Templo de Salomão (no famoso bairro do Brás, na capital paulistana, às margens dos rios Pinheiro e Tietê, transformado em mini-extensão de Jerusalém), é também significativa. A presidente petista Dilma Rousseff, em campanha de reeleição, escuta reverente o bispo Edir Macedo, principal líder religioso da igreja evangélica Universal do Reino de Deus. Encontro de conteúdo e resultados imponderáveis de imediato, mas de polêmica garantida, que já está no ar.

A Argentina está diante de nova crise financeira, social e política sem tamanho. O dragão da maldade que periodicamente inferniza “los hermanos” parece já ter desembarcado por lá. Começa a tomar conta do vizinho à beira do Rio da Prata. Assombrado por fantasmas chamados de “fundos abutres” e outros “inimigos” externos.

Agora, os fantasmas e inimigos “de la fuera” não residem mais na Londres da falecida Margareth Teatcher, mas nos Estados Unidos, de Barack Obama. Neste caso cavernoso, porém, principalmente do juiz federal Thomas Griesa, um magistrado sisudo e aparentemente de maus bofes, destes que parecem saídos de um filme de suspense de Hollywood, ou das páginas de romance ou conto de Dickens, que faziam crianças britânicas e do mundo inteiro tremerem de pavor.

É Griesa quem atualmente atormenta os donos do poder na Argentina. E faz a oposição sorrir, às escondidas.

Nas imagens da quinta-feira que vejo em Salvador, pela TV, na transmissão online, a presidente peronista não parece apavorada nem nervosa com o barulho e as ameaças de dias ruins que a rondam. Ao contrário, mostra-se tranqüila, bem humorada e até sorridente para enfrentar a desgraça anunciada e seus arautos.

Elegantemente “vestida para matar” – relatam colunistas de amenidade nos blogs e sites de diários portenhos -, livre das vestimentas de luto fechado, mantido durante muito tempo depois da morte repentina do marido, Nestor Kirchner – ela se transmuta.

Dá sinais de reassumir o discurso desafiador, provocativo e sem meias palavras do tempo em que ela despontava como estrela de primeira grandeza do Congresso (mais que o marido e antes dele). Então, este jornalista caminhava por Corrientes e Esmeralda, como nas letras de antigos tangos portenhos, vendo o circo pegar fogo no país e na majestosa e querida cidade da América Latina.

A presidente argentina – ao lançar, à tarde, na Casa Rosada, a nova Lei do Consumidor e, à noite, ao falar à nação – produz retórica cortante e desafiadora. A começar pela surpreendente e polêmica comparação que ela faz do povo argentino e dos habitantes de Buenos Aires, com os tormentos vividos por Gaza e os palestinos nestes dias de ataques israelenses.

“Isto também é violência, são mísseis financeiros, que custam vidas”, disse Cristina . Logo suas palavras estariam nas manchetes dos jornais argentinos e corriam o mundo.

Disse mais, que a Argentina não deu calote nos credores, não está em moratória, e honrará 100% da dívida no que for justo E correto, não os “fundos abutres”. Citou o marido falecido e o seu jeito de enfrentar crises, denunciando especuladores e a usura da banca internacional e desses fundos predatórios. Deu toda força ao seu jovem ministro das finanças, Axel Kiciloff.

E finalizou: “Não me sinto épica, nem montada em um cavalo para guerrear. A Argentina tem vocação do diálogo, mas tem que defender seus interesses”.

Fim de julho e começo de agosto portenho . Resultados a conferir. Lá e cá.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 2 agosto, 2014 at 16:33 #

Caro VHS

Deve ser o efeito do agosto, esse mês que já nem é mais do”cachorro louco”, ou do cansaço em imaginar que temos urna eletrônica pela frente, aquele orgulho nacional que só faz confirmar pesquisas. Pesquisas estas que deveriam de muito ser objeto de estudo acurado, parecem cartório, adquirem fé pública e não mais são questionadas.

O fato é que essas duas personagens, Dilma e Cristina, cheiram a mofo, a algo envelhecido perdido no tempo,Pitigrilli, aquele argentino tão esquecido, autor de “Loura Dolicocéfala”, saberia discorrer sobre elas. Ironia fina não cabe, o caso é grave, exige despudor.

Enfim, dizem que começos de milênios são assim, tempos de barbárie. Já ouço o narrador: -“era oano de 2014, e o povo havia esquecido o que era ética, sorviam a cada dia a lama que lhes era destinada.”

Amém!!!


luiz alfredo motta fontana on 2 agosto, 2014 at 16:46 #

Tautologia tupiniquim

Tempos tropêgos!

Pergunta: -A pesquisa está certa?

Resposta: -As urnas confirmam.

Segunda pergunta, sob vaias: -Sem recontagem. como no caso da eletrônica, a urna está mesmo certa?

Resposta singela, e apressada: -Claro, confirmou-se com a pesquisa.


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