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Com todo o drama que uma partida eliminatória de Copa do Mundo exige, Costa Rica e Grécia fizeram um jogo histórico pelas oitavas de final neste domingo, na Arena Pernambuco. Não pela qualidade técnica das duas equipes, bem longe disso. Mas o que se presenciou em campo superava em emoção a falta de um jogo mais primoroso.

E foi com drama e emoção que a Costa Rica chegou às quartas de final pela primeira vez na história dos Mundiais. Após um empate em 1 a 1 no tempo normal e prorrogação, os costarriquenhos foram perfeitos nas cobranças de pênalti, e contando com o goleiro Navas iluminado ao defender a quarta cobrança grega, venceram a disputa por 5 a 3. Agora, enfrentará a Holanda no próximo sábado, em Salvador.

Mesmo destruídos fisicamente por conta de ter ficado boa parte do jogo com um homem a menos, graças à expulsão de Duarte no segundo tempo, os costarriquenhos tiveram um aproveitamento de 100% nas cobranças. Borges, Ruiz, Gonzalez e Campbell converteram suas cobranças. Pelo lado grego, a mesmo precisão, com Mitroglou, Christodoulopoulos e Cholevas. Até que chegou a vez de Gekas bater e brilhar a estrela do goleiro Navas, que fez diversos milagres ao longo do jogo e defendeu o chute. Umaña fez a quinta cobrança e carimbou a vaga da Costa Rica, que jamais chegou tão longe na história das Copas.

Início previsível

O último jogo da Copa do Mundo disputado na Arena Pernambuco começou cumprindo à risca o roteiro esperado antes da partida. Com melhor toque de bola, os jogadores da Costa Rica criavam as principais ações ofensivas em campo, restando aos gregos apenas a alternativa de tentar recuperar a bola e apostar nos contra-ataques.

Isso já pôde ser constatado logo aos sete minutos do primeiro tempo, quando o habilidoso atacante Joel Campbell, que pertence ao Arsenal (ING) mas atuou emprestado na última temporada no Olympiacos (GRE), partiu com a bola dominada e deixou Bolaños na cara do gol, que chutou longe do gol de Karnezis.

Leia mais sobre a Costa Rica na Copa 2014 no iG Esporte

Este só não foi o momento de maior emoção na primeira etapa porque, por incrível que pareça, a Grécia resolveu sair para o jogo. E aos 37 minutos, um cruzamento despretencioso pegou o goleiro Navas no meio do caminho e Salpingidis tocou de cabeça. A bola só não entrou porque o arqueiro costarriquenho recuperou-se da bobagem e fez uma defesa com a perna, desviando para escanteio.

Artilheiro decisivo abre o placar

O início do segundo tempo dava sinal de que manteria o mesmo pique no período anterior. Mas foi só encontrar um espaço na retranca grega que a Costa Rica encontrou seu gol. Aos sete minutos, o meia Christian Bolaños correu pela ponta esquerda e colocou a bola de jeito para o capitão Bryan Ruiz, o mesmoq ue fez o gol na vitória diante da Itália na primeira fase, que com muita categoria tocou no canto esquerdo de Karnezis.
Getty Images/Ian Walton
Brian Ruiz comemora após marcar para a Costa Rica

E a vantagem poderia ser ainda maior, caso o juiz australiano Benjamin Williams tivesse marcado o pênalti a favor da Costa Rica, após o lateral-esquerdo Torosidis colocar claramente a mão na bola dentro da área.

Expulsão muda o jogo

O lance do pênalti não marcado parece ter abalado os nervos dos jogadores da Costa Rica. O time começou a abusar das faltas e reclamar de marcações do árbitro. A chiadeira era tanta que sobrou cartão amarelo até para quem estava no banco de reservas, com o meio-campista Granados sendo advertido após uma marcação do australiano.

E aos 21 minutos, veio mo lance que mudou o tom da partida. Após cometer uma falta por trás em Cholevas no meio-campo, o zagueiro Duarte recebeu seu segundo amarelo na partida e foi expulso. A partir daí, a Grécia se animou, colocou o time todo para a frente e pressionou em busca do empate.

E quando tudo caminhava para uma histórica classificação costarriquenha, a Grécia chegou a um empate aos 46 minutos: em uma jogada individual dentro da área, Gekas chutou no meio dos zagueiros, Navas – que já tinha feito grandes defesas antes – rebateu para frente da área e a bola encontrou Mitroglou livre de marcação para fazer o gol que levou o jogo para a prorrogação.
Getty Images
Navas defende a cobrança de Gekas e assegura a vaga da Costa Rica

Pressão grega

A opção de segurar o resultado e reforçar a marcação após a expulsão de Duarte – que acabou sacrificando o meia Bolaños, responsável pela armação das jogadas ofensivas – custou caro à Costa Rica na prorrogação. Embalados pelo empate heróico e com visível vantagem fisica, a Grécia mandava no jogo.

Leia mais sobre a Grécia na Copa 2014 no iG Esporte

E o time grego apelava para sua arma mais conhecida: bola área na área adversária. Os apavarados zagueiros costarriquenhos tentavam afastar de todo jeito. Como aos nove minutos do primeiro tempo da prorrogação, quando Katsouranis foi entrando aos trancos e barrancos até ficar de cara de Navas. Se não fosse o pé salvador de Gonzalez, teria saído aí o gol do desempate.

Na etapa final do tempo extra, a tensão tomou conta de vez da Arena Pernambuco. A Costa Rica tentava ainda buscar o resto de energia em seus jogadores para anular a pressão grega, sempre com Campbell, que mesmo praticamente exausto encarava os zagueiros adversários e ainda levava algum perigo.

Aos nove minutos, em um contra-ataque, a a Grécia teve uma chance para evitar os pênaltis, quando cinco jogadores partiram em um contra-ataque contra três defesores costarriquenhos. Mas Christodoulopoulos demorou tanto para bater que a bola acabou sendo travada pela defesa, facilitando o trabalho de Navas.

Mas como os gregos adoram uma partida cheia de emoções, no último minuto da prorrogação Mitroglou recebeu uma bola ajeitada de cabeça por Karagounis, mas Navas novamente fez um milagre e defendeu com a perna, colocando para escanteio.

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Quem mais fez a Holanda suar neste domingo: a temperatura de 30 graus no início de tarde em Fortaleza ou o México do carismático Miguel Herrera? Acossada por esses dois fatores no Castelão, a atual vice-campeã mundial quase se despediu da Copa no Brasil, mas superou o clima quente e, em seis minutos, virou para cima dos latino-americanos: 2 a 1, em um dos jogos mais emocionantes do torneio, se garantindo nas quartas de final.

O gol de Giovani dos Santos, logo no início do segundo tempo, e as defesas do goleiro Ochoa estavam fazendo os mexicanos igualarem suas melhores campanhas em Copas. A Holanda, porém, largou a retranca que o técnico Louis Van Gaal promoveu na primeira etapa, fez valer a qualidade individual de seus jogadores e, com Sneijder e Huntelaar batendo pênalti, aguarda o vencedor entre Costa Rica e Grécia, que jogam ainda neste domingo, para disputar uma vaga nas semifinais.

Já o México, que tentava igualar sua melhor campanha em Copas, amarga a sexta eliminação seguida na competição.

Caliente

O Castelão parecia uma panela de pressão neste domingo, pela torcida mexicana, em maioria, que apoiava o time e fazia ecoar alto o tradicional grito de “Puto!” quando o goleiro adversário cobra tiros de meta, e pelo calor das 13h em Fortaleza, com temperatura de 30 graus e pouca ventilação.

Para fugir do sol a pino, muitos torcedores abandonaram seus assentos nas arquibancadas inferiores centrais e atrás do gol defendido pelo mexicano Ochoa no primeiro tempo e assistiram à partida em pé nos corredores, onde fazia sombra. Em campo, os holandeses pareciam mais abalados pela temperatura, tanto que o árbitro Pedro Proença promoveu uma parada técnica aos 31 minutos para que a hidratação dos atletas.

Faltou pimenta

Mais acostumados ao calor, os mexicanos construíram as melhores chances do primeiro tempo. A defesa dava pouco espaço a Robben e Van Persie, e o setor ofensivo deu motivo a mais para os holandeses suarem. Pelo lado esquerdo, o lateral Layun deu um baile em Verhaegh e criou três chances, duas em chutes de média distância e outra cruzando à meia altura, mas Giovani dos Santos não conseguiu alcançar.

O técnico Louis Van Gaal repetiu a formação com cinco defensores utilizada (e criticada pela imprensa holandesa) contra o Chile, com o atacante Kuyt na lateral esquerda, mas logo ele precisou mexer nas peças pois De Jong saiu lesionado aos seis minutos. Martins Indi foi a campo e formou o trio de zaga com Vlaar e De Vrij, deslocando Blind para o meio de campo.
Reprodução
Van Gaal, o anti-brasileiros

Mas a Holanda concedeu muitos espaços e aos poucos o México foi equilibrando a posse de bola. Na melhor chance dos sul-americanos, Giovani dos Santos recebeu lançamento dentro da área e tocou para Peralta, que fez o pivô e ajeitou para Hector Herrera mandar para fora.

Os holandeses deram o primeiro chute a gol aos 26 minutos, com Van Persie, e ainda tiveram um pênalti não marcado em Robben, aos 45, em que foi alvejado por Rafa Marquez e Moreno (que se lesionou no lance) dentro da área.

Arriba!

Com Cillessen mostrando certa insegurança desde o início, faltava ao México agredir mais a meta holandesa, mas aos dois minutos da etapa final, Giovani dos Santos chutou de fora da área, entre dois marcadores, e o goleiro, um pouco atrasado no lance, viu a bola ir para o fundo da rede.

Atrás do placar, Van Gaal largou a retranca de lado. Tirou Verhaegh para a entrada do atacante Depay, dois gols marcados nesta Copa. O empate quase saiu aos 12, mas brilhou a estrela de Ochoa. O goleiro, grande responsável por segurar o empate em 0 a 0 com a seleção brasileira na fase de grupos, defendeu no susto um chute à queima-roupa de De Vrij após cobrança de escanteio. A bola ainda bateu na trave direita.

Olha quem apareceu

Ochoa ainda brilharia mais uma vez, após bela jogada individual de Robben, que deixou Rafa Marquez no chão e arrematou em cima do goleiro mexicano. Após nova parada técnica por conta do calor, a Holanda soltou-se no ataque e apostou nos cruzamentos para a área. O México buscava raros contra-ataques para gastar o tempo e confirmar a classificação às quartas de final, mas acovardou-se demais.

Como diz o ditado, a bola pune, e aos 42 minutos, Sneijder bateu sem chances para Ochoa. Nos acréscimos, Robben foi derrubado na área e Huntelaar, que deu assistência para o gol de empate, virou.


Santos, 1956
Esse foi o primeiro jogo internacional de Pelé: Santos x AIK (Suécia). Repare que ele jogava como meia. Em pé: Urubatão, Wilson Francisco Alves (o Capão), Fiotti, Manga, Cássio e Feijó. Agachados: Alfredinho, Pelé, Ney Blanco, Guerra, Carlinhos e o massagista Macedo.
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CRÔNICA:FUTEBOL E MEMÓRIA

O Primo Cássio: do Santos para o Céu

Gilson Nogueira

Um dia, criança, no Estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, antes da sua primeira ampliação, meu coração
vermelho ganhou o azul e o branco, por conta da primeira vez que vi o Esporte Clube Bahia entrar em campo.
Tornei-me, ali, em companhia de meu saudoso pai, tricolor de corpo e alma, Bahia até a morte. Por isso, até hoje, quando meu time atua, antes de torcer, com a emoção correndo nas veias, rogo aos céus proteção e vitória. Faço o mesmo com o Santos Futebol Clube, o Leão do Mar, da cidade de Santos, em São Paulo, que tenho, junto ao Fluminense do Rio de Janeiro, como meu segundo time.

No Santos, em plena Vila Belmiro, lotada, carregando uma baleia de contentamento, aplaudi, no final da década de 1950, meu querido e inesquecível primo Cássio, que acaba de morrer, dia 5, aos 79 anos, vítima de complicações provocadas pelo Mal de Alzheimer.

Choro, em preto e branco, sua partida,sabendo que Deus escalou Cássio, como homem de fibra, na Seleção do Céu.Em conseqüência da saudade dele, afloram lembranças dos anos em que o Santos hospedava-se no antigo Hotel da Bahia, ícone da Salvador elegante e hospitaleira, e o grande Cássio, zagueiro que conduziu Pelé a pisar pela primaira vez no campo da Vila, tinha, por mérito, permissão para almoçar lá, em casa, em Nazaré, em festa familiar regada a moqueca de peixe vermelho e feijoada, com o tempero divino da saudosa Bebé.

Tempos de adoração ao representante da família no melhor time do mundo. Menino, com os primeiros fios de bigode avisando a chegada, fazia da sala de jantar tribuna de honra. Até ali eu era o Santos. Na Fonte de Todas as Glórias do Esquadrão de Aço, Marito, Alencar, Léo, Mário, Biriba e companhia.Vestia a camisa do Esquadrão de Aço por dentro de mim. Hoje, tendo a lágrima a esquiar saudade de meu chapa Cássio, e recordações dos anos de torcedor de arquibancada de pura vibração do povo, curto o prazer de registrar que a emoção de gritar gol do Bahia, sozinho, nos primeiros degraus de cimento da Fonte Nova de vendedores derolete de cana, pipoca e de outros atrativos ao paladar, no gol da entrada do estádio, de cara para o Dique do Tororó, perto do gramado, era uma benção dominical. Eu ouvia a rede fazer chuá, como a sua irmã do basquete, a bola sorrir e chorar, e uma voz, ofegante, dizendo-me: “Meu filho, aproveite, vai chegar a hora em que isso tudo, aqui, irá mudar. Nada é para sempre. Você crescerá, esse estádio poderá ser demolido, o futebol mudará.Até você. Prepare-se!”

Testemunha ocular de mudanças de todos os tipos no futebol, em que os fundamentos do esporte confundem-se com a ganância do marketing, percebo que o Bahia segue apaixonante, seus torcedores cada vez mais fiéis ao bicampeão brasileiro. Alguns deles sentimentalmente derrotados, por não terem tido a oportunidade de presenciar, ao vivo, as fintas de Marito, o endiabrado ponta que, antes de partir para a Eternidade, encontrei, faz tempo, com a sua mulher, sentado, em um banco de pinho, na Avenida Centenário, sob a sombra de um pé de araçá. “ Marito, o futebol não é mais o mesmo. Nem o jeito de torcer é igual!” Marito sorriu, em silêncio, para nunca mais. Como Cássio, antes da doença. PQP!!!

Gilson Nogueira, jornalista, é colaborador da primeira hora do BP.

jun
29
Posted on 29-06-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-06-2014


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Luscar, hoje, no portal de humor A Charge Online

http://youtu.be/7Jo6X2v91IE

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COLOMBIA: PAIS BENDITO POR SU NATURALEZA, MUJERES, PLATOS TIPICOS, FOLCLOR, VALLENATO, MONTAÑAS Y LA MEJOR MUSICA DEL MUNDO….VIVA LA CUMBIA
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AMANECIENDO
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SANTO DOMINGO
AVE PA’ VE
LA NEGRA CELINA
CONCHITA
CUMBIA SABROSA

(NESTIN MORENO)

BOM DIA!!!


James:sensação da Copa brilha no Maracanã
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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS (EDIÇÃO BRASILEIRA)

Está no Brasil uma seleção chamada Colômbia, que joga como os anjos, fresca, divertida e harmônica, doce e nada enjoativa, venenosa quando ataca, tensa quando defende, deliciosa com a bola nos pés, a nova rainha do Maracanã. Não há dúvida de que é a herdeira daquela geração que tinha de conquistar os Estados Unidos depois de causar admiração na Copa da Itália. A Colômbia de Pékerman eliminou com uma beleza comovedora o briguento Uruguai. O jogo fui uma brincadeira de criança para a jovial e criativa Colômbia do excelso James Rodríguez.

A Colômbia tem uma equipe estupenda e, por enquanto, o jogador da Copa. James está acima de Messi e Neymar. Não apenas porque marcou mais gols, mas porque a maioria dos seus cinco tentos foram obras de arte, principalmente os dois do Maracanã. O 1 x 0 serviu para atestar a qualidade do próprio James e o 2 x 0 definiu a soberba atuação global colombiana, o sentido de equipe, a fluidez do jogo, a música do futebol, a capacidade para visualizar a partida e encontrar a fresta para fazer o passe e o gol. A bola assovia na Colômbia.

O Uruguai ficou mais bem retratado do que nunca ante a Colômbia. Os charruas afirmam que não precisam da bola. Jogam com unhas e dentes, principalmente quando se trata de derrotar um campeão do mundo, seja a Inglaterra ou a Itália, ou quando devem conquistar um estádio mítico como o Maracanã, contra o Brasil. A garra celeste aumenta em proporção do desafio que se apresenta, de maneira que perde grandeza quando enfrenta um rival aparentemente menor. Assim aconteceu contra a Colômbia. A saída de Luis Suárez foi fatal.

A Colômbia –por outro lado– é um encanto de equipe, admirável pela maneira de trabalhar a bola e de se organizar sem nenhum ruído, tão silenciosa que inclusive se escuta o toque-toque de seus delicados meio-campistas, jogadores excelentes como Cuadrado e James. Ambos arrancam desde o drible, sua condução de bola é suave e desequilibrante porque elimina rivais, e seus passes para os atacantes são diretos e precisos.

Cuadrado foi um artista, arrebatador pelas laterais, tanto que os falsos laterais charruas o deixaram com uma marca em cada jogada, a maneira mais dissuasória de defender o próprio campo, e ainda mais no Maracanã. Os uruguaios utilizam igualmente os ombros, os cotovelos, os joelhos e as pernas, a cabeça e os dentes, irredutíveis no corpo a corpo, intimidadores para deter a Colômbia. Os colombianos, por seu lado, se valem de sua carroceria para armar a perna e chutar a gol como aconteceu no tiro monumental de James Rodríguez.

O volante do Mônaco recebeu a bola da cabeça de Abel Aguilar. Ninguém estava olhando para o gol de Muslera, salvo James Rodríguez. Mesmo de costas para as traves, aninhou a bola no peito com um soberbo controle orientado, seu tronco foi girando enquanto rodava a bola para ficar de frente para o goleiro e mandar sem parar uma patada de esquerda para a base do travessão do goleiro do Uruguai. A bola bateu na base do travessão, quicou atrás da linha de meta e entrou maneira majestosa ante o assombro do Maracanã. James tinha decidido chutar antes de receber de Aguilar.

Os movimentos do atacante colombiano delataram que ele já tinha o gol na cabeça antes de chutar contra Muslera. Os gestos técnicos dos rapazes de Pékerman contrastavam com a coragem dos guerreiros de Tabárez. De um lado se jogava com agressividade, escondendo e mostrando a bola, se ganhava o campo com futebol; do outro, ao contrário, se defendia o campo e se arrebentava a bola, à espera de uma jogada episódica, um escanteio ou uma falta, ou um erro da zaga contrária –que se multiplicava com o apoio da Rocha Sánchez e se enchia de orgulho com as saídas de Zúñiga.

Durante alguns instantes, para resgatar o Uruguai, apareceu Cavani, obrigado a jogar por dois com a ausência de Luis Suárez, pois Forlán mostrou estar fora de forma. Cavani não alcançou a bola em um chute de González na única ocasião clara de gol do Uruguai. A ação foi até ridícula quando comparada com a jogada do 2 x 0 da Colômbia. Cuadrado começou a jogada na direita com um excelente toque e a terminou com uma assistência de cabeça para a chegada do infalível James. A bola foi de lado a lado, bem tocada por Jackson, melhor centrada por Armero, arrematada por James.

O golaço transtornou o Uruguai, que nem com as mudanças encontrou a maneira de entrar no jogo, controlado pela Colômbia, resguardada em Ospina. A Colômbia provoca admiração não apenas pela maneira de atacar, mas também pela maneira como se defende, com calma, sem estridências, de forma natural, apoiada na técnica de seus jogadores explosivos e cheios de fibra. Os comandados de Pékerman, invicto na Copa do Mundo, têm muita mobilidade. A Colômbia não podia ter melhor presente para celebrar sua histórica passagem às quartas pela primeira vez na vida do que enfrentar o Brasil.

Brasil x Colômbia, a sociedade James Rodríguez-Cuadrado contra a solidão de Neymar, violinos contra tambores, ainda soa a música dos colombianos no Maracanã. Os rapazes de Pékerman não apenas jogam bem como os de Maturana, mas, além disso, ganham com gols magistrais de James Rodríguez, o novo ídolo do país de Higuita e Valderrama e da autêntica cumbia do futebol.

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