BOA TARDE!!!

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DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

Lilian Machado

O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), rebateu ontem o governador Jaques Wagner (PT) sobre o tipo de relação mantida, atualmente, entre as esferas do governo e da prefeitura da capital baiana.

Nas últimas semanas, os gestores que até pouco tempo, estavam em “lua de mel”, entraram em embate sobre questões que envolvem instâncias do município e do estado.

O mal- estar entre ambos foi evidenciado pelo próprio Wagner, em visita à Tribuna essa semana, quando ele acusou Neto de querer “tomar conta da Embasa” e ainda disse que lua de mel seria um “exagero”.

Durante evento, ontem, o prefeito sinalizou que não quer prolongar o desentendimento, porém revidou as acusações. “Eu não vou alimentar nenhum tipo de desavença. Eu apenas não fico calado. Se eventualmente houver algum tipo de ação contra a prefeitura eu sou obrigado a denunciar e a revelar porque esse é o meu dever como prefeito.

O democrata negou que a prefeitura tenha incitado uma postura contrária do governo. “Lembrando que nós não provocamos absolutamente nada. As últimas ações foram todas provocadas pelo governo do estado, como a criação da Entidade Metropolitana, a tentativa de interferir indevidamente no processo urbano de licitação do transporte rodoviário, o cancelamento do financiamento do Desenbahia, já aprovado pela Câmara Municipal. A prefeitura não provocou nada disso. As ações vieram do governo do estado e ele que deve responder que tipo de relação quer ter com a prefeitura. Eu garanto que quero continuar tendo uma relação de muito respeito e parceria”.

O cenário de disputa nas urnas de outubro foi mencionado pelo alcaide de Salvador. “Eu espero que o debate político e eleitoral não contamine a necessária relação administrativa que deve existir entre prefeitura e governo do estado”, sugeriu.

Wagner tem como candidato à sucessão o seu ex-secretário da Casa Civil, Rui Costa (PT), enquanto Neto é um dos articuladores da candidatura de Paulo Souto (DEM), que colaborou com a montagem de sua administração.

O prefeito negou a informação do petista, de que tivesse pedido através de carta enviada ao governo, 0,6% do faturamento da Embasa para sustentação do órgão criado pela prefeitura, como disse o próprio Wagner. “Não é verdade. O documento que eu encaminhei para o governador, se ele disse, eu vou tornar público, exatamente para mostrar quais foram as ponderações que nós fizemos”.

O democrata aproveitou para disparar contra os serviços da empresa pública. “A Embasa só vem fazendo coisas contra a cidade, aumentando a conta de água, não ampliando os serviços para a população, principalmente a mais pobre, esburacando Salvador. Eu tenho certeza que se fizermos uma pesquisa de opinião pública, a Embasa será reprovada pela cidade, é uma gestão ineficiente, incompetente do governo do estado na Embasa. Foram essas coisas que eu procurei denunciar”.

Adversários nas eleições que vão definir a nova administração do estado, Neto cutucou o petista na resposta de que não quer interferir na Embasa. “Agora tomar conta, de jeito nenhum. Tomar conta quem toma é o governo do estado, que é governado por Jaques Wagner até o fim do ano e que terá outro governador no ano que vem”.

Neto repetiu que tornaria pública a carta. “Eu encaminho, torno pública a carta e vocês podem julgar”, concluiu. O chefe do Executivo estadual chegou a dizer que foi Neto que “criou e rompeu unilateralmente o contrato de delegação para o Estado de fiscalização de serviços da Embasa”.

jul
26
Posted on 26-07-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-07-2014


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Sinfrônio, hoje, no Diário do Nordeste (CE)


Suassuna:despedida memorável no TCA

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Rui Costa (com Otto Alencar): apuros no terreiro de Mãe Stella

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ARTIGO DA SEMANA

Suassuna no TCA e PT no terreiro de Mãe Stella

Vitor Hugo Soares

Corre de boca em boca, e está nos melhores registros tradicionais do saber popular, na Bahia, que a mistura da política com o candomblé é, sempre, um grande salto no escuro: Insondável e perigoso.

Quando este sincretismo se manifesta em períodos de disputas eleitorais, como agora (políticos, militantes, candidatos e governantes à beira de um ataque de nervos), tudo fica mais nebuloso e imponderável ainda.

“Tanto pode resultar na doçura do melhor mel de engenho de açúcar, quanto o caldo pode azedar, a ponto de ficar insuportável até de provar”. A frase é emblemática nesta semana da corrida de candidatos do PT e de agremiações aliadas do Governo Jaques Wagner ao famoso terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá, em busca das bênçãos de Mãe Stella (a poderosa Ialorixá, membro da Academia de Letras da Bahia, uma das mais tradicionais casas de cultura e saber literário do Brasil).

A frase acima usa imagens verbais e literárias nordestinas, bem ao gosto do mestre Ariano Suassuna. Uma semana depois da morte repentina de João Ubaldo Ribeiro, ele também acaba de partir, cobrindo de luto outra vez a vida inteligente e a cultura erudita e popular do Nordeste e do País, já tão carentes de autores e seres tão extraordinários quanto os dois.

E aqui peço licença para um interlúdio, antes de retomar ao caso dos sabores e dissabores da desastrada expedição do candidato petista a governador, Rui Costa, ao Candomblé de Mãe Stella. Antes, digo apenas que ele segue desajeitado e derrapando feio, carregando a “lanterna” entre os três principais concorrentes, apesar de toda máquina governamental atuar a plena carga em seu favor.

Na pesquisa mais recente do Ibope-TV Bahia (da Globo), divulgada no dia seguinte à incursão no terreiro, o petista está em terceiro lugar, com com 8%, contra 42% de Paulo Souto, do DEM, em primeiro, e a socialista Lídice da Mata, com 11%, em segundo.

O interlúdio é para um registro informativo e um tributo do coração a um ser humano raro, que aprendi a seguir e admirar desde menino, nascido nas margens baianas do Rio São Francisco. Ouvidos e olhos sempre voltados para os toques do frevo e da inteligência que pulsavam na margem pernambucana do rio da minha aldeia. Morei em cidades pernambucanas da outra margem e nelas vivi alguns dos melhores anos de infância e juventude.

Em uma delas, Petrolina, tive o deslumbramento da descobertae da primeira leitura das aventuras de Zé Grilo, do “Auto da Compadecida” (tantas vezes relido por prazer ou como tarefa escolar), encontrado em um criado-mudo na cabeceira da cama, entre os livros preferidos de meu pai.

Semana passada, Salvador foi penúltima escala do mestre Suassuna, para ministrar mais uma fabulosa “aula-espetáculo”, em noite memorável no histórico Teatro Castro Alves. A lendária casa de espetáculos completamente lotada por um público vibrante de 1.500 pessoas de todas as idades. Gente que escutou atenta, sorriu, brincou, cantou, chorou emocionada e mais uma vez ficou encantada com o visitante querido. E novamente o aclamou, sem nem de longe imaginar que era a última vez.

O público transbordava de felicidade. Tanto quanto parecia feliz- e em plena forma física e intelectual – o próprio palestrante. Na aula de múltiplos assuntos e temas, Suassuna fez questão de destacar seus laços estreitos de afetos com a Bahia, com sua gente do povo e com seus artistas e intelectuais. Com a música sertaneja de temas ligados a Canudos, de Fábio Paes, ou a relação próxima que desenvolveu com o teatro baiano, seus autores e intérpretes, a exemplo de Gil Ferreira, premiado por sua atuação em “A Santa e o Porco” ((2002).

No TCA, conta o repórter Gabriel Serravalle, em A TARDE, Ariano lembrou quando recebeu o título de Cidadão Baiano, em 2007, e foi homenageado pelo cantor, compositor e professor de História, Fábio Paes. Ao recordar, Suassuna se emocionou até as lágrimas, e largou uma de suas frases impagáveis: “A coisa mais feia do mundo é um sertanejo mole. Choro, só em mulher bonita. Em um homem como eu, é a coisa mais grotesca”.

Verdade ou mentira do mestre? Entre lágrimas, de mulheres e homens, cai o pano no TCA.

Depois de Salvador, Suassuna passou ainda por Garanhuns, no festival de inverno pernambucano. Foi aclamado de novo, antes de voltar para casa, em Recife, sofrer o derrame sorrateiro, ser internado no Hospital Português da capital pernambucana e, em seguida, morrer cercado dos seus. O resto é memória. Para sempre.

E estamos de volta ao terreiro baiano Axé Opô Afonjá, na quarta-feira da expedição dos candidatos governistas, durante uma cerimônia para Xangô, em busca das bênçãos de Mãe Stella. Vestido de branco, Rui Costa, candidato petista a governador, não conseguia esconder o desconforto de um quase neófito dos segredos dos cultos afro brasileiros. Ou mesmo de fatos mais abertos e de conhecimento quase geral.

Acompanhado de Otto Alencar, candidato ao senado, o petista precisou, a todo momento, se socorrer do séquito de assessores para “dialogar” com a líder religiosa. Otto, um matreiro ex-carlista bandeado para o governo de Wagner, parecia bem mais à vontade. Ex-aluno aplicado da escola política de Antonio Carlos Magalhães – que se sentia em casa em qualquer terreiro -, Otto mostrou mais conhecimento e afinidade com as coisas e pessoas de santo. “Não é uma coisa que eu venho só em tempo de eleições”, disse o ex-carlista, segundo registro do repórter Fernando Duarte em A Tarde.

Mas nenhum dos dois escapou de broncas da ialorixá, por mazelas administrativas que mãe Stella cobrou, sempre com sabedoria e bom humor dos iluminados. Quase no final da visita, ela perguntou: “Cadê o governador?”. Depois de ouvir de assessores que Jaques Wagner estava em viagem ao interior do estado, Rui repassou a informação. Mãe Stela então perguntou: “E o próximo?”. Desconcertado, Rui Costa murmurou, apontando para si: “Está aqui. Pelo menos eu espero”.

Mas não obteve a esperada confirmação da líder religiosa. Mãe Stella disse apenas que a sua casa está aberta para todos os demais candidatos. E comentou: “Todo mundo pensa, “eu vou lá e vou ser eleito”. Mas não é assim”.

E cai o pano, também, no terreiro de Mãe Stella.O resto, doce ou amargo, o tempo dirá.

Vitor Hugo Soares, jornalista, é editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Serafim

Gilberto Gil

Quando o agogô soar
O som do ferro sobre o ferro
Será como o berro do bezerro
Sangrado em agrado ao grande Ogum

Quando a mão tocar no tambor
Será pele sobre pele
Vida e morte para que se zele
Pelo orixá e pelo egum

Kabieci lê – vai cantando o ijexá pro pai Xangô
Eparrei, ora iêiê – pra Iansã e mãe Oxum
“Oba bi Olorum koozi”: como deus, não há nenhum

Será sempre axé
Será paz, será guerra, serafim
Através das travessuras de Exu
Apesar da travessia ruim

Há de ser assim
Há de ser sempre pedra sobre pedra
Há de ser tijolo sobre tijolo
E o consolo é saber que não tem fim

Kabieci lê – vai cantando o ijexá pro pai Xangô
Eparrei, ora iêiê – pra Iansã e mãe Oxum
“Oba bi Olorum koozi”: como deus, não há nenhum

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Serafim: Gravado por Gil no disco Parabolicamará (1992).

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


DEU NO PORTAL A TARDE

Ricardo Della Coletta

A campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff protocolou nesta sexta-feira, 25, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma representação contra o candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) e sua coligação e também contra a empresa Empiricus Consultoria & Negócios e o Google. Os advogados do comitê de Dilma acusam a Empiricus (companhia de análise de ações que oferece recomendações via site, chamadas telefônicas, e-mail e palestras) de veicular indevidamente propaganda paga favorável a Aécio na internet.

De acordo com a representação da campanha da petista, desde o início do período eleitoral a empresa tem disponibilizado publicidades em portais como o Estado de Minas e o Correio Braziliense, nas quais consta um link “Como Proteger seu Patrimônio da Dilma”. O material prevê instabilidades na economia do País caso Dilma conquiste um segundo mandato.

“O conteúdo de sua propaganda ultrapassa qualquer limite da liberdade de informação e atenta frontalmente aos ditames da legislação eleitoral, chegando a incitar, em seu anúncio pago, um certo ‘terrorismo’ no mercado financeiro, em caso de vitória da candidata da Coligação Representante (Dilma) no pleito eleitoral de outubro próximo”, escrevem os advogados na representação. “Nesse contexto indissociável da disputa eleitoral, resta clara a conotação eleitoral de propaganda paga na internet, cujo conteúdo é claramente difamatório e injurioso”.

No documento, a coligação de Dilma, formada por PT, PMDB, PSD, PP, PR, PDT, PROS, PCdoB e PRB, pede que seja suspensa, em caráter liminar e até o final do período eleitoral, qualquer veiculação de anúncios pagos pela Empiricus que tenham referência ao pleito de 2014 ou aos candidatos a presidente. A representação também pede a aplicação de multa a Aécio, sua coligação e à empresa Empiricus no valor de R$ 30 mil. O Google consta da ação, segundo o comitê de Dilma, por ser a empresa contratada que fornece a infraestrutura virtual para a veiculação do material

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