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Viva João Ubaldo. Para sempre.

Saudades

(Vitor Hugo Soares)

jul
18
Posted on 18-07-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-07-2014


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Aroeira, hoje,no jornal O DIA (RJ)

jul
18


João Ubaldo em casa:perda sem tamanho
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DEU EM O GLOBO

O escritor João Ubaldo Ribeiro, de 73 anos, 7º ocupante da cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras e colunista do GLOBO e do “Estado de S.Paulo”, morreu em casa na madrugada desta sexta-feira, no Leblon.

De acordo com a secretária de Ubaldo Ribeiro, Valéria dos Santos, o escritor foi vítima de embolia pulmonar.

— Ele sentiu falta de ar durante a noite. Dona Berenice (a psicanalista Berenice de Carvalho Batella Ribeiro, mulher do autor) e Chica (uma de suas filhas) tentaram pedir ajuda médica, mas não houve tempo para socorrê-lo. Foi uma morte súbita. Elas estão muito chocadas.

Autor de clássicos da literatura brasileira como “Sargento Getúlio” (1971) e “Viva o povo brasileiro” (1984), Ubaldo Ribeiro recebeu o Prêmio Camões, maior honraria da literatura em língua portuguesa, em 2008. Ele foi eleito para a ABL em 1993 para ocupar a cadeira número 34, no lugar do jornalista e escritor Carlos Castello Branco (1920-1993).

— Foi uma surpresa, um choque para a academia — disse Geraldo Holanda Cavalcanti, presidente da ABL. Ele estava muito bem disposto, em um momento de plena produção literária. É uma grande perda para as letras. Ele renovou a literatura brasileira. Com a publicação de “Viva o povo brasileiro”, ele inaugurou uma nova etapa do nosso romance. É um momento bastante doloroso, logo depois da perda de outro grande, o Ivan Junqueira (jornalista,poeta e crítico literário morto no último dia 3).

“Viva o povo brasileiro” ganhou o prêmio Jabuti em 1984. O livro, recheado de humor, recria quase quatro séculos da história do país, incluindo episódios marcantes, como a Guerra do Paraguai e a Revolta de Canudos, a partir da vida de personagens anônimos do povo brasileiro.

O livro já vendeu mais de 120 mil exemplares e foi traduzido para o inglês pelo próprio autor, ganhando versões em vários outros idiomas. Ubaldo Ribeiro, aliás, é um dos escritores brasileiros mais traduzidos no exterior, com publicações lançadas em alemão, dinamarquês, espanhol, finlandês, francês, holandês, hebraico, inglês, italiano, esloveno, norueguês e sueco.

João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, na Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Ele foi criado até os 11 anos no estado do Sergipe, onde seu pai trabalhava como professor e político. Antes de voltar para Itaparica, o escritor passou um ano em Lisboa e um ano no Rio de Janeiro.

Formado em Direito pela Universidade da Bahia em 1962, Ubaldo Ribeiro jamais advogou. Ele fez pós-graduação em Administração Pública pela mesma instituição e mestrado de Administração Pública e Ciência Política pela Universidade da Califórnia do Sul, nos EUA.

A formação literária do escritor começou já nos seus primeiros anos de estudante. Ele foi um dos jovens escritores brasileiros que participaram do International Writing Program da Universidade de Iowa.

Entre outras atividades, o romancista, cronista, jornalista e tradutor foi professor da Escola de Administração e da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia e professor da Escola de Administração da Universidade Católica de Salvador.

Entre 1990 e 1991, morou em Berlim, a convite do Instituto Alemão de Intercâmbio (DAAD – Deutscher Akademischer Austauschdienst). Ao retornar ao Brasil, passou a viver no Rio de Janeiro.

Seu primeiro emprego foi como repórter no “Jornal da Bahia”, onde também viria a atuar mais tarde como redator, chefe de reportagem e colunista.

Em entrevista ao GLOBO em junho de 2012, ele comentou a atividade:

— O jornalismo me deu os macetes e recursos redacionais a que sua prática leva, bem como o senso de disciplina para não “furar a pauta”, qualquer que seja ela, e escrever mesmo quando não se está disposto. E, entre os escritores brasileiros, grande número deles, ou a maior parte, é e tem sido de jornalistas. Pessoalmente tenho orgulho disso.

Ele também escrevia para o diário alemão “Frankfurter Rundschau”. E já colaborou com publicações como o jornal “Diet Zeit” (Alemanha), “The Times Literary Supplement” (Inglaterra), “O Jornal” (Portugal), “Jornal de Letras” (Portugal), “Folha de S. Paulo” e “A Tarde”.

João Ubaldo Ribeiro deixa a mulher, Berenice de Carvalho Batella Ribeiro, e quatro filhos: dois de seu casamento anterior, com Mônica Maria Roters, e dois com Berenice.

A ABL informou que o corpo chegará à sede da academia às 10h para o velório. Ainda não há informações sobre o local e o horário do enterro.

PRÊMIOS

– Prêmio Golfinho de Ouro, do Estado do Rio de Janeiro, conferido, em 1971, pelo romance Sargento Getúlio;

– Dois prêmios Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1972 e 1984, respectivamente para o Melhor Autor e Melhor Romance do Ano, pelo romances Sargento Getúlio e Viva o povo brasileiro;

– Prêmio Altamente Recomendável – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil,1983, para Vida e Paixão de Pandonar, o Cruel ;

– Prêmio Anna Seghers, em 1996 (Mogúncia, Alemanha);

– Prêmio Die Blaue Brillenschlange (Zurique, Suíça);

– Detém a cátedra de Poetik Dozentur na Universidade de Tubigem, Alemanha (1996);

– Prêmio Lifetime Achievement Award, em 2006;

– Prêmio Camões, em 2008.

OBRA

Romances:

– “Setembro não tem sentido” (1968);

– “Sargento Getúlio” (1971);

– “Vila Real” (1979);

– “Viva o povo brasileiro” (1984);

– “O sorriso do lagarto” (1989);

– “O feitiço da Ilha do Pavão” (1997);

– “A casa dos budas ditosos” (1999);

– “Miséria e grandeza do amor de Benedita” (2000);

– “O albatroz azul” (2009).

Contos:

– “Lugar e circusntância”. Conto para participar da antologia : “Panorama do conto baiano” (1959)

– “Josefina”, “Decalião” e “O Campeão”. Escreve três contos para participar da coletânea de contos ” Reunião”;

– “Vencecavalo e o outro povo” (1974);

– “Livro de histórias” (1981);

– “Contos e crônicas para ler na escola” (2010).

Crônicas:

– “Sempre aos domingos” (1988);

– “Um brasileiro em Berlim” – crônicas originalmente publicadas no jornal “Frankfurter Rundschau” e em livro, na Alemanha. (1995);

– “Arte e ciência de roubar galinhas” – coletânea de textos publicados na imprensa. (1999);

– “O conselheiro come” (2000);

– “A gente se acostuma a tudo” (2006);

– “O rei da noite” (2008).

Ensaio:

– “Política: quem manda, por que manda, como manda” (1981).

Literatura infanto-juvenil:

– “Vida e paixão de Pandonar, o cruel” (1983);

– “A vingança de Charles Tiburone” (1990).

Read more: http://oglobo.globo.com/cultura/livros/morre-joao-ubaldo-ribeiro-aos-73-anos-1-13296123#ixzz37pAObOLf

DEU NA FOLHA E NO JORNAL NACIONAL

Com 36% das intenções de voto na simulação de primeiro turno, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, mantém a liderança da disputa pelo Palácio do Planalto. Mas, pela primeira vez, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) aparece tecnicamente empatado com ela no teste de segundo turno.

Segundo o Datafolha, se o turno final da disputa fosse hoje, Dilma teria 44% dos votos, Aécio alcançaria 40%. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos para mais ou para menos, eles estão na situação limite de empate técnico.

Num eventual disputa de segundo turno contra o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), o resultado seria 45% para Dilma contra 38% para Campos. É também a menor diferença entre os dois na série de nove pesquisas do Datafolha com este cenário desde agosto de 2013.

Em relação à pesquisa anterior, feita no começo do mês, o quadro do primeiro turno apresenta pouca diferença. Em 15 dias, Dilma oscilou de 38% para 36%. Aécio manteve os 20%. Campos oscilou de 9% para 8%.

Juntos, todos os rivais de Dilma também somam 36%. Considerando a margem de erro, portanto, não é possível dizer se haveria ou não segundo turno se a disputa fosse hoje.

A oscilação negativa de Dilma no primeiro turno e a aproximação de seus rivais em simulações de segundo turno são coerentes com o aumento do percentual de eleitores que julgam o atual governo como ruim ou péssimo.

Conforme a pesquisa, 29% desaprovam a gestão Dilma. Este é, numericamente, o maior percentual de ruim e péssimo para a petista desde o início de sua gestão, em 2011.

Já o total de eleitores que classificam a administração como boa ou ótima são 32% agora, praticamente a mesma taxa apurada no fim de junho de 2013, imediatamente após a grande onda de protestos pelo país. Naquela ocasião, a taxa de aprovação à gestão petista despencou de 57% para 30%.

Em relação à pesquisa anterior, a taxa de rejeição a Dilma subiu de 32% para 35%. O segundo mais rejeitado é o candidato Pastor Everaldo (PSC), que tem 3% das intenções de voto, mas 18% de rejeição. Os que rejeitam Aécio oscilaram de 16% para 17%. Campos mantém os 12% da pesquisa anterior.

O Datafolha ouviu 5.377 eleitores em 223 municípios na terça (15) e nesta quarta-feira (16). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos e o número de registro no TSE é BR-00219/2014. O levantamento foi encomendado pela Folha em parceria com a TV Globo.

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DEU NA FOLHA DE S. PAULO

O CASO DOS NOVE CHINESES

Élio Gaspari

No dia 16 chega ao Brasil o presidente da China, Xi Jinping. Ele governa uma ditadura de vitrine, a segunda economia do mundo, e é o maior parceiro comercial de Pindorama. Semanas depois, chegará às livrarias “O Caso dos Nove Chineses”, dos jornalistas Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Mello, um magnífico trabalho de pesquisa histórica onde está contada a história de um episódio de vergonhosa marquetagem e histeria do amanhecer da ditadura.

Aconteceu o seguinte:

No dia 3 de abril de 1964, logo depois da deposição do presidente João Goulart, a polícia do governador Carlos Lacerda prendeu no Rio de Janeiro nove cidadãos chineses. Perigosos agentes, comandavam uma rede de 191 pessoas, tinham agulhas envenenadas, bombas teleguiadas e uma lista de personalidades que deveriam ser assassinadas durante a revolução comunista.

Tudo mentira. Dois eram jornalistas da agência estatal e estavam no Brasil desde 1961. Quatro haviam chegado em junho de 1963 para tratar de uma exposição comercial, e três vieram em janeiro de 1964, para comprar algodão. Todos tinham vistos oficiais. Começaram a apanhar no momento da prisão, em suas casas, e depois alguns deles foram espancados pela polícia. Tiveram os apartamentos saqueados e as contas confiscadas (R$ 865 mil em dinheiro de hoje.)

No dia 16, quando Xi Jinping descer em Brasília, completam-se 50 anos dos dias em que os nove chineses estavam trancados em quartéis. Só puderam escrever para as famílias dois meses depois. Só receberam a visita das mulheres (vigiadas por 32 agentes) em agosto.

“O Caso dos Nove Chineses” conta uma história de acovardamento da qual emerge, altaneiro, o advogado Sobral Pinto, que aceitou a defesa dos presos. A Sobral juntaram-se intelectuais como Augusto Frederico Schmidt e jornalistas como Antonio Callado e Carlos Heitor Cony. (Seus destemidos artigos da época, publicados no livro “O Ato e o Fato”, foram reeditados há pouco.)

Como era tudo mistificação, violência e histeria, em poucos meses o governo ficou com uma batata quente nas mãos. Condenara os chineses a dez anos de prisão, enfrentava uma campanha internacional e não tinha como se explicar. Em fevereiro de 1965 eles foram expulsos e recebidos como heróis em Pequim.

Aí o jogo virou. Desde então, o Império do Meio mostra que tem memória. Não cria caso, mas não esquece. Sempre que surge a ocasião, refere-se ao “contencioso” do episódio. Cinco dos nove estão vivos. Um deles tornou-se diretor da agência de notícias para a qual trabalhava, outro dirigiu a área de América Latina do Ministério das Relações Exteriores e foi embaixador em Moçambique e Angola. Wang Yaoting chegou a presidente do Conselho para a Promoção do Comércio Internacional. Em 1979, quando o general João Figueiredo visitou a China, ele conversou com um brasileiro:

– Morei um ano no Rio.
– Então o senhor deve conhecer bem o Brasil.
– Conheço muito pouco, porque fiquei aquele ano quase todo preso.

Foram-se os militares, vieram Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula e Dilma. Os tempos seriam outros. Talvez, mas até hoje o Império do Meio não recebeu satisfação pelo que sucedeu a seus cidadãos, nem o dinheiro de volta. Mais: em 1997 (governo Fernando Henrique) um dos jornalistas tentou vir ao Brasil com a mulher, mas não conseguiu visto.
elio gaspari

Elio Gaspari, nascido na Itália, veio ainda criança para o Brasil, onde fez sua carreira jornalística. Recebeu o prêmio de melhor ensaio da ABL em 2003 por ‘As Ilusões Armadas’.

Uma verdadeira obra prima da Bossa Nova e da poesia da música popular brasileira.

Nada melhor que Sergio Ricardo, extraordinário músico e poeta, para começar a sexta-feira musical no BP.
Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU EM A TARDE

Fabiana Mascarenhas

Quando saiu de casa, na última terça-feira, 15, a jornalista Lília de Souza, 34, só tinha um objetivo: renovar o passaporte. Jamais imaginou que, justamente nesse dia, passaria por um episódio que, segundo ela, lhe causou “um dos maiores constrangimentos” que já vivenciou.

No momento de fazer a foto para o passaporte, o sistema não permitiu o registro. A policial que a atendeu, explicou qual era o problema. “O seu cabelo é black power e o sistema não aceita a imagem. Terá que prendê-lo”, disse.

Lilian ainda insistiu para fazer a foto com o cabelo solto. A policial tentou algumas vezes, mas o sistema não permitiu. “Fiquei muito constrangida. Tive que prender meu cabelo com uma borracha daquelas de escritório, que eles arrumaram e me deram. Saí de lá arrasada”.

O episódio ocorreu na Polícia Federal do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) do Salvador Shopping. Inconformada com a situação, a jornalista voltou ao local, depois de alguns minutos, para protestar.

“Procurei pelo coordenador, mas ele não estava. Conversei com duas policiais que disseram que isso sempre acontecia com pessoas com o cabelo como o meu”, afirma Lília, que, até então, não havia passado pelo problema.

“Há cinco anos, quando tirei meu passaporte, meu cabelo era bem menor do que hoje. Acredito que tenha sido por isso”, diz.

Lília enviou e-mail para a Ouvidoria da Polícia Federal, registrando o caso, e faz questão de deixar claro que foi bem tratada pelas policiais que a atenderam.

“O problema não foi o atendimento. Elas foram atenciosas e, na verdade, obedecem a regras. O sistema da PF é que é questionável, já que ignora completamente a etnia das pessoas”, afirma.

Amigos se solidarizam e protestam junto com a jornalista nas redes sociais:

Sem retorno

A TARDE entrou em contato com a Polícia Federal, em Brasília, mas não obteve retorno até a publicação desta edição. No site do órgão, não há informações sobre os critérios e exigências para as fotos do passaporte.

Casos como de Lília podem ser comunicados ao Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela. A unidade está à disposição do público no edifício Brasilgás, localizado na avenida Sete de Setembro, no centro de Salvador. Denúncias também podem ser feitas pelos telefones 0800 284 0011 ou (71) 3117-7438.

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