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Deu no Blog Terra Magazine

POR SÉRGIO RODAS OLIVEIRA

Terra Magazine- SP

O senador e ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP) anunciou nesta segunda-feira (23) que não irá concorrer à reeleição nas eleições de outubro, encerrando, na prática, a sua trajetória em cargos públicos. Embora Sarney tenha divulgado publicamente que a razão de encerrar a sua carreira política se deva à saúde frágil de sua mulher, o motivo verdadeiro parece ser outro: o medo de perder a reeleição ao Senado, que inclusive teria sido confidenciado por ele a aliados.

Na opinião do jornalista Palmério Dória, o legado que Sarney deixa para o Brasil é extremamente negativo.

“Tenho a impressão de que a melhor coisa que ele [José Sarney] fez na vida pública foi ir embora, voltar para casa. (…) Eu não consigo ver nenhum saldo positivo na figura dele. Eu só consigo ver nele aquilo que eu te falei: um cara que atrasou o processo brasileiro”, opina Dória.

Repórter experiente, Palmério atuou em veículos como “Estado de S. Paulo”, “Folha de S.Paulo” e “Rede Globo”. É autor de diversos livros, sendo dois sobre a família Sarney: “A candidata que virou picolé” (Casa Amarela), sobre a candidatura fracassada de Roseana Sarney à presidência, em 2002, e o best-seller “Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na Era Sarney” (Geração Editorial), sobre os métodos usados pelo clã para dominar o poder, tanto no Maranhão, quanto no plano federal.

Em entrevista ao Terra Magazine, Palmério Dória atribuiu a miséria do Maranhão ao clã Sarney, se mostrou esperançoso com a possibilidade de renovação nesse estado e no Amapá nas eleições de outubro e relembrou as agressões de aliados dos Sarney nos lançamentos de “Honoráveis Bandidos” ocorridos em São Luís e Imperatriz, em 2009 e 2010, respectivamente.

Trechos da entrevista abaixo.

Segunda-feira (23), o senador José Sarney (PMDB-AP) anunciou que desistiu de concorrer à reeleição ao Senado em outubro.

Palmério Dória: Enfim ele fez algo de bom para o Brasil, né? Vai para casa, né?

Qual é o legado que José Sarney deixa para o Brasil?

Eu acho que o Sarney é uma caricatura hoje em dia. Tenho a impressão de que a melhor coisa que ele fez na vida pública foi ir embora, voltar para casa.

O legado dele é só negativo então?

Eu não consigo vê-lo como político, como escritor. Para mim, é um homem sem qualidades. Ele não é tudo aquilo que ele imaginava ser agora nesses últimos tempos, que era um cara da transição. Eu não consigo ver senão uma caricatura, uma piada do José Simão, alguma coisa desse tipo, trágica. Eu não consigo ver nenhum saldo positivo na figura dele. Eu só consigo ver nele aquilo que eu te falei: um cara que atrasou o processo brasileiro.

O que o senhor acha que a aposentadoria do José Sarney vai mudar na política nacional?

O Sarney durante esse tempo se credenciou como uma espécie de que, se a turma dele não fechasse com algum governo, de maneira geral, o sistema cairia. Então, eu acho que um equilíbrio, ou desequilíbrio, que passa a vigorar, né? Porque não é só a saída do Sarney, é a saída de sua turma. O Sarney coordena uma turma unida, que garantiu a eles o domínio do Senado. Você lembra que o Renan [Calheiros, presidente do Senado pelo PMDB] garantiu a sobrevivência do Sarney naquele momento de fogo cruzado, em 2009. Depois, o Sarney retribuiu com a mesma consideração quando o Renan se viu em situação semelhante. Então, isso tem muito a ver, sim, com o jogo de poder, que altera esse poder.

Leia íntegra da entrevista de Palmério Dória no Blog Terra Magazine

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