Orsoni: um político se afoga em Veneza
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Presidente da Câmara de Veneza,Giorgio Orsoni, abandonou o cargo esta sexta-feira, 13, em meio a uma investigação em larga escala sobre cerca de três dezenas de políticos e empresários italianos por suspeitas de corrupção, desvio de fundos e lavagem de capitais ligados ao megaprojeto para a construção de barreiras destinadas a proteger a histórica cidade das cheias

Orsoni , que tinha sido colocado provisoriamente em prisão domiciliar a 4 de Março, foi libertado ontem, depois de um acordo em que concordou com uma sentença de quatro meses que ainda deverá ser aprovada em tribunal mas que não se espera que inclua pena de prisão. Giorgio Orsoni declarou-se inocente.

Orsoni, eleito em 2010 pelo Partido Democrata (PD) do atual primeiro-ministro, Matteo Renzi, é suspeito de ter recebido vários milhares de euros de um dos consórcios envolvidos nas obras e que terão sido usados no financiamento da campanha eleitoral.

Na mesma operação foram detidos Renato Chisso, assessor para as Infra-Estruturas da região do Veneto e dirigente do Força Itália (o partido do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi), e Giampiero Marchese, líder regional do PD. Mas da lista constam também vários empresários e até um general reformado.

Igualmente acusado está o senador da Força Itália Giancarlo Galan, presidente da região do Veneto entre 1995 e 2010, antes de se mudar para Roma, onde foi ministro da Agricultura e da Cultura no último Governo de Silvio Berlusconi. Tido como um dos responsáveis pelo projeto de barreiras – conhecido em Itália pelo apelido de Mose (Modulo Sperimentale Elettromeccanico) –, Galan esteve ao lado do antigo primeiro-ministro na colocação da primeira pedra da obra, em 2003, mas só poderá ser detido se o Senado autorizar o levantamento da sua imunidade.

As detenções aconteceram três anos depois de a procuradoria de Veneza ter começado a investigar suspeitas de que uma fatia do dinheiro orçamentado para a obra – mais de cinco bilhões de euros – tinha sido desviado através de um esquema de faturas falsas para contas no estrangeiro. Os procuradores dizem ter descoberto o rasto a pelo menos 20 milhões de euros que foram posteriormente usados para financiamento ilegal aos partidos italianos.
No centro do esquema terá estado o antigo presidente executivo da construtora italiana Mantovani, Giorgio Baita, detido no ano passado juntamente com o engenheiro responsável pelo projecto, Giovanni Mazzacurati. Segundo o jornal La Repubblica, a ordem para o desvio de fundos partia de Baita e o dinheiro era levado pela secretária pessoal de Galan para San Marino, um paraíso fiscal dentro das fronteiras italianas, onde uma empresa financeira se encarregava de lhe limpar o rasto e de o canalizar para os seus destinatários.

Idealizado na década de 1980 e com data de conclusão prevista para 2016, o projeto Mose prevê a colocação de 78 barreiras móveis numa extensão de 20 quilómetros em redor de Veneza. O seu objectivo é proteger a histórica cidade dos cada vez mais numerosos episódios de acqua alta – quando a maré cheia faz as águas da lagoa e dos canais transbordar, invadindo as ruas e praças da cidade. A cidade, que no século XX se afundou 23 centímetros, está cada vez mais vulnerável face à subida do nível do mar.

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