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O centroavante Miroslav Klose marcou o gol de empate da Alemanha neste sábado (21) diante de Gana e igualou os 15 gols em Copas do Mundo de Ronaldo Fenômeno. Agora, os dois são os maiores artilheiros da história dos Mundiais – sendo que o alemão poderá desempatar ainda nesta Copa. A Alemanha faz pelo menos mais um jogo, contra os EUA, na última rodada. Líder do grupo, ainda tem boas chances de classificação.

Klose tem começado as partidas no banco. Contra Portugal, quando a Alemanha goleou por 4 a 0 na Arena Fonte Nova, o atacante não foi acionado. Hoje, contra Gana, jogou pela primeira vez no Mundial e precisou de poucos minutos para deixar sua marca.

Curiosamente, o rival que levou o 15º gol de Klose em Copas também foi quem levou o 15º gol de Ronaldo. Em 2006, na Copa da Alemanha, o brasileiro balançou as redes contra Gana.

Klose tem gols em quatro Copas diferentes – com isso, se igualando ainda a Pelé e ao também alemão Uwe Seeler, se tornando o terceiro jogador a balançar as redes em quatro Mundiais.

Gols em Copas
A história de Klose em Copas começou em 2002, quando ele marcou cinco vezes. Em 2006 foi seu grande momento. Ele foi o artilheiro da Copa com outros cinco gols. Em 2010, foram “apenas” quatro.

Aos 36 anos, o Mundial do Brasil será o último de Klose. O centroavante já anunciou que vai se aposentar da seleção alemã ao fim da Copa.

Miroslav Klose marcou seu 15º gol em Copas (Foto: AFP)

Artilharias das Copas

1) Miroslav Klose (ALE) / Ronaldo (BRA) – 15 gols
2) Gerd Muller (ALE) – 14 gols
3) Just Fontaine (FRA) – 13 gols
4) Pelé (BRA) – 12 gols
5) Sandor Kocsis (HUN) / Jurgen Klinsmann (ALE) – 11 gols

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CRÔNICA

Dilma e os picolés de Senegal

Janio Ferreira Soares

Passava um pouco das 22 horas da quarta-feira, 11/06, quando conseguimos ligar o enorme telão montado na Vila do Forró. Logo após, Reginaldo, um simpático baiano da empresa que o instalou, começa uma silenciosa batalha para sintonizar um canal digital que vagueia pelos ares de Paulo Afonso. Depois de várias tentativas, finalmente Regi consegue capturá-lo e, como num prenúncio de um sonho bom, a primeira coisa que surge na tela é o sorriso de Bruna Marquezine. Muitos curiosos se aproximam, elogiam a qualidade da imagem e perguntam por que a novela está sem som. Explico que é apenas um teste e eles seguem em frente.

Perto da meia-noite, com a Vila praticamente vazia, sento próximo a uma casinha cenográfica e fico observando o clarão dos pixels iluminando centenas de bandeirolas que, quando açoitadas pelos ventos invernais, sibilam freneticamente como se fossem pássaros de plásticos querendo ganhar os céus do sertão. De repente ouço uma voz metálica vinda do nada. É o velho Senegal, uma folclórica figura dessas bandas, que vive com um megafone na mão e uma cartela de tarja preta no bolso. Ele pergunta o nome da garota que está decorando uma barraca e ela, desconfiada, responde: “Giza”. Ele então liga o megafone e diz que vai recitar uma de suas poesias inspiradas em velhas canções. “Giza, eu te conheço não sei de onde. Não sei se foi no ônibus da Rua da Frente ou numa boutique da Rua São Francisco. Te lembra, Giza, daquele sorvete de João Mariano? ”. A nova “Menina do Lido” sorri, e Senegal, antes de sumir na noite com a mobilidade de um astronauta de mármore, promete voltar pra vender picolés na hora do jogo.

A quinta-feira amanhece como se a chuva e o sol disputassem um concurso de quadrilhas conduzido por alguém do Clima Tempo (“adiante, cavaleiro solar, solta teus raios pra mostrar quem é o rei do firmamento! ”). (“Volta, dama da garoa, pra trazer sustança a este sertão sofredor! ”). Caminhões descarregam caixas e mais caixas de cervejas e alguns barraqueiros reclamam da energia; das barracas; de São Pedro; de Deus; do mundo. Regi se aproxima com um monte de fios e um cigarro entre os dedos. Pergunto-lhe se está tudo certo e ele, soltando fumaça pelo canto da boca como um personagem de um filme francês rodado no Pelô, responde: “bote fé, papá! ”.

O som é ligado e uma voz dá início ao famigerado “alô, som, 1, 2, 3, tss, tss, testando! ”. Imediatamente me lembro de quando meu tio Lindemar foi vender sua velha difusora e assim que o comprador começou com essas mugangas, ele, sem aguentar a chatice, falou: “pode levar, pode levar, que depois a gente acerta qualquer valor”.

Perto das 16 horas Galvão Bueno chama o indefectível Olodum e, não sei se pelo déjà vu ou pela apreensão da estreia, tenho a impressão de ter visto o plasma de Michael Jackson flanando entre tambores, baquetas e dreadlocks. A chuva dá uma trégua e os torcedores começam a chegar com suas bandeiras e vuvuzelas. Araucárias de araque desfilam trôpegas sobre o psicodélico piso do Itaquerão, enquanto Dilma é xingada pela torcida. Senegal encosta e diz, baixinho: “esse pessoal não sabe com quem tá mexendo. Tenho informações de que Dilma é faixa preta Shotokan. Repare só no seu olhar de ninja! ”, e sai anunciando seus picolés no velho megafone com as alcalinas pedindo penico: “pra Croácia tem de mangaba; pra Felipão tem de limão; e pra Neymar tem de cajá”. Acredito que, em solidariedade a uma assustada presidente, ele não arriscou nenhuma rima com os de caju e os de umbu.

jun
21
Posted on 21-06-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-06-2014

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MULHERES DE CHICO, O SETENTINHA

Maria Aparecida Torneros

A cada primavera do Chico imagino que ele incorpore uma nova mulher. Ao completar setentinha como um artista tao querido e tao talentoso, ele se destaca por muitos predicados mas um sobressai e me intriga. Suas abordagens femininas são um sucesso de sensibilidade e fazem crer no alto grau do seu talento ao personificar as mazelas emocionais da mulherada.

Olhos nos Olhos na interpretação de Maria Bethania foi um Marco desta personificação emblemática.

Outra genialidade do compositor carioca mangueirense e amante do futebol está na cancão imortalizada por Gal Costa quando canta Se acaso me quiseres sou dessas mulheres Que só dizem sim.

O charmoso Chico chega aos 70 com jeito de meninão, Já nos proporcionou um sem numero de emoções inesquecíveis. Elis sussurrando a dor da mulher abandonada em Atras da porta é antológica.

Cantando Chico cada uma de nós se sente compreendida, representada e até vingada. Homem cuja poesia musical nos conforta e nos dá a sensação de bem amadas.

Um brasileiro integrado a sua geração que nos orgulha. Chico faz parte do nosso patrimonio cultural em termos de musica, literatura, ideologia, brasilidade e muito mais. Entretanto, seu pungente lado feminino talvez seja mesmo o segredo maior de sua magia. Vida longa a Chico Buarque do Brasil !

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, é editora do Blog da Mulher Necessária

jun
21
Posted on 21-06-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-06-2014


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Aroeira, hoje, no jornal O DIA (RJ)

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ARTIGO DA SEMANA

Justiça e Política: Encruzilhadas de Joaquim Barbosa

Vitor Hugo Soares

“Pessoal, familiar e empresarialmente, sobretudo em política, não se pode ser absorvido por bugigangas. Quem só cuida de coisas pequenas, torna-se pequeno. A ninharia é o ofício do pigmeu e o venenoso terreno dos répteis e das fofocas”.

(Ulysses Guimarães, uma das 100 frases recolhidas e selecionadas por dona Mora, publicadas no livro “Rompendo o Cerco”)

Diante da notícia da renúncia, esta semana, do ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, aos encargos de todas as execuções penais do Mensalão e dos demais processos vinculados à Ação Penal 470, é inevitável relembrar ensinamentos do Decálogo do Estadista. Refiro-me, evidentemente, aos mandamentos da notável criação do deputado Ulysses Guimarães, publicados no livro “Rompendo o Cerco”.

Editado pela Paz e Terra em 1978, portanto nos anos de fogo do combate democrático à ditadura em seus estertores , logo em seguida ao histórico episódio dos cães e das baionetas para reprimir o ato comemorativo do 1º de Maio, em Salvador, com as presenças de Ulysses e Tancredo. Trata-se, ainda, de leitura mais que recomendada.

Principalmente neste tempo confuso e temerário de futebol misturado com jogos de poder. Encruzilhadas políticas, jurídicas e de muitos outros tipos mais, que se embaralham no País e apontam para caminhos contraditórios e ainda insondáveis.

Ao decidir afastar-se dos encargos do processo AP470 e de aplicador das penas aos réus condenados do Mensalão, o ministro Barbosa assinou um documento com graves considerações. Começa por afirmar que “vários advogados” que atuam nas execuções penais do processo, sem precedentes na história da justiça brasileira, deixaram de se valer de argumentos jurídicos e passaram a atuar “politicamente” na esfera pública, com insultos pessoais contra o relator.

“Assim, julgo que a atitude juridicamente mais adequada neste momento é afastar-me da relatoria de todas as execuções penais oriundas da AP470 (Mensalão)”, anunciou o ministro no documento de renúncia, produzido às vésperas de Joaquim Barbosa deixar o comando da Suprema Corte de Justiça do Brasil e o próprio exercício profissional, em razão de aposentadoria precoce anunciada para o fim deste mês de junho.

Entre a política e a justiça, uma encruzilhada e tanto se anuncia para o futuro de um dos mais polêmicos e notáveis homens públicos do País na atualidade.

O Nono Mandamento do Decálogo do Estadista, segundo Ulysses, é AUTORIDADE. Está escrito no livro que este é um atributo inato. É consubstancial ao político e ao homem público. “A competência funcional é dada pelo cargo, a autoridade é pessoal, o homem público é gratificado por ela. É imantação misteriosa e sedutora, irresistível, temperada de respeito e admiração. Homem iluminado pela autoridade é visto por todos, ouvido por todos, onde está é pólo de atração” , diz o enunciado do mandamento.

No livro “Rompendo o Cerco”, o autor dá exemplos concretos. – Quando o presidente de Portugal, Craveiro Lopes, visitou o Brasil, conta Ulysses, sua esposa me disse que em concorrida reunião no Palácio São Bento, em Lisboa, de repente “sentiu”, embora sem vê-lo, que na sala entrara alguém. “Era o presidente Juscelino Kubitscheck que acabara de chegar”.

Líder da oposição ao Governo Ademar de Barros, em São Paulo, Ulysses conta que foi ao Rio de Janeiro com Marcondes Filho, presidente do Senado. Juntos foram ao Catete. Quando saiu do gabinete do presidente Café Filho, o senador Marcondes estava furioso: “Já disse ao Café Filho, que presidente da República também é ritual. Ele não pode admitir a liberdade a que se deu o senador Georgino Avelino, dependurando-se em seu ombro. Com Getúlio Vargas ninguém teria essa coragem”, desabafou o então presidente do Senado.

“É o poder de comandar com o olhar. A autoridade promove a pessoa em autoridade”, assinala Ulysses Guimarães, ao finalizar o enunciado do nono mandamento de seu decálogo.

E o que diabos isso tem a ver com a renúncia, esta semana, do relator do Mensalão e a saída do ministro Joaquim Barbosa da presidência da Corte Suprema , anunciada para os próximos dias?

Pergunto e arrisco uma resposta: Tudo ou quase nada, a depender do que virá depois de sua saída no comando e nas atitudes da Corte e da política brasileira. Dependerá, também, evidentemente, dos próximos passos de Barbosa diante das encruzilhadas postas agora em seu caminho.

Em tempo: O primeiro mandamento do Decálogo do Estadista é CORAGEM

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta.E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

DEU NO SITE DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO-TCU

Na quarta-feira (18), o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou cautelarmente que a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB) não libere pagamentos, formalize rescisão, aceite definitivamente obras ou dê por concluído o contrato que mantém com o consórcio responsável pelo fornecimento e implantação dos sistemas de sinalização, controle e telecomunicações no âmbito das obras de construção do metrô de Salvador.

Em trabalho de auditoria anteriormente realizado pelo tribunal, foram apurados fortes indícios de sobrepreço. Como consequência dessa apuração, foi determinada a retenção cautelar de 7,5% do valor total do contrato celebrado com o consórcio, para garantir o ressarcimento ao erário. Esse montante retido, que totalizou R$ 4,2 milhões, correspondeu a pagamentos que a CTB deixaria de fazer às empresas executoras das obras.

Posteriormente, o TCU permitiu a liberação dos pagamentos retidos, após a apresentação de garantias idôneas pelas empresas do consórcio. Em janeiro de 2014, no entanto, o banco garantidor informou à CTB que suspenderia formalmente a eficácia da carta de fiança e que deixaria de assumir integralmente os riscos dela emanados, em razão da ausência de pagamento da comissão de fiança referente ao risco contratual, vencida em dezembro de 2013.

O saldo de valores a pagar (medidos e não pagos) do referido contrato, que poderiam representar alguma garantia de ressarcimento, é de apenas R$ 339.859,78, montante bastante inferior àquele estabelecido nas retenções originais.

Além da garantia dada para liberação dos recursos não ter sido honrada, a unidade técnica noticiou, também, que não foram honrados os pagamentos de manutenção das garantias de execução e de adiantamento contratual, ambas estabelecidas pela Lei 8.663/93 e constantes do contrato.

A decisão do TCU será mantida até que: (a) sejam resolvidas as pendências quanto à eficácia e quanto à retificação das cláusulas das garantias dadas em contrapartida à liberação dos pagamentos retidos; (b) sejam integralmente restauradas em valores e eficácia as garantias contratuais relativas à execução e ao adiantamento; e (c) sejam excluídas, das cláusulas do contrato, quaisquer disposições que possam impedir, após o termo final do ajuste, a manutenção das garantias relacionadas dadas em contrapartida à liberação do pagamentos retidos.

O relator do processo, ministro-substituto Augusto Sherman, mencionou que a não restauração imediata da eficácia das garantias relativas ao contrato poderá ensejar a decretação de indisponibilidade dos bens necessários para garantir o ressarcimento de eventuais débitos.

O contrato de fornecimento e implantação dos sistemas de sinalização, controle e telecomunicações, no âmbito das obras de construção do metrô de Salvador, no Estado da Bahia, teve valor original de R$ 55,5 milhões. O empreendimento foi conduzido, inicialmente, pela Companhia de Transportes de Salvador CTS, com recursos repassados pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos –CBTU. A CTS passou à esfera do Governo da Bahia, e mudou sua denominação para Companhia de Transportes do Estado da Bahia – CTB.

Serviço:
Leia a íntegra da decisão: Acórdão 1605/2014 – Plenário
Processo: 007.463/2014-6
Sessão: 18/6/2014

http://youtu.be/FrGBKxl5mnM

“C`est Formidável” é a composição tema da revista musical comemorativa dos 100 anos do Moulin Rouge. Vi uma apresentação em Paris e foi uma experiência realmente memorável e formidável, na plenitude da expressão.
Lembrei da música ontem, durante a espetacular apresentação da seleção francesa na Fonte Nova, em Salvador, na goleada de 5 a 2 aplicada na Suíça.

Compartilho a emoção com leitores e ouvintes do BP. Confiram.

(Vitor Hugo Soares)

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