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Dá-lhe, Geraldinho. Adeus, Agosto, até o ano que vem.

Que venha setembro com suas animadoras promessas e esperanças.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


Nunes: ataque a Marina em defesa de Aécio
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DEU NA COLUNA PAINEL DA FOLHA DE S. PAULO

O PSDB vai ao ataque

Vice na chapa de Aécio Neves, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) abre a artilharia contra Marina Silva. Ele acusa a rival de usar uma “identidade postiça” para ganhar votos. “Ela improvisou uma personalidade palatável para esconder a imagem de sectarismo que sempre a caracterizou.” O tucano ironiza o discurso da “nova política”. “Marina demoniza Sarney, Renan e Collor. Os três apoiaram o governo Lula, do qual ela foi ministra. Eles prestavam e agora não prestam?”, questiona.

Trator

O vice de Aécio ironiza os esforços da adversária para se aproximar do agronegócio. “É mais uma conversão de última hora. Marina comandou uma luta sem quartel contra o Código Florestal. A proposta dela inviabilizaria metade das terras agricultáveis do país.”

Arado Aloysio acusa a rival de dizer “bobagens” sobre os transgênicos. “O que ela defende é uma asneira. Ela quer que em algumas áreas se possa plantar, e em outras, não. Então alguns brasileiros podem comer sementes que fazem mal à saúde, segundo a visão dela, e outros não?”

Ideias

O tucano levanta dúvidas sobre a pregação de Marina contra a polarização entre PT e PSDB. “Ela integrou por 20 anos um partido sectário e rancoroso, que manteve uma guerra sem trégua com o PSDB”, acusa.

Hare Rama

O senador ainda ironiza as novas companhias da presidenciável no PSB. “O Heráclito Fortes não é nenhum fanático pela propriedade coletiva dos meios de produção. Ele está tão próximo do socialismo quanto eu do hare krishna”.

Vem comigo

Aloysio falou à coluna na sexta à noite, antes de o Datafolha mostrar que Marina abriu 19 pontos de vantagem para Aécio. Sobre bandeiras tucanas que apareceram no programa da ex-senadora, disse: “Acho ótimo. É sinal de que ela pode nos apoiar no segundo turno”.

Até em casa

É grande a preocupação no comitê de Aécio com o risco de uma dupla derrota em Minas Gerais. O candidato dava como certo que venceria as eleições para presidente e governador no Estado. Agora a ordem é fazer tudo para salvar Pimenta da Veiga (PSDB), que está atrás de Fernando Pimentel (PT).

Despolarizou

Aécio viu Marina disparar como a candidata da oposição. Há 10 dias, o tucano tinha 34% dos votos de quem classifica o governo Dilma Rousseff (PT) como ruim ou péssimo, contra 33% da ex-senadora. Agora Marina abriu 21 pontos de vantagem: 48% a 27%.

Já foi

Antes da divulgação da pesquisa, o maior medo dos aliados de Aécio era exatamente que Marina roubasse os votos antipetistas já no primeiro turno. “Não podemos deixá-la ocupar esse espaço”, dizia um tucano.

É ela
Os eleitores que querem mudanças no próximo governo também migraram para Marina. Nesse grupo, a ex-senadora tem 39% das intenções de voto contra 24% de Dilma e 18% de Aécio.

Grotões

A presidente não perdeu um ponto sequer nos municípios com até 50 mil habitantes, que concentram um terço do eleitorado brasileiro. Permaneceu com os mesmos 44%, enquanto Marina subiu de 17% para 29%.


Torcida organizada (contra Marina)

Rosane Santana

O Jornal Folha de São Paulo deste domingo 31/08/2014 dá como manchete de primeira página: “Marina Silva fatura 1,6 milhão com palestras em três anos”, no alto do lado direito, espaço nobre, qualquer manual de jornalismo ensina isso. No lado esquerdo, uma chamada pequena diz “Ex-motorista diz que carregava dinheiro vivo para presidente do BB, que nega”.

A forma como a Capa do Jornal Folha de São Paulo foi editada neste domingo, sua disposição gráfica e o destaque CRIMINALIZAM a atividade de Marina Silva, para o leitor menos esclarecido, e TRATAM como banalidade a ação do presidente do Banco do Brasil, instituição anteriormente apontada como um dos caixas do Mensalão.

Como se não bastasse, a página de Opinião traz artigo do físico Rogério César de Cerqueira Leite, da Unicamp, intitulado “Desvendando Marina”, acusando-a de fundamentalista, de forma que traça um perfil da candidata do PSB semelhante àquele em que pintam Dilma Roussef como terrorista.

Depois de ler o artigo todo, naquele tom, me perguntei: mas quem é mesmo fundamentalista nessa história? Rogério Cezar Leite ou a candidata do PSB à presidência da Republica, Marina Silva?

P.S O manual de redação ensina que artigos assinados são da inteira responsabilidade de quem os assina. Para mim, isso é relativo. Afinal, também nesta página qualquer jornal tem um editor exercendo a função de Gatekeeper (expressão inglesa que significa porteiro e, em Jornalismo, designa a função daqueles encarregados de filtrar o que sai e o que não sai em um jornal, como pauteiros e editores)

Rosane Santana e’ jornalista, doutoranda em Comunicação e Política pela UFBA e membro do Centro de Estudos Avançados em Democracia Digital ( CEADD-UFBA)

ago
31
Posted on 31-08-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-08-2014


Zop, hoje, no portal de humor A Carge Online

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DEU NO UOL/FOLHA

O presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), se comprometeu com o presidente recém-eleito do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, a aprovar propostas que elevarão a remuneração dos ministros da corte para até cerca de R$ 50 mil. Pelo acordo, o plenário do Senado deve aprovar, na próxima semana, durante o chamado esforço concentrado, um adicional por tempo de serviço que pode aumentar em até 35% a remuneração de magistrados e integrantes do Ministério Público. A proposta de emenda constitucional (PEC 63/2013) já foi examinada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e precisa passar em dois turnos pelo plenário.

Renan também prometeu se empenhar para que outros dois projetos de interesse dos juízes avancem na Câmara, presidida por seu companheiro de partido Henrique Eduardo Alves (RN). O primeiro deles pode ser aprovado pelos deputados também no esforço concentrado. Henrique incluiu na pauta do plenário proposta que cria a chamada gratificação de substituição para magistrados que acumularem funções por mais de três dias úteis. O benefício, incluído em outra proposição, foi vetado esta semana pela presidente Dilma. E pode engordar em até um terço o contracheque dos integrantes do Judiciário que atuarem, por exemplo, em mais de uma corte ou substituírem colegas em férias ou licença.

Aumento no Supremo

A terceira ponta do acordo costurado por Renan com os juízes é a aprovação do projeto que eleva, dos atuais R$ 29.462,25 para R$ 35.919, a remuneração dos ministros do Supremo – teto do funcionalismo público. Com efeito cascata para o restante da categoria, a proposta foi aprovada ontem (28) pelos ministros, que reivindicam um aumento de 22%. O texto começa a tramitar nos próximos dias na Câmara.

Segundo o ministro Ricardo Lewandowski, os cálculos levaram em conta as perdas acumuladas entre 2009 a 2013 e a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – Amplo (IPC-A) para 2014. O aumento será proposto antes mesmo que o Congresso vote pedido de reajuste – fixando o subsídio de ministro do STF em R$ 30.658,42 – que o Supremo pretendia fazer valer a partir de janeiro de 2014.

Além do teto

Na prática, os dois novos benefícios permitirão que juízes, desembargadores e os próprios ministros dos tribunais ultrapassem o teto constitucional. Caso as propostas sejam aprovadas, um ministro do Supremo poderá receber, além dos R$ 35 mil de remuneração, até outros R$ 12.571,65 de adicional por tempo de serviço. Nesse caso, os vencimentos poderão chegar até a R$ 48.490,65.

Integrantes das três principais entidades representativas da magistratura vão se reunir com parlamentares no Congresso, na próxima semana, para tentar convencê-los a aprovar as propostas que, segundo eles, pretendem recuperar perdas salariais acumuladas na última década.

Deputados e senadores não devem criar dificuldades para o reajuste do Supremo. É que, a cada final de mandato, os parlamentares fixam a remuneração da legislatura seguinte. No final de 2010, por exemplo, eles igualaram os vencimentos dos congressistas que assumiram no início de 2011 aos dos ministros do Supremo. Caminho que deve ser repetido este ano. Atualmente, os congressistas recebem R$ 26.723,13 por mês, além de outros benefícios.

Discriminação

“A magistratura federal está preocupada com a forma discriminatória com que vem sendo tratada”, diz o presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Antônio César Bochenek. Na última terça (26), a presidente Dilma vetou artigo de uma lei que instituiu a gratificação por substituição para integrantes do Ministério Público. Durante a tramitação da proposta no Congresso, foi incluído um dispositivo que estendia o benefício aos juízes. Ao sancionar a nova lei, Dilma deixou o benefício restrito a promotores e procuradores.

A presidente justificou que não havia previsão de recursos para a gratificação na lei orçamentária e que a Lei de Responsabilidade Fiscal impede a geração de despesa obrigatória de caráter continuado sem a estimativa de impacto orçamentário e financeiro e a demonstração da origem do dinheiro.

Diante do veto, os magistrados retomam suas atenções para a aprovação do Projeto de Lei 7717/2014, que institui a gratificação para os juízes federais. O texto é o oitavo item da pauta do plenário da Câmara no esforço concentrado. Já a PEC 63, que aguarda votação no plenário no Senado, cria uma “parcela mensal de valorização por tempo de exercício” que se traduz num acréscimo equivalente a 5% do subsídio a cada cinco anos de efetivo exercício em atividade jurídica – até o máximo de 35%.

Disparidade salarial

Para Bochenek, a gratificação e o adicional são necessários para evitar a “discriminação” e a disparidade salarial com o Ministério Público, contemplado com o primeiro benefício. Segundo ele, a Ajufe não ficou satisfeita com o reajuste proposto pelo Supremo. Na avaliação da entidade, a remuneração dos juízes tem 30% de defasagem em relação a 2006, quando foi instituído o atual modelo de remuneração, sem os penduricalhos que havia antes.

“A remuneração tem de ser digna e compatível com as funções de cada um. A magistratura tem uma grande responsabilidade funcional e social”, declarou o presidente da Ajufe ao Congresso em Foco. “Hoje um juiz recebe desde o início até o fim da carreira praticamente a mesma remuneração. É preciso haver estímulo até para não perdermos quadros”, acrescenta.

Contrariedade

O aumento e a garantia de novos benefícios para os magistrados já provocam descontentamento em outras categorias que também reclamam da disparidade salarial. É o caso dos procuradores federais, ligados à Advocacia-Geral da União (AGU). “Como advogados públicos federais, também exercemos funções essenciais da Justiça. Mas estamos vinculados ao Executivo”, reclama o presidente da Associação Nacional dos Procuradores Federais (Anpaf), Rogério Filomeno Machado.

Segundo ele, 20% dos aprovados no concurso para procurador federal desistem de tomar posse em razão do salário inicial, hoje em torno de R$ 16 mil. Bem abaixo dos cerca de R$ 25 mil iniciais pagos a promotores e juízes. “Deveríamos ter remuneração igual à da magistratura e à do Ministério Público”, defende Rogério.

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Clip do concerto de Mercedes Sosa “En familia” (Buenos Aires – 1994)

Maravilhosa criação poética e musical da peruana Chabuca Granda.

Magnifica interpretação da argentina Mercedes Sosa.

A mais perfeita combinação para começar o domingo no BP.

Dá vontade de pegar o primeiro avião e desembarcar na ponte dos poetas da capital peruana.

Confira.

(Vitor Hugo Soares)

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El Puente de Los Suspiros

Musica e letra: Chabuca Granda

Interpretação: Mercedes Sosa

Puentecito escondido
Entre follajes y entre añoranzas
Puentecito tendido
Sobre la herida
De una quebrada
Retoña el pensamiento
Tus maderas
Se aferra el corazon
A tus balaustres

Puentecito dormido
Y entre murmullos
En la querencia
Abrazado a recuerdos
Barrancos y escalinatas
Puente de los suspiros
Quiero que guardes
En tu grato silencio
Mi confidencia

Es mi puente un poeta
Que me espera
Con su quieta madera
Cada tarde
Y suspira y suspiro
Me recibe y le dejo
Solo sobre su herida
Su quebrada

Y las viejas consejas
Van cantando
De la injusta distancia
Del amante
Sus arrestos vencidos
Vencidos por los ficus
De enterradas raices
En su amada

Es mi puente un poeta
Que me espera
Con su quieta madera
Cada tarde
Y suspira y suspiro
Me recibe y le dejo
Solo sobre su herida
Su quebrada

Y las viejas consejas
Van contando
De la injusta distancia
Del amante
Sus arrestos vencidos
Vencidos por los ficus
De enterradas raices
En su amada.

Puentecito dormido

ago
31

DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

A multinacional espanhola Telefônica não só quer se tornar mais brasileira, mas também reinar no país. Custe o que custar. A operadora acaba de lançar uma oferta de 22 bilhões de reais para adquirir a Global Village Telecom (GVT), uma subsidiária de banda larga e telefonia fixa da Vivendi. Se fechar o negócio, o Brasil será, de longe, o país ao qual a multinacional espanhola destinou mais recursos para ganhar tamanho, já que a compra da O2, em 2005, por 25 bilhões de euros, incluía ativos em vários países europeus. Somente nos últimos quatro anos, a empresa desembolsou 15 bilhões de euros após a aquisição, em 2010, de 50% da Vivo, então em mãos da Portugal Telecom.
mais informações

Dizem que o Brasil é a obsessão de César Alierta desde que se tornou presidente do grupo há mais de uma década, porque o vê como o país com o maior potencial para gerar crescimento, em comparação com os mercados europeus demasiado saturados. Foi o que admitiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já participou de apresentações da empresa. E embora não goste muito de viagens protocolares nem de reuniões, o presidente não se importa de viajar regularmente ao Brasil, porque se sente à vontade. E porque quer conhecer de perto aquele que está prestes a se tornar o principal mercado do grupo.

De fato, apesar de uma ligeira diferença, a Espanha continua sendo o país líder em receita e lucro operacional bruto (EBITDA) do grupo, segundo as contas do primeiro semestre deste ano. Se a compra da GVT se concretizar, o Brasil, que hoje representa cerca de 22% do faturamento e do lucro total, ocupará a primeira posição.

Mas essa liderança interna é apenas uma anedota, porque o que a Telefônica realmente quer é mandar no Brasil. A operadora espanhola está convencida de que, apesar da morna oposição do Governo e dos reguladores, o mercado no país caminha para a consolidação: menos concorrentes e mais competitivos. Das cinco grandes empresas atuais – Telefônica, América Móvil, Oi (Portugal Telecom), TIM (Telecom Italia) e GVT (Vivendi) – devem restar três, segundo o consenso dos analistas.

Os analistas apontam para um mercado com apenas três empresas

A compra da GVT é apenas um primeiro passo nesse processo de consolidação. A próxima a cair pode ser a TIM. E o fracasso da Telecom Italia em sua tentativa de adquirir a subsidiária da Vivendi deixa-a isolada, com presença apenas no mercado de telefonia móvel. A reação irada dos italianos acusando a Vivendi de ter combinado tudo de antemão com a Telefônica (“em uma representação teatral”, disseam) dá uma ideia do seu nervosismo. E a Oi, a quarta operadora fruto da fusão com a Portugal Telecom, está prestes a lançar uma oferta hostil sobre sua subsidiária TIM, como anunciou esta semana.

BOA NOITE

ago
30

DEU NO UOL/FOLHA

Com as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) numericamente empatadas na primeira colocação, ambas com 34% das intenções segundo pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (29), a campanha petista partiu para o ataque contra a ex-senadora e ex-ministra do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Em texto publicado na página oficial de Dilma no Facebook na tarde deste sábado (30), intitulado “Incoerência crônica”, Marina é chamada de “grande ponto de interrogação” e de “evangélica fervorosa”.

A redação procura atacar a candidata pessebista em três pontos:

A eliminação de trechos sobre a comunidade LGBT do programa de governo, divulgado na sexta (29);
O pagamento do jatinho em que o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos morreu por meio de empresas fantasma;
E a defesa que Marina faz de um plebiscito para decidir sobre a legalidade ou não do aborto.

Com a polêmica em torno da mudança de seu programa de governo um dia após a divulgação inicial, Marina falou sobre o assunto. Em visita à favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, a candidata afirmou que “não foi uma revisão”.

“Na parte LGBT, o texto que foi para redação foi a parte apresentada pelos movimentos sociais. Todos os movimentos sociais apresentaram propostas e se contemplou tanto quanto possível as propostas”, disse.

Trata-se do primeiro ataque da campanha de Dilma a Marina por meio de canais oficiais. Textos criticando a ex-ministra do Meio Ambiente já haviam sido publicados no site Muda Mais, que é ligado ao comando da campanha petista, mas não tem caráter oficial.


Dilma, a caráter, na casa de Nalvinha em Batatinha(Paulo Afonso)

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Dilma abalou a Batatinha

Janio Ferreira Soares

Se eu fosse um colunista do sertão (sei lá, uma espécie de July de alforjes), escreveria assim: “Dona Nalvinha, a sortuda moradora de uma vila com nome de diminutivo de tubérculo, não poupou esforços e caprichou no visual e na originalidade para receber a visita mais importante de sua vida – ou melhor, as visitas, já que uma surpresa de última hora foi o tempero que faltava para apurar o sabor do seu guisado. Com a ajuda dos filhos ela varreu o terreiro, podou os bougainvilles, matou um bode, botou roupa de novena e até colocou uma miniprótese pra disfarçar a nudez que transpassava o meio de sua arcada dentária superior, só pra poder escancarar o sorriso de satisfação por receber Dilma e entourage em seu quintal (sorry periferia, mas eu teria um estilo tipo Ibrahim Sued). Let’s go!

Desde cedo, era enorme a expectativa entre os moradores do pequeno povoado com cerca de 200 habitantes, distante 20 km de Paulo Afonso. Que o diga seu João Batista, 67 anos, vizinho de Nalvinha e meio clone de Anthony Quinn. Completamente atarantado pelo repentino movimento, nosso Zorba sertanejo me disse que estava adorando aquele alvoroço, mas queria mesmo era saber onde andava Bandoleira, sua estimada cadela, que desde o primeiro rasante do helicóptero da FAB embrenhou-se no meio do mato e nunca mais apareceu.

Passava um pouco das 16 horas, quando o helicóptero presidencial pousou no campo de futebol, bem ao lado da trave onde Dudé, brioso atacante do Batatinha Futebol Clube, fez um golaço no último clássico contra o Esporte Clube Bonomão, time do vizinho povoado do mesmo nome. E quando a poeira diminuiu no entorno de meninos correndo, bonés quicando e saias plissadas ameaçando abalonar, eis que surge a tiracolo de Dilma o ex-presidente Lula, usando uma vistosa camisa azul-turquesa, cor ideal para combinar com o tom prata-bari de sua barba.

Mas como nada é perfeito, a nota destoante do evento foi a presença de um jovem jornalista baiano que, só pra fazer futrica, escreveu num poderoso jornal que a prótese dentária de nossa hostess tinha sido um mimo da presidente Dilma, veja que coisa desagradável. Para ele, mando um beijinho no ombro e um recado: os cães ladram e a caravana passa, mon chéri!”.

No dia seguinte, já desencarnado do colunista, voltei à Batatinha e lá estava a incansável Nalvinha, com sua costumeira disposição de uma formiguinha em constante lida pré-invernal. Pergunto se a ficha já caiu e ela diz que ainda parece um sonho. Elogio sua horta e ela responde, adequando a constatação de um velho navegante: “meu filho, com fé e água, dá de tudo nesse sertão de meu Deus”. Num papo rápido com alguns moradores, comprovo que a polêmica não reverberou por lá e que, pra comunidade, ela continua sendo muito mais do que uma simples rima com o nome do lugar.

Antes de partir, indago por Bandoleira. Seu João me diz que ela voltou, mas que seus nervos estão em frangalhos. “Hoje mesmo liguei o liquidificador e a bichinha se jogou embaixo da cama”. Comento sobre o broche da presidência ainda na sua camisa e ele diz que não o tira mais. Definitivamente, a Batatinha de Nalvinha e o sistema nervoso de Bandoleira nunca mais serão os mesmos.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco.

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