DEU NO UOL/FOLHA

A lesão sofrida por Neymar na última sexta-feira, na vitória do Brasil por 2 a 1 sobre a Colômbia, não foi a única notícia ruim que o lateral esquerdo Marcelo recebeu no fim de semana. E nem a pior. O camisa 6 da seleção brasileira foi informado na manhã deste sábado sobre a morte do avô, um dos principais incentivadores de sua carreira.

Pedro Vieira da Silva Filho, avô de Marcelo, tinha um tumor na medula óssea. No último dia 18, quando a seleção brasileira estava de folga, o lateral chegou a visitá-lo em um hospital no Rio de Janeiro.

O avô foi um dos grandes responsáveis pela carreira de Marcelo. Era ele, por exemplo, que levava o lateral para treinos e peneiras.

A causa da morte ainda não foi divulgada. A comissão técnica liberou Marcelo para deixar a concentração da seleção brasileira na Granja Comary e se juntar à família, mas o lateral não aceitou

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CRÔNICA/COPA

Guerreiros também choram

Janio Ferreira Soares

Plagiando essa rapaziada que vive fazendo malabares nas ruas (“eu podia estar roubando, eu podia estar matando…”), eu podia estar escrevendo sobre a aposentadoria de Sarney, ou fazendo uma análise da campanha eleitoral que começa neste domingo (meu pantoprazol!, meu pantoprazol!), mas não tem jeito. O assunto do momento é esta sensacional Copa, cujo enorme sucesso, na boa, nem os mais ferrenhos otimistas – alô, Aldo Rebelo! Alô, Nizan Guanaes! – esperavam.

A propósito, além dos grandes jogos e da farra em si, o Mundial também teve o importantíssimo papel de desmoralizar números chutados por alguns governos – e reverberados pela imprensa -, de que nos grandes eventos, como o Carnaval, milhares de estrangeiros vão atrás dos trios em Salvador, caem no frevo em Recife e se esbaldam no Sambódromo no Rio, quando, nesse período, só se vê uma meia dúzia de cinturas duras por entre abadás, vassourinhas e pandeiros. Mas agora realmente eles são milhares, são visíveis e invadiram pra valer as ruas do Pelourinho, as praias da Guanabara e as pontes do Capibaribe.

Falando nisso, no último domingo eu estava em Recife visitando meus filhos, quando um amigo me telefona e praticamente me intima a ir assistir ao jogo Grécia e Costa Rica. Animadíssimo, ele vai logo dizendo que já está com meu ingresso e, antes que eu fale qualquer coisa, desfere o golpe fatal: “é isso ou ficar em casa vendo o jogo na TV. Mas lembre-se que antes tem o Esquenta e depois o Faustão! ”.

Ainda meio zonzo pela possibilidade de poder ver ao vivo o que só tinha visto pela TV, rapidamente o cérebro projeta minhas alternativas dominicais: ficar em casa vendo Regina Casé com sua mortalha florida, ou ver alguma descendente de Afrodite sorrindo no telão? Cochilar no sofá assistindo a Arlindo Cruz improvisando um samba, ou arriscar esbarrar com um conterrâneo de Demis Roussos assoviando Forever And Ever na fila da cerveja a 13 reais o latão? Suportar Faustão enaltecendo o exemplo de vida de algum artista medíocre, ou permanecer sentado sem esboçar nenhuma reação quando a famigerada “hola” passar por mim? Imediatamente coloquei um tênis e desci pra esperar o velho e animado Los Baixos, que logo chegou vestindo uma camiseta com o rosto de Sócrates (o jogador, não o grego), sobre a frase: “Cicuta on the rocks! ”. A tarde prometia.

Ao longo dos 20 km até a Arena Pernambuco, a quantidade de policiais era tanta que eu, qual o judeu da velha piada (que ao ver todos os filhos presentes no seu leito de morte, pergunta quem está tomando conta da loja), penso comigo: “quem está policiando as ruas do velho Recife? ”.

No entorno do estádio, torcedores com camisas e bandeiras de vários países dão o maior confere nas provocantes brasileiras vestidas com o kit Copa (camiseta amarela, shortinho, Ray-ban e salto alto), que por sua vez dão mole para dezenas de garotões sem camisa, que estão mais preocupados em usar seus bíceps para carregar uma pilha de copos da Budweiser, talvez para tomar seus suplementos enquanto malham nas academias.

Quanto ao jogo, confesso que não foi lá grande coisa. Mas isso é o de menos. O que importa mesmo é a muvuca e suas consequências. Como no caso das duas pernambucanas que conversavam em minha frente, morrendo de inveja de uma amiga que estava no maior amasso com um grego fantasiado de Poseidon: “ôxe, mulher, com um grécio desses eu me lascava toda! ”.

P.S. – Concluo este artigo no comecinho da tarde de sexta-feira e – veja que loucura – neste exato instante em que você o lê, o agora já é ontem. Portanto, o jogo do Brasil com a Colômbia, que ainda vai começar pra mim, já acabou pra você. E qualquer que tenha sido o resultado, é provável que alguns desses olhos que ora me dão a honra tenham vertido lágrimas. É provável também que os nossos jogadores tenham chorado mais uma vez. Se de alegria, serão guerreiros. Se de tristeza, serão meninos. De todo modo, como na canção de Gonzaguinha, eles precisam de um descanso, precisam de um remanso, precisam de um sonho que os tornem perfeitos.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

jul
05
Posted on 05-07-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-07-2014


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Sid, hoje, no portal de humor A Charge Online


Joaquim Barbosa, “de alma leve”, faz “selfie”
com jornalistas na saída do Supremo

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ARTIGO DA SEMANA

Joaquim Barbosa: signos de uma saída à francesa

“Que cegos estamos em meio de tanta luz”

Jean-Jacques Rousseau, em Carta a D`Alembert sobre os espetáculos. Recolhido da antologia de textos “Contra La Prensa”, do jornalista argentino Esteban Rodríguez.

É inútil fazer de conta que nada aconteceu de mais relevante, esta semana, no Planalto Central do Brasil, além do resultado da mais recente pesquisa de opinião divulgada pelo Datafolha, cujos números caíram como gotas de bálsamo sobre a presidente Dilma: a candidata à reeleição e o seu governo, ao mesmo tempo.

Exagera, também, os que imaginam, e até proclamam, que o fato mais importante destes dias foi o ex-ministro José Dirceu ter deixado a cela no presídio da Papuda, na quarta-feira. Ou o primeiro dia de trabalho, na quinta-feira (3), do ex-ministro chefe da Casa Civil do Governo Lula, em seu novo emprego, com salário na faixa dos R$ 2 mil, condução de automóvel para o CPP – Centro de Progressão de Penas do DF, e regalia de uso livre do telefone celular.

Nada mal, como se vê, para um condenado do Mensalão. Portanto, em princípio, um preso comum.

Mas é imperativo reconhecer a relevância jornalística e o interesse público da notícia. Tanto pelo comportamento do apenado, quanto pelo ineditismo das imagens e os significados explícitos e implícitos que expressam e traduzem.

Especialmente para núcleos petistas inconformadoscom a ausência demorada, em seu seio, do líder e mentor. Daí a intensa vibração observada nas redes sociais, e os foguetes soltados na capital e no interior da Bahia, na quinta-feira, mesmo já tendo passado as festas juninas no Nordeste e não sendo dia de jogo da seleção na Copa .

Fazer escolhas é da essência da vida, da política e do jornalismo. Isso inclui até mesmo – a exemplo do que fazem alguns – apostar em que o barulho e a fumaça espalhados de ponta a ponta do território nacional e do planeta por esta espetacular e arrepiante Copa do Mundo, disputada na terra do futebol, vai zerar tudo. Cegar, ensurdecer e alienar a sociedade quase por inteiro. A ponto de soterrar de vez e levar ao esquecimento definitivo, o impacto e as repercussões de outro fato crucial da semana, também registrado em Brasília.

Refiro-me, evidentemente, à desconcertante saída, à francesa, do ex-ministro Joaquim Barbosa do comando do Supremo Tribunal Federal. Ao mesmo tempo, o definitivo encerramento da sua exemplar carreira profissional na magistratura, como guardião das normas da Constituição brasileira e implacável aplicador da punição judicial aos queas transgridem, além de severo zelador pelo cumprimento efetivo das penas aplicadas.

Que o digam os condenados do histórico e polêmico processo do Mensalão, página maior e mais significativa da passagem do ministro Barbosa pela Presidência da Suprema Corte de Justiça.

Este é, também, um caso incomum, inédito mesmo na larga história do Poder Judiciário nacional. A saída de Barbosa foi um ato emblemático. Carregado de eletricidade e executado em um cenário perfeito para observação das reações humanas. Daquelas mais grandiosas e superiores, às mais primárias e rasteiras: Caráter, dignidade, princípios, inveja, ciúme, desfaçatez, cumplicidade, grosseria… Tudo transmitido em rede nacional pela TV Justiça, complementado por flashes de repercussão de outras emissoras em canais abertos e privados.

Uma sessão para a história. Plena de signos destinados a produzir discussão, polêmica e, principalmente, conseqüências a curto, médio e longo prazo. A começar pelas atitudes e desempenho do personagem principal: o juiz Joaquim Barbosa.

A saída foi levada a efeito durante uma sessão normal de trabalho no tribunal. Coerente com as palavras do discurso de chegada no posto de comando: “Vamos ao trabalho, a justiça tem pressa e a sociedade brasileira não pode mais esperar”.

Uma despedida bem à maneira, jeito e estilo do magistrado que detesta salamaleques, tapinhas nas costas, ou homenagens formais, elogios fáceis, discursos temperados na retórica plena de frases óbvias, autocomplacentes, vaidosas, que em geral passam ao largo das questões de princípios e não resistem a meia hora, depois que o homenageado vira as costas e deixa a cena. Ele próprio abriu mão de seu discurso de adeus no STF.

Homem do exemplo concreto, mais que das palavras, Joaquim Barbosa fez o inverso das despedidas comuns e previsíveis. Ainda no plenário, seguiu na contramão da maioria dos colegas e votou contra a aplicação, nas eleições gerais deste ano, de uma regra do TSE, considerada inconstitucional pelo próprio Supremo. Ao argumentar, bateu boca com o ministro Dias Toffoli, atual presidente do TSE, que conduzirá as eleições de 2014. E bateu duro:

“Tem-se banalizado no nosso sistema a seguinte prática, das mais bizarras: o Tribunal declara inconstitucional, mas ao mesmo tempo modula efeitos da decisão [determina a partir de quando vale] e mantém o status quo. Tenho notado quanto pode ser nefasta essa prática, que tem potencial de perenizar nossas mais críticas mazelas”, atirou Barbosa.

Depois da sessão, de quase três horas, saiu à francesa do salão. Antes, apenas avisou que era a sua última sessão na presidência. ”Não gosto de homenagens”, explicou.

Aparentando um bom humor raramente visto, Joaquim Barbosa reapareceu logo depois. Conversou por 15 minutos com a imprensa, recebeu abraços e aplausos de servidores e visitantes do prédio da Corte. Até topou fazer um “selfie” com jornalistas.

Por fim, Joaquim Barbosa deu adeus e seguiu em frente. O resto é com o tempo, o soberano senhor da razão.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Vamos lá moçada, agora sem Neymar. Mas só faltam mais duas, das sete batalhas que levam à Taça.

BOM DIA!!!

jul
05
Posted on 05-07-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-07-2014


Neymar grita de dor após ser atingido pelo lateral colombiano Zúñiga. Fraturou a terceira vértebra lombar
e está fora da Copa/ F. B. (AP)/El País


David Luiz e Marcelo consolam colombiano James

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS (EDIÇÃO BRASILEIRA)

Com jeito ou com força. Assim é este novo Brasil do general Scolari, já na semifinal graças aos seus zagueiros, Thiago Silva e David Luiz, autores dos dois gols dos donos da casa. Num time sem jogadas, a defesa dá as ordens. A Colômbia ficou no vácuo, parca e dominada no começo e sem tempo para uma virada no final. Foi tão curta esta última etapa para os cafeteros como a Copa para James, o diamante lapidado neste mês, que se despede com tantas lágrimas quanto hematomas nas pernas. Este Brasil pode ostentar resultados, mas seu desapego pelo encanto que o distinguia é desanimador. É hoje uma equipe de armadura tosca, pernas de mármore e batedora demais: fez uma falta a cada três minutos, sem que aparentemente o árbitro, o espanhol Velasco Carballo, prestasse atenção à contabilidade. Tampouco percebeu a estocada de Zúñiga na coluna de Neymar, que obrigou o brasileiro a deixar o jogo de maca.

Logo de saída, não se via a tão badalada Colômbia, e sim uma equipe pálida, presa, com chumbo na cabeça e nos pés. Com o garrote na mão e muita voltagem, o Brasil encapsulou o seu adversário, sustentado por seu goleiro Ospina, a quem esse incrível Hulk de chuteiras fuzilou em mais de uma ocasião. Hulk, coberto de músculos, simboliza esta seleção Canarinho de bucaneiros, uma equipe transformada em um comboio de tanques. Na base da força, como se a cada disputa a Terceira Guerra Mundial estivesse a um passo, o Brasil, com seu futebol machão, submeteu o seu rival, incapaz de apanhar o fio da meada no jogo. Inferior no corpo a corpo, a Colômbia não conseguiu impor suas virtudes e, até o segundo tempo, o roteiro sempre foi brasileiro.

O grupo de Pékerman não conseguia recrutar James, contra quem Scolari havia encomendado um mandado de prisão. O primeiro encarregado de contê-lo era Fernandinho; em caso de necessidade, juntava-se qualquer um que estivesse à sua sombra. O objetivo: deixar James no chão. O árbitro espanhol fez pouco caso, mas não perdeu a chance de advertir o astro colombiano por uma bobagem em comparação ao tanto de pancadas que ele sofreu. Curiosamente, antes do gol de David Luiz, com mais de 40 faltas computadas (25 delas brasileiras), James e Yepes já haviam levado o amarelo. Pelo Brasil, só Thiago Silva, que ficará de fora da semifinal contra a Alemanha. O árbitro madrilenho contemporizou com o time local até com o spray, que nem sempre foi uma fronteira para a barreira brasileira.

O Brasil joga na pressão, com os tambores a todo vapor. E ainda mais nas áreas, que transforma em um fosso de crocodilos. Em território próprio ou alheio, seus zagueiros marcam a linha. Foi assim que, no primeiro escanteio cedido, o Brasil desfigurou a defesa cafetera. Neymar bateu um córner antes dos dez minutos, atacantes e defensores caçaram moscas, e a bola caiu junto a Thiago Silva, que marcou de joelhada. Uma vantagem rápida era o melhor que podia acontecer a este Brasil que chegava com tantas angústias. A Colômbia sentiu o baque e rapidamente percebeu que era um forasteiro em um terreno inóspito, que era preciso aceitar a partida golpe após golpe, e que nem sempre haveria um juiz para interromper o combate.

Com James amarrado pelo selvagem meio-campo local, o Brasil foi uma avalanche no primeiro tempo, e só Cuadrado conseguiu chutar na direção de Júlio César. Com Oscar mais centrado e Maicon no lugar de Daniel Alves com a lateral direita a seus pés, a Colômbia sofreu o assédio por todos os cantos, com sua retaguarda se embaralhando a cada investida de Hulk junto a Marcelo, ou a cada dança de Neymar. Os colombianos não encontravam uma solução. E, quando encontraram, já pareciam definitivamente condenados.

O conjunto de Pékerman começou o segundo tempo com maior desenvoltura, e o Brasil, mais recolhido – o que pelo menos lhe garantia a possibilidade de disputar o jogo longe da sua meta. Os centuriões do Scolari não abriam caminhos até Julio César, mas de Ospina tampouco se ouvia falar. Os colombianos rasgaram a fantasia. Deram uma olhada para frente e equilibraram o jogo. No melhor momento colombiano, Yepes, seu capitão, resolveu uma descomunal trama na área, mas um assistente invalidou o gol ao acertar um impedimento por uma unha no começo da jogada. Imediatamente, com o Brasil hesitante, de novo um zagueiro foi ao socorro. A léguas de Ospina, David Luiz traçou um gol sensacional. A pancada dele ao bater uma falta fez a bola desviar de rumo já durante o seu voo na direção das redes. Um golaço.

À seleção colombiana restou apenas o empenho de James Rodríguez, um grande jogador, por sua enorme classe e porque, com sua juventude, não se deixou anular por Fernandinho. Aguentou rangendo os dentes e remou o quanto pôde para encurtar distâncias num pênalti maiúsculo do goleiro Julio César sobre Bacca. James converteu, e a Colômbia lutou até onde pôde – só que morreu na praia. E morreu chorando como um chafariz, embora tenha todo um mundo pela frente para brigar pelos tronos.

Por enquanto, a isso aspira este Brasil de corsários, em que o gol também é assunto para os zagueiros. Como havia sido horas antes com a Alemanha, o seu próximo adversário. E uma ideia antinatural: a Alemanha quer a bola, que o velho Brasil adorava, enquanto o Brasil prefere os corpanzis que distinguiam a antiga Alemanha. O futebol virou pelo avesso.

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