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Posted on 01-07-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-07-2014


Sid, hoje, no portal A Charge Online

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS (EDIÇÃO BRASILEIRA)

Depois de um longo período de suspense, Aécio Neves, candidato do PSDB às eleições presidenciais brasileiras, finalmente anunciou nesta segunda-feira quem será seu vice-presidente na disputa de outubro, que tem como principais oponentes Dilma Rousseff (PT) e Eduardo Campos (PSB): Aloysio Nunes, líder do PSDB no Senado. A opção do presidenciável mineiro pelo senador paulista é vista como uma tentativa de conquistar mais eleitores do PSDB em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país e a base mais importante do partido.

O anúncio, feito na data-limite estipulada pelo Supremo Tribunal Eleitoral, incluiu a confirmação da aliança do PSDB com DEM, PTB, Solidariedade, PMN, PT do B e PTC. “Hoje tenho a alegria enorme de poder anunciar como meu companheiro de chapa o senador Aloysio Nunes Ferreira”, disse Aécio Neves durante a coletiva de imprensa. Segundo o candidato, “a indicação é uma homenagem à coerência, matéria essencial na vida pública” e não uma “conveniência de campanha”.

Muitos aspectos da vida política de Aloysio Nunes, sobretudo os mais recentes, reforçam seu alinhamento com os ideais de centro-direita do PSDB. Advogado nascido em São José do Rio Preto, uma das maiores cidades do interior paulista e reconhecido ‘ninho tucano’, Aloysio, de 69 anos, se filiou ao partido em 1997. Atuou como deputado federal antes de chefiar dois ministérios durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso (Secretaria Geral e Ministério da Justiça). Ocupou postos no governo estadual de José Serra e na prefeitura de Gilberto Kassab e, em 2010, foi eleito senador do PSDB com votação histórica – mais de 11,1 milhões de votos.

No entanto, Aloysio já esteve politicamente muito mais à esquerda. Começou a militar em 1963, quando ainda era estudante de Direito da Faculdade São Francisco, e um ano mais tarde se filiou ao Partido Comunista brasileiro, que à época operava na ilegalidade. Foi membro da Aliança Libertadora Nacional (ALN), organização guerrilheira liderada por Carlos Marighella – de quem foi motorista e guarda-costas – e se exiliou em Paris de 1968 a 1979, quando teve sua prisão decretada pela ditadura militar (1964-1985). Voltou ao Brasil em 1979, graças à Lei de Anistia, e filiou-se ao PMDB, partido através do qual se elegeu deputado estadual e vice-governador de São Paulo durante o mandato de Luiz Antônio Fleury Filho. A filiação ao PSDB acontece quando já era deputado federal.

Orgulhoso por ter alguém do porte, da envergadura, do carisma de Aécio Neves na nossa liderança. Serei um militante político

No site oficial do político, ao final de sua biografia, um link leva o leitor ao seu perfil no site Wikipedia, onde consta inclusive que ele cogitou fazer em Cuba um treinamento para guerrilheiros. Mas sobre seu passado na luta armada da esquerda Aloysio deu até hoje poucas declarações. Uma delas fez parte de um depoimento gravado para a conclusão de um capítulo da a telenovela “Amor e Revolução”, exibida no SBT em 2011 e 2012, no qual ele relatou experiências durante a ditadura militar e disse que o caminho da luta armada foi um erro político. “Fiz aquilo que achava que era o meu dever na época”, justificou na ocasião.

Cascas de banana

Recentemente, Aloysio criticou Dilma Rousseff, não pelo seu passado também de militante, mas pela política de alianças da presidenta para disputar a reeleição neste ano. Em uma nota oficial, ele a definiu como “faxineira” e “falsa moralista” ao rebater as críticas de Dilma ao PTB – que recuou na última hora do apoio à petista para aliar-se a Aécio Neves. “A fama de gestora foi desmentida pela mediocridade do seu governo. Que faxineira é essa que traz de volta ao seu regaço os que haviam sido dele excluído com estardalhaço?”, questionou.

Além disso, no primeiro discurso que fez depois de ser escolhido vice-presidente de Aécio, ele reforçou que o “ódio” é o único discurso do PT. “Tenho o couro duro. Mas o ódio é contraproducente para quem se utiliza dele como arma política. Parece que não sobra ao PT, não sobra à presidente Dilma nenhum outro argumento a oferecer a não ser este, uma vez que ela não tem mais nada de novo e de relevante para oferecer ao Brasil”, afirmou o tucano.

Outra polêmica recente é a briga em que se envolveu com Rodrigo Grassi, conhecido na internet como Rodrigo Pilha. Ao entrevistá-lo, o blogueiro filiado ao PT o questionou sobre seu suposto envolvimento em casos de corrupção e cartel nas obras do metrô de São Paulo – descartado, por falta de provas, pela justiça. Grassi foi xingado de “vagabundo” e mandado “à puta que te pariu” pelo senador, que se referiu ao fato no pronunciamento de hoje dizendo que “pisou numa casca de banana”.

No mesmo discurso, ele se disse “emocionado”. Afirmou que não mudou de lado desde os 18 anos de idade e fez questão de frisar que será “um vice muito dedicado, muito legal, muito correto”. “Orgulhoso por ter alguém do porte, da envergadura, do carisma de Aécio Neves na nossa liderança. Serei um militante político”, declarou.

Allez, Le Bleu!!!

BOM DIA!

(Vitor Hugo Soares

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS (EDIÇÃO BRASILEIRA)

Se o futebol é mundial, é por jogos como o desempenhado por alemães e argelinos. Se o papel das duas poderia fazer pensar que a Alemanha desfilaria tranquilamente, isso foi apenas uma miragem. O desembaraço da Argélia foi comovente. Um desacato total. A seleção africana aceitou cada desafio proposto por seu nobre rival, a quem manteve na expectativa até a prorrogação, depois de um encontro repleto de intrigas, com os dois goleiros cheios de empenho, sem tempos mortos nem miudezas. Um modesto gigante como a Argélia foi uma pedra para uma superpotência obrigada a se esforçar para avançar por um triz às quartas de final onde a França a espera. Para a Argélia, ficou o reconhecimento e a admiração geral. O futebol também reserva honras para os vencidos com glória.

A Alemanha se viu ante um calvário que não esperava. Sua técnica e distinta coluna de meio-campistas não era capaz de dar geometria ao jogo. A Argélia era um vespeiro, todos picavam quem pretendia segurar a bola. Jogadores de pincel como Lahm, Schweinsteiger, Kroos, Özil e Götze estavam neutralizados, borrados como nunca quando tinham a bola. Não havia respiro nem para os centrais alemães, porque a equipe africana teve até mesmo o descaramento de impor uma pressão alta. Sem Hummels, com gripe, Mertesacker e Boateng são daqueles que se defendem na paulada com a bola, e ainda mais quando sufocados.

Com uma Alemanha comovida, a fresca seleção argelina ia para a frente, sem armadilhas nem consideração. Um esforço espetacular. Ameaçava Slimani, que teve um gol bem anulado por um impedimento de meia unha, e Feghouli, que se nublou quando tinha um companheiro sozinho para colocar a bola na rede, e Ghoulam, que subiu pela esquerda e deu um chute cruzado que triscou na trave esquerda de Neuer, e Sbaa, que teve um passe de fora da área desviado. As pessoas esfregavam os olhos e para o goleiro alemão não havia descanso, obrigado a se plantar como defensor livre uma e outra vez. Faz tempo que na Alemanha já é comum colocar um goleiro que se comportava assim, papel em outros tempos desempenhado por Beckenbauer, Matthaeus ou Sammer. A figura reapareceu com Neuer.

No primeiro tempo, a Alemanha só era capaz de usar uma fórmula. O bombardeio de longe era seu único remédio. A defesa adversária era impermeável, mas M’Bolhi, o goleiro, não agarrava completamente e concedia rebotes. Um alemão após outro o pôs à prova. O grupo de Löw não encontrava outro roteiro, a área estava vedada. O técnico alemão percebeu e no descanso trocou Götze por Schürrle. Um atacante de vocação em vez de um ocasional. Com a mudança, os alemães melhoraram em ataques à área, onde foram ganhando metros e oportunidades. Nem assim a Argélia afrouxou e, no segundo ato, houve uma grande resposta do seu goleiro. Principalmente depois de um chute de Lahm e de uma cabeçada à queima-roupa de Müller, protagonista do pastelão da Copa ao cair sozinho de joelhos em uma jogada estratégica.

Do começo ao fim, o grupo de Halilhodzic foi compacto para o ataque e a defesa. Todos os que podiam fechavam e os que resistiam ao esforço se desdobravam, o que era um pelotão. Nada de mesquinharia, nada a ver com essas equipes que dissimulam a inferioridade com um atacante abandonado à própria sorte. Nunca especulou, nem sequer fez o possível porque o tempo minguara para uma prorrogação ou para os pênaltis. Viu-se tão capaz da vitória como a imponente Alemanha. Os comandados de Löw não puderam respirar nem com o gol de Schürrle, no começo do terceiro tempo, pois logo Sbaa esteve perto do empate. Ainda teríamos mais.

O gol alemão esteve à altura de uma partida muito boa: um calcanhar fenomenal quando a bola lançada por Müller já o havia superado. Parecia que só diante de um golaço esta estremecedora Argélia se dobraria e se dava por certo que havia sido executada por Özil. Não senhor. Djabou fez a Alemanha sofrer até o último centésimo. Com times assim, há derrotas épicas.

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