http://youtu.be/urt2cy7AqFs

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Vídeo garimpado por Regina Soares na californiana cidade de Santa Rosa, em meio aos vinhedos dos melhores vinhos de Napa e Sonoma, e postado no Twitter. Maravilha. Confira!!!

BOA TARDE, CALIFÓRNIA!!! BOA NOITE BAHIA!!!
OBRIGADO, REGINA!!!

(Vitor Hugo Soares)


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CRÔNICA

Candidatos na TV

Janio Ferreira Soares

Cena 1 – Imagem aérea do Mineirão, milhares de semblantes embasbacados. A câmera foca no rosto de um brasileirinho chorando no colo de seu pai que, por sua vez, está com a máscara de Neymar numa mão e uma infinidade de copos da Budweiser na outra. Corta para uma cena de 7 segundos, onde os 7 chutes alemães são seguidos por 7 baquetadas do toque Bantu do tambor de dona Mercês, que serve de introdução para um pot-pourri de Oh! Minas Gerais, Peixe Vivo e Manuel, o Audaz, na guitarra de Toninho Horta. Casarões de Ouro Preto se fundem com obras de Aleijadinho, enquanto Tiradentes caminha em direção à forca, fazendo o sinal de “é nóis!” para inconfidentes com máscaras de Sininho. A câmera passeia por montanhas e cerrados, e capta o voo de um tucano que, repentinamente, se transforma num jatinho que vai voando, voando, até pousar num aeroporto de uma fazenda. A porta se abre e descem Aécio Neves e Luciano Huck, com uma camiseta onde se vê um tênis Osklen tamanho 45 e a frase: “Somos Todos Pezão”. Aécio toma a bênção ao seu tio-avô (descansando numa rede na sala de embarque), abre a porteira e parte em direção às centenas de pessoas com máscaras de Tancredo, cantando Coração de Estudante. Quando chega na parte que diz pra se cuidar do broto pra que a vida dê frutos, o garotinho que soluçava no Mineirão surge correndo pela pista e se atira nos seus braços. Lágrimas, emoção, desculpas e fé.

Cena 2 – Plano aberto de um entardecer nos pampas, silhuetas de bombachas enlaçando dorsos de cavalos crioulos. Corta pra poemas de Mario Quintana rabiscados nas mesas do Café dos Cataventos (“Rechinam meus sapatos rua em fora/tão leve estou que já nem sombra tenho…”) ao som de uma balada de Vitor Ramil. No Palácio Piratini, Adriana Calcanhoto abre a porta do gabinete da então secretária de Energia, Dilma Rousseff, pega o violão e canta que ela só tem meia hora pra mudar de vida. Corta para o Guaíba, onde uma pensativa Dilma caminha por entre bandos de quero-queros. Flashbacks de fotos de Alceu Colares, Teixeirinha, Figueiroa, Mary Terezinha, Caçapava e Kledir flutuam sobre sua cabeça (ainda sem laquê), enquanto ela monta num cavalo-ferro e voa até o Planalto Central, onde, segundo Ednardo, se dividem (se dividem, se dividem) o bem e o mal. Imagens de candangos se fundem com closes de Palocci, Francenildo e Renato Russo, que canta Que País é Esse, acompanhado da guitarra do ministro Luiz Fux. Corta pra Severino Cavalcante conferindo o caixa do restaurante da Câmara dos Deputados e exigindo um ministério que fura poço. Gabrielli sorri, enigmático. Num acampamento do MST, Gilberto Carvalho e Stédile valsam ao som dos bandolins, ao tempo que Lula e Jader Barbalho – ratificando a teoria de Oswaldo Montenegro de que Brasília não é assim tão longe de Belém do Pará -, passeiam de braços dados sob o traço do arquiteto. Dunga faz um sinal de “é nóis, de novo!” pra Dilma, enquanto Caetano Veloso, com uma máscara de Murtosa, diz que a lasanha da Seara é que é foda.

Cena 3 – Sob a direção de Guel Arraes, uma câmera corre por dentro de uma plantação de cana na Zona da Mata pernambucana, pendurada na cabeça de um bode. Sons dos chocalhos da introdução de Maracatu Atômico (versão Chico Science), se misturam com o suingue de João Donato cantando Vento no Canavial, criando a primeira ponte Acre/Pernambuco. Corta para um filme em preto e branco, onde Miguel Arraes segura seu netinho Dudu no colo, tendo ao fundo a canção O Meu Guri, de Chico Buarque (que, descobriu-se mais tarde, foi introduzida segundos antes de o programa ir ao ar por um hacker amigo de Franklin Martins). Caju e Castanha cantam numa embolada que Marco Maciel é o Avatar de Marina Silva depois da gripe. Bonecos gigantes de Eduardo Campos e Hugo Chaves desfilam pelas ladeiras de Olinda e, sem querer querendo, vão parar na refinaria Abreu e Lima, bem no meio de uma Ciranda comandada por Cerveró, Gabrielli, Paulo Roberto Costa e Lia, coitada, que, como no poema de Drummond, mora na Ilha de Itamaracá e não tem absolutamente nada a ver com essa história.

ago
02
Posted on 02-08-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-08-2014


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M. Aurélio, hoje, no jornal Zero Hora (RS)


Dilma com o Bispo Macedo no Templo de Salomão(SP)

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Cristina fala sobre crise em Buenos Aires

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ARTIGO DA SEMANA

Gaza em Buenos Aires, Jerusalém em São Paulo

Vitor Hugo Soares

Duas imagens de inegáveis relevo e simbolismo de poder (sob óticas do jornalismo, comunicação e propaganda) e de efeito político (e eleitoral) imponderável, marcaram, no Brasil e na Argentina, a quinta-feira, 31, da passagem de julho para agosto.

Na que vem de Buenos Aires, a presidente Cristina Kirchner fala, em cadeia nacional de Televisão e Radio, para um país de 40 milhões de habitantes em transe outra vez, à beira de outra moratória da dívida contraída com poderosas corporações do dinheiro e dos negócios, que não costumam passar a mão na cabeça de ninguém quando o assunto é grana ou juros.

A imagem distribuída de São Paulo, em noite da inauguração do monumental Templo de Salomão (no famoso bairro do Brás, na capital paulistana, às margens dos rios Pinheiro e Tietê, transformado em mini-extensão de Jerusalém), é também significativa. A presidente petista Dilma Rousseff, em campanha de reeleição, escuta reverente o bispo Edir Macedo, principal líder religioso da igreja evangélica Universal do Reino de Deus. Encontro de conteúdo e resultados imponderáveis de imediato, mas de polêmica garantida, que já está no ar.

A Argentina está diante de nova crise financeira, social e política sem tamanho. O dragão da maldade que periodicamente inferniza “los hermanos” parece já ter desembarcado por lá. Começa a tomar conta do vizinho à beira do Rio da Prata. Assombrado por fantasmas chamados de “fundos abutres” e outros “inimigos” externos.

Agora, os fantasmas e inimigos “de la fuera” não residem mais na Londres da falecida Margareth Teatcher, mas nos Estados Unidos, de Barack Obama. Neste caso cavernoso, porém, principalmente do juiz federal Thomas Griesa, um magistrado sisudo e aparentemente de maus bofes, destes que parecem saídos de um filme de suspense de Hollywood, ou das páginas de romance ou conto de Dickens, que faziam crianças britânicas e do mundo inteiro tremerem de pavor.

É Griesa quem atualmente atormenta os donos do poder na Argentina. E faz a oposição sorrir, às escondidas.

Nas imagens da quinta-feira que vejo em Salvador, pela TV, na transmissão online, a presidente peronista não parece apavorada nem nervosa com o barulho e as ameaças de dias ruins que a rondam. Ao contrário, mostra-se tranqüila, bem humorada e até sorridente para enfrentar a desgraça anunciada e seus arautos.

Elegantemente “vestida para matar” – relatam colunistas de amenidade nos blogs e sites de diários portenhos -, livre das vestimentas de luto fechado, mantido durante muito tempo depois da morte repentina do marido, Nestor Kirchner – ela se transmuta.

Dá sinais de reassumir o discurso desafiador, provocativo e sem meias palavras do tempo em que ela despontava como estrela de primeira grandeza do Congresso (mais que o marido e antes dele). Então, este jornalista caminhava por Corrientes e Esmeralda, como nas letras de antigos tangos portenhos, vendo o circo pegar fogo no país e na majestosa e querida cidade da América Latina.

A presidente argentina – ao lançar, à tarde, na Casa Rosada, a nova Lei do Consumidor e, à noite, ao falar à nação – produz retórica cortante e desafiadora. A começar pela surpreendente e polêmica comparação que ela faz do povo argentino e dos habitantes de Buenos Aires, com os tormentos vividos por Gaza e os palestinos nestes dias de ataques israelenses.

“Isto também é violência, são mísseis financeiros, que custam vidas”, disse Cristina . Logo suas palavras estariam nas manchetes dos jornais argentinos e corriam o mundo.

Disse mais, que a Argentina não deu calote nos credores, não está em moratória, e honrará 100% da dívida no que for justo E correto, não os “fundos abutres”. Citou o marido falecido e o seu jeito de enfrentar crises, denunciando especuladores e a usura da banca internacional e desses fundos predatórios. Deu toda força ao seu jovem ministro das finanças, Axel Kiciloff.

E finalizou: “Não me sinto épica, nem montada em um cavalo para guerrear. A Argentina tem vocação do diálogo, mas tem que defender seus interesses”.

Fim de julho e começo de agosto portenho . Resultados a conferir. Lá e cá.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Um sonho de Verão
Nara Leão

Uma canção
Esperando voce
Me lembrando
Tocar sua mão
Numa noite cheia de desejo
A lua, estrelas
E o brilho da paixão
Ah, que saudade
Bem me lembro
O seu corpo no meu
Eu não esqueci
O que sei
É que só sei lembrar voce
Carinhos, abraços
Memoria dos beijos teus
Fiz uma serenata
Só pra te ver outra vez
Já nem sei quem eu sou
Meus braços não encontram
Um jeito de abraçar
Um jeito de beijar
Não quero mais
Vem pra mim eternamente
O meu violão
Vou te dar, como uma adolescente
Cantigas de amor
Num sonho de verão
Ah, essa serenata
Preciso te ver outra vez
Já nem sei quem eu sou
Meus braços não encontram
Voce para abraçar
Voce para beijar
Naõ quero mais
Vem pra mim eternamente
O meu violão
Vou te dar, com uma adolescente
Cantigas de amor
Num sonho de verão…

BOM DIA


Giesson, 17 anos, sequestrado e morto
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DEU NO CORREIO DA BAHIA

Da Redação

Os familiares do jovem Ivo Rangel Brito da Silva, um dos três rapazes que desapareceram na tarde da quinta-feira (31), dizem que ele foi levado por quatro homens encapuzados. O rapaz, que tinha 19 anos, foi encontrado morto em Simões Filho na manhã desta sexta-feira (1º). Ele e o adolescente Giesson Viera, de 17 anos, foram sequestrados por homens encapuzados no mesmo dia – Ivo no bairro de Fazenda Coutos, enquanto Giesson foi levada no bairro de Periperi.

De acordo com uma prima da vítima, que preferiu não se identificar, Ivo estava na porta de casa quando quatro homens encapuzados pararam em um Fiat Palio prata. Ao testemunhar a ação, o padrasto do jovem questionou para onde ele estava sendo levado pelo grupo.

“Eles disseram que estavam levando Ivo para uma delegacia, mas não estavam. Ele só foi encontrado hoje [sexta-feira], morto. Soubemos que o corpo dele estava no IML, e ao chegarmos encontramos ele e mais dois jovens mortos, todos algemados”, relata a prima do rapaz.

Ivo, que trabalhava como cobrador de vans do transporte alternativo da região, morava com a mãe, o padrasto e os irmãos em Fazenda Coutos. No início da tarde desta sexta (1º), familiares e amigos dele realizaram uma manifestação em Paripe, também no Subúrbio, contra a morte do rapaz.

“Ele era trabalhador e pai de família. Nunca teve envolvimento com drogas, com crime. A gente não sabe porque eles fizeram isso”, lamenta a prima. Ivo tinha um filho de 3 anos que morava com a mãe, e segundo a família, era presente na criação do garoto.

Ivo teria levado um tiro na cabeça com uma arma de calibre 12. A assessoria da Polícia Civil não confirmou a morte de Ivo, mas o Departamento de Polícia Técnica (DPT) disse que o corpo dele, assim como o de Giesson, estão passando por perícia.

Um terceiro jovem que teria sido sequestrado com os dois foi socorrido para o Hospital do Subúrbio, onde foi atendido e teve alta ainda ontem. Para preservá-lo, a assessoria da unidade preferiu não divulgar o nome da vítima.

A expectativa da família é de que o corpo de Ivo seja liberado do DPT, e sepultado no sábado (2). O corpo do jovem foi localizado nesta manhã na CIA-Aeroporto, com as mãos amarradas com plástico. Já o corpo de Giesson foi encontrado às 6h30 em um lixão na Estrada Velha de Periperi, com as mãos amarradas e amordaçado. Ele será sepultado na manhã deste sábado no cemitério de Plataforma.

Em nota, a PM disse que “a tentativa de correlacionar fatos distintos não possui elementos para fundamentá-los. Investigações ficam a cargo do DHPP da Polícia Civil e devem ser aguardadas”.

ago
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Posted on 02-08-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-08-2014


Edu Lobo e Caca Diegues na tenda dos autores
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Edu:primeira parceria com Vinícius

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DEU NO UOL/FOLHA

O cineasta Carlos Diegues e o músico Edu Lobo encerraram a programação da Flip nesta sexta (1º).

Ambos lançam na Flip livros de memórias. Diegues publica a autobiografia “Vida de Cinema” (ed. Objetiva). Já o músico é tema de”Edu Lobo: São Bonitas as Canções – Uma Biografia Musical” (Edições de Janeiro), de Eric Nepomuceno. A mediação da mesa foi do jornalista João Cabral de Lima.

O debate passou por vários tópicos da biografia e carreira dos convidados, temperado por tiradas espirituosas dos dois. Com vários assuntos dispersos, a mesa não aprofundou nenhum tema e não teve grandes momentos.
Flip 2014 – 3º dia
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Raquel Cunha/Folhapress
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Na tenda de autores, o músico e compositor Edu Lobo e o cineasta Cacá Diegues

Lobo contou que era um estudante da PUC quando, a convite de uma amiga, pode conhecer Vinicius de Moraes numa festa e tocar para ele.

Vinicius perguntou se o jovem aspirante a música tinha alguma samba sem letra. A parceria começou logo ali e resultou na música “Só me Fez Bem”.

Com medo de perder a letra, Lobo guardou o pedaço de papel com a letra dentro da meia.

“Minha vida mudou completamente a partir daí. Estava estudando para ser diplomata. Fui salvo da diplomacia por um diplomata [Vinicius].”

Lobo ainda provocou risos na plateia ao lembrar os embates dele e de Chico Buarque com os tropicalistas (Caetano Veloso, Gilberto Gil) nos anos 1960.

“Chico e eu éramos os caretas, porque usávamos smoking e tal. Os tropicalistas tinham uns arranjos mais pro lado dos Beatles. Mas a gente não brigou com eles. Eles é que não queriam conversa com a gente. Deviam nos achar velhos.”

PATRULHAS

Diegues relembrou a criação de seus grandes sucessos, como “Xica da Silva” (1976) e “Bye, Bye, Brasil” (1979).

O primeiro faz uma ode ao Carnaval e à busca da felicidade, mesmo sob as condições mais adversas.

“Acho ridículo este desprezo de certos intelectuais pelo Carnaval. É o maior teatro de rua da cultura ocidental.”

Na época, o filme recebeu críticas de alguns intelectuais, que viam na história uma espécie de brincadeira com a escravidão.

“Não é um filme sobre a escravidão, mas sobre a busca da felicidade, mesmo você sendo escravo. Não estou dizendo que a escravidão é uma coisa boa, disse que as pessoas podem se divertir, sobreviver, mesmo sendo escravas.”

Daí o debate pulou para a famosa expressão “patrulhas ideológicas”, que Diegues cunhou no final dos anos 1970.

“Foi uma piada que fiz e deu certo. Devia ter a ver com a realidade, já que pegou. Era o início do fim da ditadura, final dos anos 70, e alguns intelectuais queriam manter a obra de arte prisioneira de determinadas ideologias políticas. A criação não pode sofrer nenhuma forma de censura. Não gosto de intelectual orgânico, que não diz o que pensa, só o que o partido pensa”, comentou, sendo muito aplaudido neste ponto.

Os dois ainda falaram do legado de Tom Jobim (“as músicas dele ficam mais bonitas a cada dia”, disse Lobo) e de José Wilker, morto em abril deste ano (“era um grande ator. A morte dele foi um desastre”, comentou Diegues).

“O Grande Circo Místico”, peça inspirada no poema homônimo de Jorge de Lima e musicado por Lobo e Chico, poderia ter rendido um ponto alto do debate. Diegues começa a filmar um roteiro inspirado na peça ainda neste ano. Mas o tema também passou de raspão pela mesa, nos últimos minutos da conversa, sem grandes consequências.

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