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DEU NO IG ESPORTES

A volta de Dunga ao comando da seleção brasileira, confirmada nesta terça-feira, deixa exposta uma ferida que parecia cicatrizada desde o fim da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul: a relação entre CBF e Rede Globo, parceiras de longa data no futebol, mas que tiveram a proximidade abalada na primeira passagem do técnico, contrário aos privilégios dados à emissora na cobertura do dia a dia da equipe em competições.

A exposição demasiada da seleção na Copa de 2006, na Alemanha, durante a preparação na cidade suíça de Weggis virou um dos motivos para explicar o fracasso na competição, com queda nas quartas de final para a França.

Com a saída de Carlos Alberto Parreira, a CBF apostou em Dunga, capitão da equipe campeã mundial em 1994, e em seu estilo disciplinador mesmo sem ele ter experiência como treinador.

Para impor a tranquilidade que desejava e evitar a exposição dada por seus antecessores, Dunga vetou o livre trânsito que os profissionais da Rede Globo, tanto do jornalismo quanto do entretenimento, à concentração.

O técnico passou a dar a palavra final, geralmente negativa, a pedidos de entrevista com jogadores. A cúpula da emissora, que detém exclusividade na transmissão dos amistosos da seleção brasileira e outros eventos ligados à entidade, passou a se incomodar.

O ápice da queda de braço entre Dunga e Globo aconteceu após a vitória do Brasil diante da Costa do Marfim na fase de grupos da Copa de 2010, quando o treinador interrompeu uma resposta para interpelar o jornalista Alex Escobar, que falava ao celular e balançava negativamente a cabeça durante a entrevista coletiva. “Algum problema?”, perguntou o técnico. “Eu? Estou nem olhando para você, Dunga”, respondeu o repórter. Dunga seguiu irritado e sussurrou xingamentos, captados pelos microfones.

O entrevero gerou um editorial no programa “Fantástico”, por meio do apresentador Tadeu Schmidt, que disse ser a pessoa que falava ao celular com Escobar no momento da discussão.

“O técnico Dunga, no comando da seleção há quase quatro anos, não apresenta nas entrevistas um comportamento compatível com a imagem de alguém tão vitorioso no esporte. Com frequência usa frases grosseiras e irônicas”, dizia parte do texto lido no programa do fim de noite dominicial da Globo.

A saída de Dunga devolveu à emissora o lugar cativo no dia a dia da seleção brasileira tanto com Mano Menezes quanto com Luiz Felipe Scolari. Na Granja Comary, em Teresópolis, onde a equipe se preparou para a Copa deste ano, o espaço privilegiado à Globo voltou a ficar claro.

O apresentador Luciano Huck, por exemplo, levou a família ao local no mesmo dia em que interrompeu um treino para gravar um quadro de seu programa com jogadores. No último domingo, ainda sob a sombra do fracasso no Mundial, o “Fantástico” exibiu uma entrevista exclusiva com Neymar.

A saída de Rodrigo Paiva como diretor de comunicação da CBF após a Copa do Mundo também levanta dúvidas sobre como será a relação entre Dunga e Globo nesta segunda passagem do treinador pela seleção brasileira.

Ele sempre foi visto como um facilitador para que os profissionais da emissora tenham um tratamento diferenciado para entrevistas e reportagens especiais.

“Tive atrito com várias pessoas”

Na coletiva de apresentação de Dunga, o novo treinador comentou sobre o atrito com a Rede Globo em sua primeira passagem pela seleção e disse que as “brigas” não foram só com a emissora.

“Quanto à Globo, não é que tive problema, tive atrito com várias pessoas. Eu, talvez, tenha levado na ponta da faca porque eu cumpri tudo o que foi combinado.

Não vou mudar a minha essência. Agora, tem de ser planejado e cada um vai ter seu espaço. Ninguém vai cercear a imprensa de trabalhar, mas tem de entender, a frente de todos nós, é a seleção brasileira”, afirmou. “Todos nós temos que ceder um pouco. Se tiver essa compreensão de todos, vai ser ótimo”, completou.

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