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Santos, 1956
Esse foi o primeiro jogo internacional de Pelé: Santos x AIK (Suécia). Repare que ele jogava como meia. Em pé: Urubatão, Wilson Francisco Alves (o Capão), Fiotti, Manga, Cássio e Feijó. Agachados: Alfredinho, Pelé, Ney Blanco, Guerra, Carlinhos e o massagista Macedo.
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CRÔNICA:FUTEBOL E MEMÓRIA

O Primo Cássio: do Santos para o Céu

Gilson Nogueira

Um dia, criança, no Estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, antes da sua primeira ampliação, meu coração
vermelho ganhou o azul e o branco, por conta da primeira vez que vi o Esporte Clube Bahia entrar em campo.
Tornei-me, ali, em companhia de meu saudoso pai, tricolor de corpo e alma, Bahia até a morte. Por isso, até hoje, quando meu time atua, antes de torcer, com a emoção correndo nas veias, rogo aos céus proteção e vitória. Faço o mesmo com o Santos Futebol Clube, o Leão do Mar, da cidade de Santos, em São Paulo, que tenho, junto ao Fluminense do Rio de Janeiro, como meu segundo time.

No Santos, em plena Vila Belmiro, lotada, carregando uma baleia de contentamento, aplaudi, no final da década de 1950, meu querido e inesquecível primo Cássio, que acaba de morrer, dia 5, aos 79 anos, vítima de complicações provocadas pelo Mal de Alzheimer.

Choro, em preto e branco, sua partida,sabendo que Deus escalou Cássio, como homem de fibra, na Seleção do Céu.Em conseqüência da saudade dele, afloram lembranças dos anos em que o Santos hospedava-se no antigo Hotel da Bahia, ícone da Salvador elegante e hospitaleira, e o grande Cássio, zagueiro que conduziu Pelé a pisar pela primaira vez no campo da Vila, tinha, por mérito, permissão para almoçar lá, em casa, em Nazaré, em festa familiar regada a moqueca de peixe vermelho e feijoada, com o tempero divino da saudosa Bebé.

Tempos de adoração ao representante da família no melhor time do mundo. Menino, com os primeiros fios de bigode avisando a chegada, fazia da sala de jantar tribuna de honra. Até ali eu era o Santos. Na Fonte de Todas as Glórias do Esquadrão de Aço, Marito, Alencar, Léo, Mário, Biriba e companhia.Vestia a camisa do Esquadrão de Aço por dentro de mim. Hoje, tendo a lágrima a esquiar saudade de meu chapa Cássio, e recordações dos anos de torcedor de arquibancada de pura vibração do povo, curto o prazer de registrar que a emoção de gritar gol do Bahia, sozinho, nos primeiros degraus de cimento da Fonte Nova de vendedores derolete de cana, pipoca e de outros atrativos ao paladar, no gol da entrada do estádio, de cara para o Dique do Tororó, perto do gramado, era uma benção dominical. Eu ouvia a rede fazer chuá, como a sua irmã do basquete, a bola sorrir e chorar, e uma voz, ofegante, dizendo-me: “Meu filho, aproveite, vai chegar a hora em que isso tudo, aqui, irá mudar. Nada é para sempre. Você crescerá, esse estádio poderá ser demolido, o futebol mudará.Até você. Prepare-se!”

Testemunha ocular de mudanças de todos os tipos no futebol, em que os fundamentos do esporte confundem-se com a ganância do marketing, percebo que o Bahia segue apaixonante, seus torcedores cada vez mais fiéis ao bicampeão brasileiro. Alguns deles sentimentalmente derrotados, por não terem tido a oportunidade de presenciar, ao vivo, as fintas de Marito, o endiabrado ponta que, antes de partir para a Eternidade, encontrei, faz tempo, com a sua mulher, sentado, em um banco de pinho, na Avenida Centenário, sob a sombra de um pé de araçá. “ Marito, o futebol não é mais o mesmo. Nem o jeito de torcer é igual!” Marito sorriu, em silêncio, para nunca mais. Como Cássio, antes da doença. PQP!!!

Gilson Nogueira, jornalista, é colaborador da primeira hora do BP.

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Comentários

regina on 29 junho, 2014 at 13:46 #

Lindo Gilson, meu amigo querido!!!
Estas recordações dos tempos em que descobríamos as voltas que a vida dá… tivemos muita sorte de vivermos entre a Baixa do Sapateiros e a Fonte Nova, entre o samba e a bola….
Leio tuas linhas e mergulho em lembaraças da rua estreita onde éramos reis por ser jovens e estrelados, tínhamos a vida nas nossas mãos e não sabíamos ainda o que fazer dela, mas, como nos divertíamos, como gozávamos, no dia a dia, no carnaval e nas resenhas desportivas!!!
Te abraço e peço, curta um por de sol no Porto da Barra por mim. Tô com Sintomas de Saudade!!!


Gilson Nogueira on 29 junho, 2014 at 14:48 #

Salve salve, amada Regina! Que bom, receber seu abraço, carregado de saudade e calor baiano! Que orgulho, desses que sacodem o peito, em ser seu amigo. Você é dez, número que Pelé transformou em símbolo de excelência!
Em domingo cinza, na nossa Salvador que resiste aos ataques da insensatez, você faz falta azul!Quanta falta! Irei ao Porto. E cantarei seu nome, com a voz do coração, para você voltar logo! Té.bj


luís augusto on 30 junho, 2014 at 21:18 #

Valeu, Gilson. Eu só me reto porque sou Vitória. Abraços.


Olivia on 1 julho, 2014 at 7:12 #

Um tempo de delicadeza, Gilson.


Gilson Nogueira on 1 julho, 2014 at 14:39 #

Luis Augusto, torça para o Bahia! Abraço


Mariana on 1 julho, 2014 at 19:30 #

Torça pelo Bahia, não, Luiz Augusto!!!
Nosso time, o Vitoria, é sem igual!!!


Gilson Nogueira on 1 julho, 2014 at 20:07 #

De bem com o Bahia, envio-lhes abraços vitoriosos,amigos!


Gilson Nogueira on 2 julho, 2014 at 22:35 #

SANTOS DE TODOS OS CRAQUES, PARA INSPIRAR NEYMAR E COMPANHIA!
http://youtu.be/U6ANFRIIvdI


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