Ainda chocada com a estrondosa derrota sofrida pela seleção frente à Alemanha (7-1), Dilma Rousseff defendeu uma “renovação” do futebol brasileiro. A presidente, candidata à reeleição nas eleições do próximo mês de Outubro, está preocupada com as implicações da saída precoce de jogadores para o estrangeiro, que deixam os clubes nacionais sem matéria-prima de qualidade. Dilma disse ainda não estar apreensiva com os efeitos eleitorais da humilhação desportiva sofrida na última terça-feira. Já o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, fala numa “intervenção indireta” do Governo na esfera do futebol.

“Qual é a maior atração que os estádios no Brasil podem oferecer? Deixar os torcedores ver os craques. Há anos muitos jogadores brasileiros têm ido jogar fora. Então, renovar o futebol depende da iniciativa de um país que é tão apaixonado por futebol”, defendeu, numa entrevista à estação de televisão norte-americana, CNN, emitida na última quinta-feira. Mas não é apenas Dilma Rousseff a reclamar mudanças. Aldo Rebelo, ministro do Desporto, está em perfeita sintonia e sugeriu também na quinta-feira uma “intervenção indirecta” do Estado que contribua para a modernização do futebol brasileiro e o saneamento financeiro dos clubes.

“Os dirigentes [desportivos] passaram a administrar o futebol sem qualquer atuação do Estado. Queremos retomar algum tipo de protagonismo para preservar o interesse nacional e o interesse público”, anunciou o responsável governamental, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, durante uma conferência de imprensa organizada pela FIFA e pelo Comitê Organizador Local. Referindo-se directamente à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Aldo Rebelo rejeitou a ideia de que este organismo possa continuar a ter uma autonomia discricionária para controlar tudo o que se refere à modalidade sem uma participação estatal. “Claro que podemos fazer algo na CBF”, garantiu, considerando existir espaço para agir, apesar das rígidas regras da FIFA, que rejeitam quaisquer intervenções governamentais nas federações nacionais, sob a ameaça de expulsão. Foi precisamente o que sucedeu esta semana com a federação nigeriana.

“Eu sempre defendi que o Estado não fosse excluído por completo do futebol. É uma intervenção indireta”, explicou o ministro, alegando a necessidade de promover mudanças para recuperar o “país do futebol”. E para tal, Aldo Rebelo não exclui mesmo uma alteração na legislação. “A Lei Pelé tirou do Estado qualquer tipo de poder de atribuição e de intervenção. Ela determinou a prática do desporto como algo privado e isso só pode ser modificado se a legislação também for alterada”, defendeu, aludindo ao decreto aprovado pelo executivo liderado por Fernando Henrique Cardoso.

O que parece indiscutível é qua a relação entre o Governo de Dilma e a CBF já conheceu melhores dias. Um site ligado à campanha de reeleição da presidente visou directamente a entidade que controla o futebol brasileiro, responsabilizando-o pela “desorganização” em que vive a modalidade no país. “Impera na CBF um sistema que em nada lembra uma instituição democrática e transparente”, refere o texto, citado esta sexta-feira pelo jornal Folha de São Paulo. Particularmente criticados são o atual presidente do organismo, José Maria Marin, e o seu antecessor Ricardo Teixeira: “Em um quarto de século, apenas duas figuras – nada amistosas – comandaram a CBF.” O futebol promete aumentar a temperatura da campanha eleitoral.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 12 julho, 2014 at 15:49 #

Dilma lança o “Mais técnicos”, todos cubanos, em cada várzea um charuto. Mercadante adorou! É tóis!


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