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ARTIGO/SELEÇÃO

O nó

Gilson Nogueira

Ah, essa coisa chamada Comunicação, quantos nós dá na cabeça de quem busca decifrá-la, hoje, mais que antes, com o extraordinário avanço dos meios de Comunicação! É uma viagem!

Procuro desatar um dos nós, quando penso ser ela, exatamente agora, o problema maior da Seleção, na Concentração. Ou seja, muita comunicação, que prejudica a concentração. Ou não?

É muita comunicação a atrapalhar o que o grupo (argh!), ou melhor, o time, o time do Brasil !!!,precisa. Ou seja, mais concentração e menos comunicação, como o fato de ter o escrete que ficar ligado no que vai ter que dizer ao mundo exterior, como, por exemplo, com que pé determinado jogador marcou o gol no treino, o que fulano está pensando no instante em que um microfone intercepta seus passos, a caminho do chuveiro.

Fora o contaminante desejo de acompanhar, em tempo integral, o que estão dizendo do escrete, os convocados que foram para a cama com seus celulares que só faltam calçar-lhes as chuteiras, perdem, com isso, a concentração. E haja massagem no ego de cada um. A imagem tomar o lugar da bola.

Você ficou bem na foto, Felipão?.

E você, Marcelo, e você Neymar Jr, e …?

Os meus sentidos de torcedor apontam que, por conta dessa coisa chamada Comunicação, um simples chute errado de um determinado integrante da equipe titular do Brasil, ao saber que está sendo filmado, poderá fazer com que ele, por conta disso, arquitete gesto que não encenaria caso sozinho estivesse, ele, com seus companheiros de equipe e sua comissão técnica.

É muita comunicação e vontade de aparecer, no momento em que o recolhimento e o silêncio devidos seriam grandes conselheiros, diriam craques do passado e do presente.

Muito barulho, muito movimento, muito endomarketing, muita tecnologia, muita promoção, do café da manhã ao momento de ir dormir, atrapalham a preparação. Pesam na hora do vamos ver. Interface tecnológica, demais, propaganda demais, em um momento como esse, agora, em que o selecionado canarinho precisa se entender mais e melhor, por música, atrapalha, desvia o foco da rapaziada na granja da CBF.

Se longe da sua torcida estivesse, talvez, o Brasil transmitisse mais fortemente a idéia de conjunto, de que tem tudo para chegar ao Hexa. O isolamento necessário é fundamental, para a afinação da equipe titular e de seus reservas. Está na hora de mudar!

A continuar esse show de entrevistas, resenhas e muitos torpedos cibernéticos, o Brasil corre o risco de chorar, de novo, em casa.

Gilson Nogueira, jornalista, é colaborador de raiz do Bahia em Pauta

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