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Deu no G1 e A Tarde

Morreu, aos 64 anos, em Salvador, vítima de infarto, o cineasta e professor de audiovisual da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), André Setaro. A informação foi confirmada na tarde desta quinta-feira (10) pela diretoria da Facom.

Ele passou mal na noite de quarta-feira (9), quando foi socorrido para o Hospital Santa Izabel, no bairro de Nazaré.

O velório começa às 20h desta quinta, no Cemitério Campo Santo, na Federação. A Facom suspendeu as atividades na sexta-feira (11), quando acontece o enterro, que começa às 11h.

Formado em Direito, André Setaro ensinou na UFBA por 35 anos e foi crítico de cinema do jornal Tribuna da Bahia desde 1974. Ele é autor de “Escritos sobre Cinema – trilogia de um tempo crítico” e “Verbetes da Enciclopédia do Cinema Brasileiro”.

Setaro também mantinha em atividade duas páginas na internet onde publicava suas críticas cinematográficas, entre elas, o Setaro’s Blog. Escrevia também para o site Terra Magazine.

A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) divulgou nota de pesar lamentando a morte do professor. A Facom também lamentou perda do professor, que era o mais antigo em atividade na instituição.

Confira na íntegra a nota divulgada pela faculdade:

“É com grande pesar que anunciamos o falecimento do nosso professor decano André Olivieri Setaro, de infarto, na tarde desta quinta-feira (10/07/2014).

A Faculdade de Comunicação – estudantes, servidores técnico-administrativos e professores – lamenta profundamente e manifesta sinceros sentimentos e solidariedade aos seus familiares e amigos.

Muito querido pelos alunos, o professor André Setaro foi um dos maiores críticos de cinema da Bahia, atuando em jornais, revistas e sites. Deixa um legado de escritos sobre o cinema baiano, incluindo a mais recente reedição da obra Panorama do Cinema Baiano, publicado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Amanhã (sexta-feira) as atividades acadêmicas e administrativas estarão suspensas na Faculdade de Comunicação, em luto.

O velório ocorrerá a partir das 20h desta quinta-feira na sala 8 do Cemitério do Campo Santo (Federação) e a cerimônia de sepultamento será amanhã, sexta-feira, às 11h.

Atenciosamente,

Suzana Oliveira Barbosa

Diretora da Unidade”

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Artigo/Psicologia, cinema e futebol

Psicologia, “Malévola” e a Copa no Brasil

Laura Tonhá

A derrota da seleção do Brasil para a Alemanha ainda é a pauta do dia, mas não a questão central deste artigo. Vamos falar de psicologia. Tema das entrelinhas, onipresente, não foi diferente na Copa de 2014. Da mordida de Suarez a derrota histórica da seleção brasileira, a nossa constante tentativa de entender e explicar acertos e revezes no comportamento humano.

A overdose de comentários durante a cobertura relacionados à presença de psicólogas na Granja Comary, estado emocional dos jogadores, cartas e visita do técnico ao quarto dos jogadores para motivar pode indicar que o suporte motivacional foi tratado como salvador da pátria de chuteiras.

Aparentemente focou-se mais em motivação do que em planejamento, estratégia e treino. Esta seria uma justificativa para a comissão técnica dar declarações sempre confiantes e arrogantes e a seleção, nas vésperas da semifinal, estar preocupada em postar selfies #tois, #forçaneymar.

Olivier Burkeman, escritor inglês, lançou um livro recente Manual Antiautoajuda. Neste livro o jornalista investiga a relação entre pensamento positivo, negação do fracasso, desejo de superação e pessoas bem-sucedidas. Conclui que não existe formula, nem os 10 passos para alcançar o topo e que no fundo as pessoas buscam avidamente por uma resposta pronta.

O escritor, porém, argumenta favoravelmente sobre o estoicismo e defende uma certa indiferença quanto às emoções externas tanto boas quanto ruins. De acordo com ele, o equilíbrio – e com ele a segurança e a felicidade – estariam no cultivo de uma certa indiferença em relação às circunstâncias individuais.

Esta dose de frieza e equilíbrio nos bons e maus momentos a que o autor se refere fez diferença no jogo da última terça. A seleção alemã, normalmente fria e equilibrada, jogou em cima da falta de controle emocional do time brasileiro, abalado com a saída de dois jogadores importantes e completamente desnorteado depois de levar o primeiro gol.

A psicologia esportiva e todas as outras modalidades navegaram por um período de descoberta no séc. XX e instalaram-se definitivamente em todos os ambientes do séc. XXI. Nada mais natural em se tratando do estudo do comportamento humano.

Aqui eu chego ao filme “Malévola”. Moderno, genial e singelo. Aviso que estou prestes a contar o final do filme. Continuar esta leitura é uma decisão sua querido leitor.

Malévola traz brilhantemente questões atuais para a fantasia, surrealismo e subjetivismo – terreno da psique humana. A garota, que se chama Malévola, é uma espécie de fada que protege a natureza. A fada se apaixona e confia em um rapaz, ambicioso e individualista. Este rapaz corta as asas da garota para conseguir status junto ao rei. O cortar de asas no filme é literal e simbólico.

Malévola se torna então uma mulher/fada seca e má – com as asas cortadas pelo homem que amou. Poderosa e vingativa, a sua redenção virá através do amor maternal.

Em outra passagem a princesa do filme, a bela adormecida para toda eternidade, é acordada com um beijo. O beijo que acorda a princesa, beijo do amor verdadeiro, vem da sua fada madrinha – Malévola.

O filme quebra paradigmas históricos dos contos de fadas: ao invés de um romance a questão central é uma mulher em busca da superação; o amor por um homem pode lhe cortar as asas e não “lhe dar asas”; o beijo que acorda a princesa para o mundo, não vem do príncipe e sim de uma figura feminina que ela ama e admira e que é a sua mentora, amiga, mãe.

Pura psicologia do feminino em um filme para crianças e adultos que oferece a menina, telespectadora, conteúdo para construção, pelo simbólico e imaginário, do seu espaço na sociedade sem seguir padrões antigos e opressores. O subjetivismo por trás do filme oferece força e suporte para a autonomia feminina.

Voltando a seleção brasileira estivemos amparados por discursos motivacionais desgastados e vazios que não foram suficientes para manter o time de pé.

Fernando Cozac, psicólogo do esporte e presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte diz que “a Seleção de Scolari é um reflexo do preconceito e da desinformação que ainda existe em relação à psicologia do esporte no Brasil”. O especialista ainda informa que atualmente, Alemanha, Estados Unidos e Holanda são algumas seleções que mantêm há mais de dez anos um trabalho psicológico desde as categorias de base.

A redenção da Malévola chegou com o tempo e muito aprendizado, com a seleção não será diferente.

A copa de 2014 passou para o Brasil, Malévola segue em cartaz.

Laura Tonhá é publicitária. Fundadora deste site blog, Bahia em Pauta.

DEU NO PORTAL EUROPEU TSF

O governo alemão anunciou hoje a expulsão do chefe dos serviços secretos norte-americanos na Alemanha no âmbito de um caso de espionagem de responsáveis alemães a favor de Washington, uma medida rara entre aliados do Tratado do Atlântico Norte – NATO.

«Foi pedido ao representante dos serviços secretos norte-americanos na embaixada dos Estados Unidos da América para deixar a Alemanha», declarou o porta-voz do governo, Steffen Seibert, num comunicado.

A expulsão ocorre «como resposta à falta de cooperação (constatada) há bastante tempo nos esforços para esclarecer» a atividade de agentes de informações norte-americanos na Alemanha, explicou um deputado alemão, Clemens Binninger, presidente da comissão de controlo parlamentar das atividades de informações, que se reuniu hoje em Berlim.

Pela segunda vez em cinco dias, a justiça alemã abriu na quarta-feira um inquérito sobre um alegado espião que forneceu informações a Washington.

O caso agravou a tensão existente entre os Estados Unidos e a Alemanha desde as revelações o ano passado sobre escutas feitas pelos norte-americanos ao telemóvel da chanceler alemã, Angela Merkel.

jul
10
Posted on 10-07-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-07-2014


Sinovaldo, hoje, no jornal NH (BH)

Viva a Argentina, duplamente: Pelo 9 de Julha da sua independência e pela vitória conrtra os holandeses no Itaquerão.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

jul
10
Posted on 10-07-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-07-2014

Depois da derrota do pai, grande Robben , no Itaquerão, o choro inconsolável do pequeno Luka nos braços da mãe, Bernadien Eillert. (Do UOL/Folha)


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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS (EDIÇÃO BRASILEIRA)

Ramon Besa
Rio de Janeiro

A Argentina salvou a honra da América e disputará a final do Maracanã contra a Alemanha. “Brasil, diga-me o que sente ao ter em casa o seu papai (…) Você vai ver o Messi, a Copa ele vai nos trazer, Maradona é maior do que Pelé”, é a canção que a torcida alviceleste não para de cantar desde que chegou ao Rio de Janeiro. Não há consolo possível para a anfitriã, obrigada a disputar a partida do castigo contra a Holanda, a eterna derrotada da Copa. Não há tampouco seleção mais difícil de descascar que a argentina do Chefinho Mascherano, reencarnado no Negro Obdulio Varela, o Chefe do Uruguai em 1950. Messi ainda tem a possibilidade de ser a maior celebridade do futebol graças a Mascherano e ao goleiro Romero, que foi como Goicoechea na Copa da Itália (1990) na semifinal contra a azzurra.

Os meritórios redimiram o camisa 10. As duas faixas que colocaram nos braços de Messi, uma por Di Stéfano em sinal de luto e outra por Maradona como capitão pesaram muito para a Pulga. Não se apresentou, nem chutou, nem deu um passe, mas encarou a disputa nos pênaltis para marcar o 0 a 1. Não saiu do minuto de silêncio da memória de Don Alfredo. Nem Messi nem a partida de São Paulo. A primeira semifinal brilhou pelo excesso, a segunda pela imperfeição, digna de ser penalizada se prestamos atenção no currículo das duas equipes e de suas estrelas, principalmente Messi e Robben.
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Não haverá partida fácil de jogar depois do impacto do 7 a 1 do Mineirão. Os torcedores se olham, os jogadores mexem nos pés e os técnicos cuidam muito da escalação, como Van Gaal e Sabella. O holandês trocou um ponta como Depay por um volante que recuperou a grandeza de De Jong; o argentino substituiu o atacante Di María pelo meio campista Enzo Pérez. A mensagem dos técnicos teve efeito no encontro. Nenhuma das equipes se soltou, ambas pendentes do freio de mão, mais preocupadas por evitar o erro que por não criar situações arriscadas, com os laranjas se desdobrando a partir de três centrais (5-3-2) e os alvicelestes do clássico 4-4-2, a nova fórmula depois de ter ficado sem Di María e Agüero.

O camisa 10 pegou a bola nos instantes iniciais e arrancou com um tiro livre que Cillessen pegou. Aqui paramos de contar: Messi desapareceu. A Argentina atacava a Holanda pelo lado esquerdo, defendido por Martins Indi, um zagueiro faltoso que lembra Bogarde. As ajudas e coberturas, contudo, funcionavam bem na equipe de Van Gaal, enquanto a de Sabella tentava impedir que Robben participasse do jogo. O dinamismo de Enzo Pérez ajudou a combater a quietude geral, terreno propício para os contra-ataques vertiginosos através do espaço vazio atrás de Robben. O 11 também não colocou as chuteiras. A tática imperava, impunha respeito, para não dizer medo.

Messi aguardava e Robben esperava. Não entraram no jogo nem o 10 nem o 11, desconectados das linhas de passe, com a Holanda enfraquecida pelos problemas físicos de Sneijder. Não havia mais protagonista que Martins Indi, ou Bruno Martins, um defensor do Feyenoord que nasceu no circuito industrial de Lisboa, ambos procurados em campo por Messi e Lavezzi. Não havia outra solução que considerar uma jogada estratégica, no momento Messi ou no momento Robben, ou a caderneta de Van Gaal. O técnico não demorou nem um minuto para substituir Martins Indi por Janmaat, que ocupou a lateral direita para que Kuyt defendesse o lado esquerdo.

A versatilidade dos zagueiros holandeses é tão grande que permite uma enorme quantidade de movimentos corretores, e mais ainda nas mãos do calculista Van Gaal. Já não houve nem a possibilidade de olhar Martins Indi. Nem os cantos alvicelestes despertaram a partida, cada vez mais parada, tensa, travada, molhada e insuportável, nada novo para os argentinos, sempre pendentes de Messi e, por outro lado, uma surpresa para a Holanda, até agora maior protagonista futebolística da Copa.

Messi não estava, era como se tivesse sido substituído, perdido pelo campo, nem Robben corria. E não havia disputa se o 10 e o 11 não interviessem, resguardados os demais atrás da bola, protegidos em seu muro, errando até cobranças de falta pelas laterais. Não acertavam uma, nem argentinos nem holandeses, sempre em posição de impedimento, frouxos de pernas, bloqueados, atemorizados pela derrota. Nem a saída de Agüero despertou a Argentina. A única oportunidade chegou quando Mascherano se jogou no gramado para afastar um chute de Robben (minuto 90).

A jogada foi o último lance antes da prorrogação e Van Gaal apostou por Huntelaar na terceira troca, saindo o desaparecido Van Persie, sinal de que almejava decidir o jogo antes dos pênaltis, pois já não poderia fazer o goleiro suplente Krul, decisivo na disputa por pênaltis com a Costa Rica, entrar. A Argentina fechou os olhos e com dois a menos, mais os ausentes Messi e Agüero, começou a defender seu gol com a mesma eficácia que fez diante da Suíça ou da Bélgica. Não há maneira de fazer um gol na trave de Romero, nem quando Robben encontra finalmente espaço para passar a bola entre as pernas de Demichelis. Aberto o jogo, a alviceleste teve inclusive a opção de definir a passagem à final com um arremate frustrado de Palacios e um segundo de Maxi.

Mascherano deu a vida pela Argentina durante o jogo e a prorrogação, de maneira que não foi possível evitar os pênaltis. E Cillessen não foi tão eficiente quanto Krul. O protagonista foi Romero, que defendeu dois chutes, de Vlaar e de Sneijder, enquanto Messi, Garay, Agüero e Maxi não erraram. Os cálculos de Van Gaal falharam uma vez diante da competitiva seleção do Chefinho Mascherano, onipresente em São Paulo, salvador de Messi, que poderá ser Maradona no dia 13, no Maracanã. A Argentina e a Alemanha jogarão a final como em 1990 e como em 1986, quando a alviceleste do Pelusa foi campeã no México.

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