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DEU NO ESTADÃO

Tiago Décimo

Na Bahia, Estado onde a presidente Dilma Rousseff obteve sua maior vantagem de votos em 2010 (2,8 milhões), caberá a um neófito em disputas majoritárias tentar manter o domínio do PT no maior colégio eleitoral do Nordeste – com 10,1 milhões de eleitores – diante de uma oposição reforçada.

Após a celebrada vitória nas eleições municipais de 2012, nas quais conquistou o comando das duas maiores cidades do Estado, Salvador (com Antônio Carlos Magalhães Neto, o ACM Neto) e Feira de Santana (com José Ronaldo), o DEM aposta na experiência e no amplo conhecimento do eleitorado sobre o ex-governador Paulo Souto, que parte para a quarta eleição consecutiva ao governo – ele venceu em 2002 e perdeu em 2006 e 2010.

Escolhido pelo governador Jaques Wagner (PT), o pré-candidato petista, Rui Costa, tem o desafio de se fazer conhecido e ainda patina nas pesquisas eleitorais, lideradas com folga por Souto.

O PSB terá como candidata a ex-prefeita de Salvador Lídice da Mata (PSB). Influenciada pela direção nacional de seu partido, a senadora deixou a base do governo baiano, apesar de ser aliada histórica do PT no Estado, para garantir palanque na Bahia ao presidenciável do partido Eduardo Campos.

‘União das oposições’. O bloco de apoio ao pré-candidato do DEM terá o reforço do PMDB. Rompido com o governo Wagner desde 2008, o partido lançou candidatura própria em 2010, com o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima. O líder local da legenda, porém, abriu mão de disputar o cargo novamente em prol da chamada “união das oposições”.

Geddel será o candidato ao Senado pela coligação, que dará palanque no Estado ao presidenciável tucano Aécio Neves. O PSDB vai ocupar a vice na chapa com Joaci Góes. A aliança ainda conta com o Solidariedade, PV, PPS, PRP, PSDC, PT do B, PPL, PTC, PMN, PEN e PHS. ACM Neto segue negociando, pessoalmente, os apoios de PRB e PSC à candidatura de Souto. “Existe um desejo de mudança na população e as condições desta campanha são melhores que as que tive, em 2010”, disse o prefeito de Salvador.

A principal diferença, de acordo com ele, está na divisão do tempo da propaganda eleitoral em rádio e TV. Na eleição de 2010, ACM Neto contava com cinco minutos para as inserções, enquanto seu principal adversário, o deputado Nelson Pellegrino (PT), tinha aproximadamente 14 minutos. As projeções indicam que, este ano, Souto terá em torno de seis minutos e Rui Costa, dez minutos.

O PSB tenta articular apoios no Estado – a vaga de vice segue aberta -, mas tende a ser um voo solo. A candidata ao Senado pelo partido é a ex-corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon.

A Bahia garantiu a Dilma uma vantagem de cerca de 2,8 milhões de votos sobre o tucano José Serra em 2010, a maior entre todos os Estados. Mas causou desconforto em parte do PT e em partidos aliados no Estado a escolha de Jaques Wagner. O governador, que completa seu segundo mandato, fez valer sua ascendência local sobre a legenda para impor o nome de Rui Costa, seu ex-secretário da Casa Civil.

Também disputavam a indicação o ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli, o preferido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador Walter Pinheiro. O Solidariedade deixou a coligação após a definição pelo nome de Rui Costa.

Escudeiro de Wagner desde os tempos em que o governador liderava o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica da Bahia (Sindipetro), na década de 1980, Rui Costa, de 51 anos, goza de sua total confiança. O jeito introvertido e os problemas de dicção não o auxiliam na missão de cativar a população. Para tentar driblá-los, o pré-candidato petista está recorrendo a sessões de fonoaudiologia e treinos de oratória – além disso, os até então inseparáveis óculos de grau foram tirados de seu figurino.

‘Pai do PAC na Bahia’. Deputado federal pelo PT que mais recebeu votos na última eleição (212 mil), Rui Costa tem assegurado o apoio de sete partidos (PSD, PP, PDT, PTB, PC do B, PRB e PSL) e está presente em praticamente todos os eventos oficiais do Estado desde meados do ano passado. Para vitaminar a candidatura petista, o governo tenta atribuir a Costa algumas das grandes obras realizadas na Bahia nos últimos anos, como a tão esperada inauguração do primeiro trecho do metrô de Salvador, realizada na quarta-feira passada, após 14 anos de construção. “Foi ele o principal responsável por destravar a obra”, garante Wagner. Durante o evento, Dilma reforçou o coro, e chamou Costa de “pai do PAC na Bahia”.

A mesma pesquisa, porém, dá ampla vantagem à candidatura de Dilma no Estado. A presidente, de acordo com o estudo, tem 50% das intenções de voto na Bahia, enquanto o tucano Aécio Neves tem 12% e Eduardo Campos, 7%. “Queremos aumentar a diferença de votos a favor da Dilma nesta eleição, para 4 milhões”, afirma Rui Costa.

“Metade da população ainda não conhece o Rui e essa taxa de desconhecimento é positiva em qualquer campanha”, argumenta o governador Jaques Wagner, que enfrentou um segundo governo conturbado – com direito a duas rumorosas greves da Polícia Militar, em 2012 e neste ano -, e fez malabarismos para tentar manter a base praticamente inalterada para a eleição. Entre outras articulações, ele abriu mão da disputa por uma vaga no Senado para acomodar o ex-vice-governador Otto Alencar (PSD). Quem ficou com a indicação para vice na chapa foi o PP, com o deputado João Leão.

Também apresentaram pré-candidaturas ao governo baiano Rogério da Luz (PRTB) e Marcos Mendes (PSOL). Segundo o Ibope, eles têm, respectivamente, 2% e 1% de intenções de voto. A pesquisa foi registrada sob o número 00130/2014 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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