DEU NO PÚBLICO, DE LISBOA

Tiago Pimentel ( de São Paulo)

Durante o jogo foram as lágrimas. Depois vieram os desacatos. O Brasil sofreu uma derrota histórica frente à Alemanha (7 a 1), na semifinal do Campeonato do Mundo, que teve consequências além do Mineirão, em Belo Horizonte, onde a partida foi disputada. A imprensa brasileira dá conta de tumultos em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Uma loja de eletrodomésticos em São Mateus, na zona leste de São Paulo, foi pilhada após o encontro, segundo o diário Folha de S. Paulo. Dois ônibus foram incendiados em locais distintos, e o mesmo jornal dá ainda conta de um incêndio de grandes dimensões num estacionamento de ônibus na zona sul da capital paulista. Na região de Itaquera, “um grupo de pessoas ateou fogo em lixo e móveis fechando a pista da avenida Jacu-Pêssego”, acrescenta a Folha de S. Paulo. Apesar das ocorrências, ninguém foi detido em São Paulo, de acordo com informações da Polícia Militar.

No Rio de Janeiro também se registaram tumultos. O cenário foi a Fan Fest, zona de animação dinamizada pela FIFA que permite aos adeptos que não têm bilhete para os jogos assistir às partidas em telão. Ainda antes do intervalo ocorreram “pequenas brigas e confusões” tanto dentro como fora do recinto da festa. Houve torcedores queixando-se de um arrastão, ainda que a Polícia Militar o tenha negado. Ocorreram apenas “furtos pontuais”, segundo a força policial, tendo sido detidas seis pessoas. O policiamento foi reforçado na zona de Copacabana.

Mas nem só de violência se faz a ressaca da goleada sofrida pelo Brasil. A editora Lote42 está fazendo descontos de 70% em todos os produtos – tudo devido a uma campanha que vinha sendo realizada durante o Mundial, e que oferecia 10% de desconto aos clientes por cada golo sofrido pela selecção brasileira. Contra a Colômbia, nas quartas-de-final, tinham sido 10% de desconto. A Alemanha levou a promoção a um nível jamais imaginado.

“Geralmente as lojas fazem promoção ao contrário, com 10% de desconto a cada gol do Brasil. Então a gente achou legal fazer uma brincadeira e mudar isso”, confessou o proprietário da editora, João Varella. A página da Lote42 na Internet esteve congestionada, mas a editora manteve o desconto. “É um resultado impressionante. Deve ser o ritmo de venda mais rápido de uma editora independente”, disse.

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