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Postado em 28-07-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 28-07-2014 14:53


Sara Brito:resistência e justiça na Comissão da Verdade

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A desembargadora Sara Brito, do Tribunal de Justiça da Bahia, e os jornalistas Nelson Cerqueira e Oldack Miranda vão depor na Comissão Estadual da Verdade – Bahia nesta terça-feira (29/7), em audiência aberta ao público, na sede do órgão, na Avenida Sete de Setembro, 1330, anexo ao Palácio da Aclamação.

Os dois primeiros falarão a partir das 9 horas, enquanto o depoimento de Oldack Miranda será às 14 horas.

A CEV-BA, criada em dezembro de 2012, por meio do decreto estadual 14.227, já ouviu 44 pessoas vítimas do regime militar, em Salvador e Feira de Santana, e recebeu cerca de 600 documentos que comprovam violações aos direitos humanos.

Sara Brito, ex-filiada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi presa inúmeras vezes e em 1968, no último ano do curso, teve sua matrícula cassada e foi expulsa da Faculdade de Direito da UFBA.

Conseguiu concluir o bacharelado em 1969 na Faculdade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, onde foi presa, trazida para Salvador e encarcerada na antiga Casa de Detenção do Largo de Santo Antônio, onde ficou quase três anos.

Ingressou na magistratura em abril de 1981 e foi nomeada desembargadora, pelo critério de merecimento, em março de 2007. De março de 2012 a 2014 exerceu a presidência do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia. Ela é viúva do advogado Pedro Milton de Brito, de trajetória histórica na resistência política e na justiça da Bahia.

O escritor e jornalista Nelson Cerqueira trabalhava como plantonista no Jornal da Bahia na madrugada de 1º de abril de 1964, quando foi surpreendido pela invasão de tropa do Exército na redação e oficinas do matutino.

Segundo ele, esse jornal foi o primeiro, em todo o país, a sofrer censura do regime militar. Na manhã de 1º de abril, o Jornal da Bahia foi para as bancas com o espaço da manchete em branco e com claros onde deveria haver texto de notícia. Nelson Cerqueira é também poeta e doutor pela Indiana University (EUA).

O jornalista Oldack Miranda, militante do movimento Ação Popular (AP), foi para a clandestinidade após ser procurado pelas forças repressivas da ditadura em vigor no país. No Vale do Jaíba, norte de Minas, trabalhou durante oito meses, organizando posseiros. Em 1969, foi deslocado para a mata do Vale do Pindaré Mirim, no Maranhão, onde ficou até 1971, com o objetivo de organizar camponeses em sindicatos rurais.

Retorna a Salvador em setembro de 1971, voltando a conviver com a família. Foi condenado a revelia, em Juiz de Fora (MG), a seis meses de reclusão, no dia 28 de abril de 1972, após inquérito policial militar (IPM) instaurado em Belo Horizonte, junto com a companheira Solange Soares Nobre. Apresenta-se e cumpre a pena na Penitenciária de Linhares, em Juiz de Fora (MG).

Já em liberdade, decidiu morar em Salvador e, em outubro de 1973, foi preso por hospedar um militante da Ação Popular clandestino. Foi levado para o Forte do Barbalho e depois para a sede do DOI-CODI em Recife, permanecendo sob tortura durante quatro meses. Seu hóspede, José Carlos da Mata Machado, foi preso e assassinado sob tortura. Oldack Miranda foi julgado e absolvido.

A Comissão Estadual da Verdade – Bahia tem o objetivo de apurar e esclarecer violações aos direitos humanos cometidas por agentes públicos entre os anos de 1946 e 1988, principalmente as violações ocorridas durante a ditadura militar, de 1964 a 1985.

No momento, a CEV-BA prepara o seu primeiro relatório oficial para ser divulgado a 10 de dezembro próximo, no Dia Mundial dos Direitos Humanos, em cerimônia com a participação do governador Jaques Wagner e outras autoridades.

Coordenada pelo advogado Jackson Azevedo, a CEV-BA é formada ainda pelo sociólogo Joviniano Neto, a professora Amabília Almeida, os jornalistas Walter Pinheiro e Carlos Navarro, a pró-reitora da UFBA, Dulce Aquino, e a advogada Vera Leonelli.

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