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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS (EDIÇÃO BRASILEIRA)

Eduardo Rodrigálvarez

De Madri

Jogava a Argentina, que lutava com a história para alcançar uma semifinal de Copa do Mundo, 24 anos depois. Fazia calor em Brasília e fazia calor em Madri. Alfredo Di Stéfano, alheio aos debates menores sobre os grandes jogadores de futebol da história, se é Messi ou se é Maradona, caía em uma rua de Madri com nome de poeta simples, Juan Ramón Jiménez, e sofria uma parada cardíaca, que exigiu 18 minutos de ressuscitação por parte dos médicos do SAMUR antes de levá-lo entubado ao Hospital Gregorio Maraño, na capital espanhola. Alerta vermelho em um coração branco. A Seta Loira, aos 88 anos, já havia sofrido vários problemas cardiovasculares, inclusive um marca-passo, instalado em 2005, em Valência. Quinze dias de UTI, sob várias circunstâncias, na última vez, foram desanimadores. O coração da Seta parou na madrugada deste domingo. Sua última jogada foi uma reviravolta do destino. Por volta das cinco horas da tarde, foi ao chão ao lado do seu estádio; morreu nesta segunda-feira, transformando o apelido “a lenda” em uma desgraçada realidade. A Argentina chegou às semifinais do Mundial e Di Stefano, sempre tão lúcido, tão genial, ficou com os olhos fechados.

Di Stéfano entrou no hospital no período da tarde com um prognóstico “muito grave”. O seu coração havia parado por 18 minutos, muito tempo, mesmo que A Lenda já tenha sido capaz de recuperações incríveis. Em Valência, enquanto passava o Natal com sua filha, sofreu um infarto do miocárdio, que resultou em um marca-passo quádruplo, e foi internado sete vezes no último ano, por vários motivos (inclusive visitas de rotina).
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Aos 88 anos, o coração, que no campo de jogo foi capaz de dominar os seus batimentos, havia se convertido no cavalo de batalha de Di Stéfano, sem quebrar a sua fina ironia e várias histórias que resultaram em filosofias de futebol e de vida.

Di Stéfano entrou em coma horas depois de ser internado no hospital, ligando alarmes que piscaram por anos, mesmo que ontem ele estivesse com os olhos abertos. Sedado e entubado, buscava o último resgate. Um salto, talvez.

Jogava a Argentina enquanto Di Stéfano, o jogador de futebol mais original que esse país produziu, lutava em um hospital e não no campo de futebol, contra uma doença e não contra um goleiro. O artilheiro poderia fazer pouca coisa, senão resistir à opressão do maior inimigo do mundo.

Tudo aconteceu depois de ele comer com sua família em um restaurante próximo ao Santiago Bernabéu. Os médicos do SAMUR conseguiram reverter a parada cardiorrespiratória, embora o presidente honorário do Real Madrid tenha tido uma recaída durante o transporte e teve que ser novamente ressuscitado.

Enquanto o Mundial escolhia seus últimos eleitos, e a Argentina se encantava com o triunfo contra a Bélgica, mais importante do que belo, Di Stéfano dormia alheio ao ruído da multidão. Não despertou mais. Ultimamente, a vida havia sido tomada por difíceis conflitos familiares, mas os atacantes estão acostumados às adversidades, à dificuldade máxima.

Os infartos haviam quebrado o espírito, mas não a fé de Di Stéfano, lenda viva de um esporte no qual foi um pioneiro, um modernista. Sua vida, sua ida ao Real Madrid, seu sequestro, sua filosofia antecipavam o jogador de futebol de hoje em dia. Depois de se aposentar, como jogador e treinador, praticou a inteligência como uma forma de vida e como uma pedagogia de futebol, porque no no final tudo é simples. Era tão agradecido ao futebol, à “velha”, como chamava a bola, quanto seus companheiros e rivais ao seu futebol. Uma trajetória longa de 20 anos como profissional, desde que estreou pelo River, jogou depois no Millonarios, alcançou a glória no Real Madrid e concluiu a carreira no Espanyol, já com 40 anos. Como técnico, treinou Elche, Boca Juniors, River Plate, Valencia, Sporting de Lisboa, Real Madrid, Rayo Vallecano e Castellón. Com o Valencia, venceu o Campeonato Espanhol de 1971 e a Recopa de 1980, além de ser o treinador que o devolveu à primeira divisão depois de um rebaixamento traumático.

“A velha” bateu em si mesma, antes dele se converter em embaixador do Real Madrid e em presidente honorário do clube branco. Tudo que, na Espanha, começou no Bernabéu acabou ao seu lado, o começo e o fim de um jogador de futebol único.


Ray: do Copacabana Palace para a cadeia

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DEU NO UOL/FOLHA

Em ação realizada no hotel Copacabana Palace, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deteve nesta segunda-feira Raymond Whelan, CEO da Match, empresa que detém exclusividade para venda de pacotes e camarotes da Fifa. Ele é apontado como elo entre a entidade e uma organização que desviava e comercializava ingressos da Copa do Mundo – captadas em gravações autorizadas, centenas de ligações telefônicas comprovam vínculo entre o executivo e o franco-argelino Lamine Fofana, integrante da quadrilha, que foi preso na semana passada.

Whelan foi detido no hotel, deixou o local pelos fundos e tem mandado de prisão temporária de cinco dias, com possibilidade de prorrogação por mais cinco, por infringir o artigo 41 do Estatuto do Torcedor (vender ingressos de evento esportivo por preço superior ao estampado no bilhete, com pena de um a dois anos de reclusão e multa). Ele foi levado para o Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro. A Polícia Civil também cumpriu mandado de busca e apreensão no quarto em que o executivo está hospedado, e foram apreendidos cerca de cem ingressos.

O CEO da Match não é um funcionário da Fifa, mas tem ligação estreita com a entidade. A empresa que ele comanda é a única responsável por venda de camarotes e pacotes corporativos. Além disso, detém exclusividade em aspectos como credenciamento de hotéis para competições.

Uma das acionistas da Match é a Infront Sports & Media, empresa presidida por Phillip Blatter, sobrinho de Joseph Blatter, que é presidente da Fifa. A companhia dele detém 5% da responsável pela venda de pacotes corporativos.

A proximidade da Match com a Fifa, contudo, vai muito além disso. Whelan foi porta-voz da entidade em todas as entrevistas coletivas sobre venda de ingressos corporativos e camarotes para a Copa do Mundo. Desde que a operação da Polícia Civil explodiu, é a entidade que tem respondido sobre acusações à empresa.

A prisão de Whelan é uma evolução da operação “Jules Rimet”, que foi deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na semana passada. A ação prendeu 11 pessoas suspeitas de integrarem uma quadrilha que desviava e comercializava ilegalmente ingressos para a Copa do Mundo de futebol. A iniciativa foi apoiada por Ministério do Esporte e Juizado do Torcedor.

A operação apreendeu mais de uma centena de ingressos para jogos da Copa do Mundo. Segundo a Polícia Civil, o esquema movimentava mais de R$ 1 milhão por jogo da competição e operou nas últimas quatro edições do certame.

Entre os presos estava Lamine Fofana, franco-argelino que foi apontado inicialmente como um dos chefes da quadrilha. Em gravações autorizadas, a Justiça captou centenas de ligações dele para um funcionário de alto escalão da Fifa ou da Match, empresa que detém exclusividade da entidade para revenda de pacotes de ingressos e camarotes para a Copa.

Esse funcionário é Whelan, que foi identificado após depoimento de Fofana. Indagado pela Polícia Civil sobre a origem dos ingressos que ele comercializava, o franco-argelino respondeu que as entradas vinham da Match Hospitality.

BOA TARDE!!!

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DEU EM O GLOBO

É uma crise que se arrasta há dois anos. Fechado desde 2012 e com uma dívida de R$ 105 mil de IPTU, o Tempo Glauber, centro cultural mantido pela família de Glauber Rocha e depositário de parte importante do acervo do diretor baiano morto em 1981, começa a passar para outras instituições os documentos que ainda guarda consigo, pela impossibilidade de preservá-los.

A primeira leva, formada por 400 desenhos feitos pelo cineasta desde jovem, será transferida para o Instituto Moreira Salles, em regime de comodato. O contrato entre os herdeiros e o IMS acaba de ser assinado. A outra parte, formada pelo chamado Acervo Lúcia Rocha — composto por cartas, objetos pessoais, livros com anotações e documentos guardados pela mãe do diretor — entra em breve em processo de recuperação e digitalização, o que deve levar três meses. O dinheiro veio de um convênio do Ministério da Cultura, aprovado no fim do ano passado, de R$ 320 mil — metade do valor necessário, diz Paloma, que já procura uma instituição para doar os documentos assim que o processo estiver concluído.

Na impossibilidade de manter o espaço com recursos próprios, o Tempo Glauber segue fechado. E os documentos estão armazenados em condições que nem de perto são as ideais. Apesar de a reserva técnica contar com infraestrutura de preservação, o ar condicionado fica desligado — já que as contas de luz, afirma Paloma, costumam chegar a pelo menos R$ 2 mil. Eles ainda estão em boas condições, mas a sala onde ficam guardados têm cheiro forte de mofo. Durante a semana retrasada, o local chegou a ficar com a luz cortada.

— Minha avó (morta em janeiro) perdeu tudo o que tinha para manter a memória do filho. E ela era uma pessoa de posses, de uma família de fazendeiros de Vitória da Conquista, na Bahia — afirma Paloma. — Até uma casa ela vendeu, e morreu pagando aluguel. Isso aqui é resultado de 30 anos de trabalho dela e 20 anos meus.

Sobre a dívida de IPTU do imóvel, localizado em um casarão na rua Sorocaba, em Botafogo, a filha de Glauber tem esperança de negociá-la com o município. Segundo ela, desde a fundação do centro cultural, em 1987, o imposto nunca foi pago.

— Tudo aqui foi montado com dinheiro público. Mas não tenho como manter.

Uma parte importante do material produzido pelo cineasta, batizado de Acervo Glauber Rocha — que reúne 80 mil documentos, películas, roteiros, cartas e outros — foi recuperada e digitalizada em 2008. Na época, o espaço recebeu quase R$ 1 milhão em patrocínio da Petrobras, e instalações de preservação foram construídas. Em 2010, esse acervo foi comprado pelo MinC, por R$ 3 milhões, e transferido para a Cinemateca Brasileira.

Depois de fracassar na tentativa de receber verba de outros convênios, Paloma conta que o dinheiro da venda foi investido todo na manutenção do espaço.

— Minha prioridade é garantir a integridade dos acervos. Ainda estou aqui, porque tem documento aqui dentro. Tenho uma responsabilidade comigo, já que sou herdeira, e com a sociedade. Não posso querer ficar com eles e botá-los em risco — diz Paloma.

Apesar de já ter cogitado fechar o Tempo Glauber — o que é uma possibilidade constante —, Paloma gostaria de manter o espaço aberto como um centro de memória depois que os acervos não estiverem mais em seu poder. Para isso, está em conversas com a Secretaria municipal de Cultura, que afirma já estudar a situação para ver o que é possível fazer.

GLAUBER NA ‘SERROTINHA’

O IMS ainda não tem planos de expor os desenhos de Glauber, mas já vai inclui-los na “Serrotinha”, edição especial da revista “Serrote” que circula na Flip.

— Conheço esses desenhos há muito tempo. Eles são espécies de anotações para ideias cinematográficas, mas são independentes. São mais conceitos para um filme do que imagens de um plano, embora alguns sejam esboços de montagens — afirma José Carlos Avellar, coordenador de cinema do IMS.

jul
07

DEU EM A TARDE/ DA AGÊNCIA BRASIL

O papa Francisco recebeu nesta segunda-feira, 7, pela primeira vez no Vaticano, seis vítimas de padres pedófilos, anunciou a Santa Sé. O grupo – dois alemães, dois britânicos e dois irlandeses – foi recebido pelo papa na Casa de Santa Marta, onde Jorge Mario Bergoglio mora desde que foi escolhido em março de 2013. O encontro foi precedido por uma missa na capela.

Francisco anunciou o encontro privado no fim de maio. As associações de vítimas aguardavam a reunião e estavam surpresas por ainda não ter ocorrido. Elas avaliavam que o Vaticano não tinha feito o suficiente na luta contra a pedofilia.

O papa anunciou repetidamente “tolerância zero” e a vontade de impor “sanções muito severas”. Francisco comparou todo padre que abusa de uma criança a alguém que comete o pior sacrilégio, “uma missa negra”. Ele criou uma comissão de peritos para a proteção da infância no seio das instituições da Igreja Católica.

O escândalo, revelado nos anos 2000, atingiu dezenas de milhares de crianças, em diferentes países, da Irlanda aos Estados Unidos. Os fatos remontam às décadas de 1960 e 1970. A Igreja é acusada de ter tolerado e por vezes protegido os criminosos sem ouvir as vítimas.

jul
07
Posted on 07-07-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-07-2014


Samuca, hoje, no Diário de Pernambuco


Krull, o goleiro: surpresa holandesa que
mandou a Costa Rica, invicta, para Casa
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Artigo/ Opinião

Costa Rica, quem diria!

Marinaldo Mira

A Copa do Mundo de futebol 2014 chega ao fim dia 13 deste mês, com muitos gols, mas poucas ideias lançadas pelos treinadores. A exceção é a modesta Costa Rica, que surpreendeu seleções tradicionais, desbancando, por exemplo, potências mundiais como Inglaterra, Itália, e fazendo Holanda passar sufoco incrível, em Salvador, nas quartas de final.

A famosa e lendária Laranja Mecânica (vide Copa de 1974) teve de superar os costarriquenhos nas penalidades, porque o goleiro Krul (que foi escalado de última hora) segurou duas cobranças. A Costa Rica apresentou um esquema tático diferente: 5 – 3 – 2 ou 5 – 4 – 1. Antes, ninguém tinha pensado nisso!

Na primeira fase da Copa, a Costa Rica venceu o Uruguai por 3×1, depois derrotou a poderosa Itália por 1×0 e eliminou a Inglaterra, ao empatar na última rodada por 0x0, sem falar que bateu o Uruguai, por 3×1 na estreia. Deixou todos os favoritos do chamado Grupo da Morte para trás e acabou em primeiro lugar. Nas Oitavas empatou com a Grécia por 1×1 e venceu nos pênaltis por 5×3.

Apesar de ser eliminada pela Holanda nas penalidades, após empate por 0x0, Costa Rica deixou a competição invicta. Com revolucionário esquema tático, o treinador Jorge Pinho deu lições a muitos técnicos. Com jeito simples de defender-se, mostrou também como surpreender e atacar os adversários.

As grandes estrelas do futebol mundial nem chegaram a brilhar na competição. Atuam bem em seus clubes, mas quando vestem a camisa da seleção do seu país, não produzem o mesmo e frustram a torcida, salvo raras exceções.

A segunda surpresa da Copa foi o treinador Van Gaal (Holanda), que entra para a história, pela ousadia e ineditismo, ao escalar o goleiro Krul para decisão por penalidades, contra Costa Rica, em Salvador. O titular Cillessen chegou a chorar na hora da substituição, mas Van Gaal confirmou saber o que estava fazendo e transformou Krul em herói.

A Seleção Brasileira chegou à semifinal, sem apresentar futebol convincente ou que deixe a torcida confiante de que passará pela Alemanha. Caso venha repetir as atuações anteriores, a expectativa é de o torcedor sofrer mais ainda com outra prorrogação e decisão por pênaltis.

Aí, o brasileiro apaixonado pela Seleção tem de tomar cuidado com a pressão arterial, lembrando-se que, com coração não se brinca.

Marinaldo Mira – Jornalista (Ufba/1980, cronista esportivo e professor de Ética. (marinaldomira@gmail.com

DEU NO CORREIO DA BAHIA

Da Redação

Depois de ter sido vendido ao time português Benfica, o meia Anderson Talisca fez questão de se despedir dos torcedores e do Bahia, onde se mostrou a maior revelação do clube nos últimos anos.

Em seu Instagram, Talisca disse estar realizando o desejo de ser um grande jogador profissional e afirmou que sua “passagem pelo Esquadrão de Aço, momentaneamente, acabou”.

“Olá nação tricolor!

O futebol às vezes prega peças e isso todos sabem. Sonhei, ainda criança, em Feira de Santana, minha cidade natal, em ser um grande jogador profissional e parece que estou realizando este desejo. Há alguns anos essa vontade começou a se desenhar quando pisei no Fazendão pela primeira vez para vestir as cores do Esporte Clube Bahia.

Desde então tenho me dedicado 1000% para dar a esta imensa nação alegrias e títulos, e parece que de alguma forma consegui. Em alguns momentos pode não ter sido como planejei, mas não foi por falta de vontade. As derrotas doeram e marcaram, porém, os triunfos foram ainda mais inesquecíveis.

Infelizmente algumas coisas não duram para sempre e minha passagem pelo Esquadrão de Aço, momentaneamente, acabou, e essa é a peça que o futebol prega.

Estou seguindo para um novo desafio, tão grande quanto defender as cores tricolores, sem nenhuma dúvida, e isso só foi possível graças ao apoio que recebi do Bahia e do seu fanático torcedor, que sempre acreditaram em mim. Guardarei em meu coração cada sorriso que recebi nestes últimos anos dos torcedores.

Espero ter deixado uma boa impressão à vocês e ajudado. Tentei, sempre, fazer o máximo, me doando muito dentro e fora de campo. Aprendi a ser atleta no Fazendão, mas, principalmente, me tornei um grande homem após defender o Esquadrão.

Não houve emoção maior para mim, até hoje, do que vestir esse manto sagrado e ouvir essa nação gritando seu nome. Só tendo essa oportunidade para saber o que estou falando.

Levarei o Baêa para onde estiver.

Um até breve!

Anderson Talisca”

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BOM DIA!!!

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