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Nas semifinais, a seleção brasileira foi humilhada pela Alemanha e a Holanda perdeu para a Argentina apenas nos pênaltis. Depois dos jogos, a comissão técnica do Brasil disse que jogaria na decisão do 3º lugar para encerrar a Copa do Mundo com honra e dignidade, enquanto o técnico holandês admitiu que preferia não fazer o último jogo e voltar logo pra casa.

Dentro de campo, porém, mais uma vez o time brasileiro mostrou falta de padrão tático e acabou superado, dessa vez por 3 a 0, por uma equipe melhor treinada. O desespero para pressionar a saída de bola holandesa no início acabou punido com dois gols antes dos 16 minutos, ambos influenciados pela arbitragem, com uma falta fora da área transformada em pênalti e um impedimento não marcado que resultou em bola cruzada na área e gol de rebote. No final do segundo tempo, Wijnaldum fechou o placar.

Pode-se esperar que os erros de arbitragem, portanto, engrossem o repertório de justificativas da comissão técnica para administrar a crise pós-derrota. Ainda poderão ser citados dois supostos pênaltis não marcados para o Brasil, um agarrão em David Luiz no primeiro tempo e uma mão na bola no segundo, ambos os lances de autoria do zagueiro Vlaar.

Mas o fato é que a seleção brasileira encerrou sua Copa em casa acrescentando novos recordes negativos e melancólicos àqueles já adquiridos com a vexaminosa derrota por 7 a 1 para a Alemanha, a pior de um anfitrião em toda a história do torneio.

Time de Felipão tem a pior defesa da história do Brasil em Copas

Com os três gols deste sábado no Mané Garrincha, o Brasil chegou a catorze sofridos, a pior marca da história, superando os 11 sofridos pela seleção na edição de 1938. Julio Cesar, por sua vez, tornou-se o goleiro mais vazado da seleção, com 18 gols sofridos em 12 jogos. Taffarel, o antigo detentor da marca, sofreu 15 gols em 18 jogos.

Na Copa que organizou para ser campeão, o Brasil termina sem conquistar sequer o prêmio de consolação. Para Louis Van Gaal e seus comandados na Holanda, a despedida veio com a realização da meta de, ao menos, terminar a campanha sem nenhuma derrota.

Quatro dias depois, pane continua

Com dezesseis minutos de jogo, a Holanda já vencia o jogo em Brasília por 2 a 0. Se contra a Alemanha as justificativas após o vexame apontaram para a “pane de seis minutos”, dessa vez elas poderão vir acompanhadas de críticas à arbitragem.

Logo na saída de bola, o Brasil mostrou estar disposto a ser agressivo, marcando na pressão até o goleiro Cillessen. Com apenas 84 segundos de jogo, porém, a Holanda conseguiu contra-atacar e Thiago Silva cometeu falta fora da área em Robben, que o árbitro argelino Djamel Haimoudi transformou em pênalti. Van Persie bateu e abriu o placar.

Aos 16, novo erro da arbitragem contribuiu para o 2 a 0. De Guzmán, que estava impedido, foi lançado por Robben na direita, chegou à linha de fundo e cruzou para trás. David Luiz desviou de cabeça, mas o rebote caiu nos pés do canhoto Blind, que ajeitou e chutou de perna direita para superar Julio Cesar.

Como contra a Alemanha, o Brasil se mostrava perdido. David Luiz carregava a bola até o ataque, ignorando a existência dos volantes do time. Oscar voltava até a defesa para iniciar a transição da bola para o ataque. E nenhum dos métodos funcionava.

Aos 35, um lance pela direita foi emblemático da confusão brasileira em campo. Com dois jogadores dentro da área e outros dois se aproximando, veio um cruzamento. O autor? Jô, centroavante de referência e jogador mais alto da seleção, cm 1,91 metro. Obviamente, não houve quem subisse mais alto que a defesa holandesa.

Alterações não surtem efeito e Holanda administra

Na volta do intervalo, Felipão trocou Luiz Gustavo por Fernandinho. Pouco depois dos dez minutos, Hernanes entrou no lugar de Paulinho. No final, Hulk ainda substituiu Ramires. Mas nenhuma das alterações influenciou o suficiente para resultar em uma reação no placar.

O jogo ficou mais equilibrado, é verdade. Mesmo que sem organização, o Brasil passou a chegar mais próximo da área holandesa, geralmente em bolas alçadas na área, que facilitavam o trabalho da alta defesa adversária. A postura ofensiva, no entanto, também proporcionava chances de contra-ataque para Robben e companhia.

Foi numa dessas chances, já aos 44 minutos do segundo tempo, que saiu o terceiro. Janmaat recebeu passe de Robben na direita, cruzou e Wijnaldum só completou para o fundo das redes. Nos últimos minutos, Van Gaal ainda teve tempo de colocar seu goleiro reserva, Vorm, em campo. Com isso, ele colocou em campo todos os 23 convocados para a Copa do Mundo.

O vídeo com a música do grande Batata ( quanta saudade das farras na casa de Tuna Espinheira quando o cineasta preparava o documentário sobre o sambista, com o autor e Iarinha (cantando juntos esta e outras fantásticas marchinhas e sambas!) é uma sugestão garimpada pelo poeta de Marília, Luiz Fontana.

Bahia em Pauta agradece.

Tim Tim!!!

(Vitor Hugo Soares)

jul
12
Posted on 12-07-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-07-2014


Regi, hoje, no Correio Amazonense (Manaus)


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ARTIGO DA SEMANA

Ângela, Dilma e Cristina: Copa das Mandatárias

Vitor Hugo Soares

Na grande final da Copa do Mundo de 2014 no Brasil – a ser disputada por mérito e justiça este domingo, 13, no Maracanã, entre as seleções da Alemanha e da Argentina – estão de olho não só os que amam e acompanham os lances sempre surpreendentes do futebol. A atenção da “torcida do Flamengo”, do povo do Rio de Janeiro, do País e do mundo inteiro, está voltada, também, para o jogo tático e estratégico da política e da propaganda que se projeta para além do mítico estádio, onde se dará o embate decisivo do maior evento esportivo do planeta.

Neste segundo caso – o da política e do marketing – vale ficar especialmente atento aos passes, jogadas e malabarismos, estratégicas submersas, ou mesmo aos lances mais explícitos destes dias memoráveis da reta final do Mundial 2014. Neste embate, três poderosas mulheres, chefes de estado e de governo de seus respectivos países, estão desde já, sob lentes e focos internos e internacionais.

A chanceler alemã, Ângela Merkel, – torcedora fervorosa do futebol e da seleção apontada como favorita para conquistar o Caneco este domingo – de decantado pé quente e paixão demonstrados de público, na tribuna e no vestiário do Estádio da Fonte Nova, em Salvador, na goleada de 4 a 0 aplicada pela Alemanha em Portugal (do melhor do mundo, Cristiano Ronaldo) na abertura do Mundial.

Primeira no ranking da Forbes, das mulheres mais poderosas do mundo, aplaudida de pé, na Bahia, pelo público presente ao estádio, e festejada comovidamente pelos jogadores da sua impressionante seleção, no vestiário, Ângela Merkel, sem titubeios e vacilações, é presença mais que confirmada no Maracanã desde o primeiro momento. Ela desembarca no Rio de Janeiro neste sábado, dia 12, acompanhada do presidente alemão, Joachim Gauck, avisam assessores desde Berlim.

A segunda força feminina no centro do jogo de poder e marketing, e das expectativas destes dias grandiosos do futebol, é Dilma Rousseff, a presidente da República do Brasil. Ela dança há tempos na lâmina afiada da navalha das pesquisas de opinião sobre seu governo e suas possibilidades pessoais e eleitorais de reeleição, para mais um período de mando no Palácio do Planalto.

Isso a tem mantido em permanente estado de tensão e sobressalto. O que a faz vacilar entre pensamentos pessoais e sentimentos divididos – e os conselhos contrastantes e contraditórios de assessores e aliados mais próximos, sobre até onde a presidente e candidata deve avançar. Ou, estrategicamente, recuar em relação à sua presença em estádios ou festejos comemorativos do Mundial no país que ela governa.

A primeira e única experiência de Dilma, até aqui, na Copa que termina amanhã, foi traumática e constrangedora. Uma decepção só superada pelo fiasco e a humilhação histórica da seleção brasileira na vexatória goleada de 7 a 1, aplicada pelos alemães, no Mineirão, esta semana. Dia de jamais esquecer para os jogadores, dirigentes (do futebol e do governo) e o povo brasileiro. Sob pena de ver tudo se repetir, mais adiante, para vergonha geral.

Ao contrário da consagração recebida por Merkel na Fonte Nova, em Salvador, a presidente Dilma foi vaiada e ofendida, pessoalmente e em sua representação de chefe de Estado, com repercussões internas e internacionais, ao comparecer ao jogo de estréia do Brasil na Copa, contra a Croácia, no Estádio do Corinthians, o Itaquerão, em São Paulo. Está anunciada, e desta vez parece garantida, a presença da presidente Dilma na final dos jogos, neste domingo, no Maracanã. Para o bem ou para o mal. A conferir.

A terceira grande expectativa recai sobre a figura e o desempenho político, pessoal e marqueteiro da presidente da Argentina, Cristina Kirchner. A gloriosa, e sempre guerreira, seleção de futebol de seu país segue firme no páreo que definirá o novo dono da bola no futebol mundial, neste 13 de julho, de Argentina x Alemanha, no Brasil.

A peronista presidente da Argentina, em carta a Dilma, agradeceu o convite, da colega petista, e se desculpou “por não poder estar presente na final da Copa. Dilma convidara Cristina para “ajudá-la” na cerimônia de entrega de medalha aos jogadores finalistas dos dois conjuntos, e o Caneco de Ouro ao capitão da seleção campeã do mundo na Copa 2014.

A “faringolaringite” de que padece, nos dias gelados de inverno em seu país, e o aniversário do neto, neste sábado, foram alinhados pela peronista entre os motivos alegados para sua ausência. Ok, não há por que duvidar (ou haverá?). O mais aconselhável, porém, talvez seja manter uma boa dose de ceticismo, o melhor antídoto de sempre do jornalismo e dos jornalistas de verdade.

Cristina Kirchiner, que ninguém se engane, é “raposa” política experiente e rodada. “Vem de longe”, como diria Leonel Brizola. Ela conhece como poucos os segredos e mandingas de seu país. Um cronista portenho, por exemplo, ensina:

“Na Argentina o futuro tem 24 horas. É um país em que a realidade pende por um fio desencapado. Um país em que tudo, até os governos, mudam por um detalhe. Por uma chuva de meia gota. Por um comentário. Por uma partida de futebol. O futebol na Argentina é tudo e mais que tudo. É o minuto a minuto, a temperatura da rua e a percepção que o grosso da sociedade tem do resto do mundo”.

Cristina já confirmou que desembarca no Brasil, na segunda-feira, para participar da cúpula dos BRICS na próxima semana em Fortaleza. Ela, a exemplo do conterrâneo Papa Francisco, conhece o ensinamento do cronista. E assim, seguramente, ela está convencida de que, presente ao Maracanã este domingo, só teria a perder em caso de derrota da sua seleção. No caso da vitória sobre a Alemanha e da conquista do Caneco, porém, terá uma campanha eleitoral e uma vida inteira para festejar.

Nada a acrescentar. A não ser que torcerei pela Argentina, país e futebol que amo e torço desde sempre. Mas se a Alemanha de Merkel, a favorita, vencer, não ficarei triste. Mérito é mérito.

Boa final a todos.

Vitor Hugo é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

BOM DIA!!!

Ainda chocada com a estrondosa derrota sofrida pela seleção frente à Alemanha (7-1), Dilma Rousseff defendeu uma “renovação” do futebol brasileiro. A presidente, candidata à reeleição nas eleições do próximo mês de Outubro, está preocupada com as implicações da saída precoce de jogadores para o estrangeiro, que deixam os clubes nacionais sem matéria-prima de qualidade. Dilma disse ainda não estar apreensiva com os efeitos eleitorais da humilhação desportiva sofrida na última terça-feira. Já o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, fala numa “intervenção indireta” do Governo na esfera do futebol.

“Qual é a maior atração que os estádios no Brasil podem oferecer? Deixar os torcedores ver os craques. Há anos muitos jogadores brasileiros têm ido jogar fora. Então, renovar o futebol depende da iniciativa de um país que é tão apaixonado por futebol”, defendeu, numa entrevista à estação de televisão norte-americana, CNN, emitida na última quinta-feira. Mas não é apenas Dilma Rousseff a reclamar mudanças. Aldo Rebelo, ministro do Desporto, está em perfeita sintonia e sugeriu também na quinta-feira uma “intervenção indirecta” do Estado que contribua para a modernização do futebol brasileiro e o saneamento financeiro dos clubes.

“Os dirigentes [desportivos] passaram a administrar o futebol sem qualquer atuação do Estado. Queremos retomar algum tipo de protagonismo para preservar o interesse nacional e o interesse público”, anunciou o responsável governamental, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, durante uma conferência de imprensa organizada pela FIFA e pelo Comitê Organizador Local. Referindo-se directamente à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Aldo Rebelo rejeitou a ideia de que este organismo possa continuar a ter uma autonomia discricionária para controlar tudo o que se refere à modalidade sem uma participação estatal. “Claro que podemos fazer algo na CBF”, garantiu, considerando existir espaço para agir, apesar das rígidas regras da FIFA, que rejeitam quaisquer intervenções governamentais nas federações nacionais, sob a ameaça de expulsão. Foi precisamente o que sucedeu esta semana com a federação nigeriana.

“Eu sempre defendi que o Estado não fosse excluído por completo do futebol. É uma intervenção indireta”, explicou o ministro, alegando a necessidade de promover mudanças para recuperar o “país do futebol”. E para tal, Aldo Rebelo não exclui mesmo uma alteração na legislação. “A Lei Pelé tirou do Estado qualquer tipo de poder de atribuição e de intervenção. Ela determinou a prática do desporto como algo privado e isso só pode ser modificado se a legislação também for alterada”, defendeu, aludindo ao decreto aprovado pelo executivo liderado por Fernando Henrique Cardoso.

O que parece indiscutível é qua a relação entre o Governo de Dilma e a CBF já conheceu melhores dias. Um site ligado à campanha de reeleição da presidente visou directamente a entidade que controla o futebol brasileiro, responsabilizando-o pela “desorganização” em que vive a modalidade no país. “Impera na CBF um sistema que em nada lembra uma instituição democrática e transparente”, refere o texto, citado esta sexta-feira pelo jornal Folha de São Paulo. Particularmente criticados são o atual presidente do organismo, José Maria Marin, e o seu antecessor Ricardo Teixeira: “Em um quarto de século, apenas duas figuras – nada amistosas – comandaram a CBF.” O futebol promete aumentar a temperatura da campanha eleitoral.

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