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ARTIGO DA SEMANA

DILMA-MERKEL: O ENCONTRO CANCELADO

Vitor Hugo Soares

Foi cancelada pelo Palácio do Planalto, no começo da semana, a visita que a presidente da República, Dilma Rousseff faria a Salvador, no começo da segunda quinzena deste mês, para recepcionar a colega Ângela Merkel e assistir junto com a chanceler alemã o jogo Alemanha x Portugal, na Fonte Nova, na primeira fase da disputa da Copa do Mundo no Brasil.

O convite especial para a vinda de Merkel à Bahia fora feito, pessoalmente, pela presidente brasileira, e aceito de pronto pela primeira-ministra alemã. O cancelamento da vinda de Dilma para o evento esportivo, sem maiores explicações, foi confirmado pelo governador Jaques Wagner, indicado pelo Planalto para “cicerone” de Merkel (a expressão é da coluna política Raio Laser, da Tribuna da Bahia) em sua estada baiana.

Foi confirmada, porém, a presença da presidente da República em Salvador, uma semana antes do encontro cancelado para o jogo na Fonte Nova. Ela vem para o “comício eleitoral com vestimentas de ato administrativo”, que marcará o primeiro teste de “operação assistida” do Metrô de Salvador. Obra que se arrasta há 12 anos, consumiu mais de R$ 1 bilhão, atravessou várias campanhas eleitorais e agora, com a Copa e outra campanha nas ruas, terá teste festivo dos primeiros sete quilômetros de trilhos.

Amaldiçoado seja quem pensar mal dessas coisas, diriam os franceses.

No ranking mais recente das mulheres mais poderosas do mundo, da revista Forbes, a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, é a primeira colocada. Segue assim no lugar mais elevado do pódio das mandatárias do gênero no planeta, posto que ela mantém já há um bom tempo, com pequenas e breves oscilações. Sem favor nenhum, a primeira-ministra tem feito por merecer o destaque: por menos que se goste do seu jeito de liderar, de dizer ou fazer as coisas na política e administração de seu país, ou no conflagrado ambiente da União Europeia (UE), cada dia mais tenso e explosivo.

Mais abaixo, mas não tanto, está a presidente da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff. A brasileira ocupa o quarto lugar na lista atual das mulheres de poder e mando em escala planetária. Internamente, porém, atravessa situação bem diferente da colega alemã. Merkel, não faz muito tempo, saiu vitoriosa das urnas e segue recebendo aprovação e elogios quase gerais no front interno, política e administrativamente falando. Tem ainda o acatamento dos maiorais da UE, externamente.

Dilma derrapa. Sem muita eficiência e sucesso até aqui (a julgar pelos resultados concretos das recentes pesquisas de avaliação pessoal e de seu governo, além dos rumores cavernosos que de vez em quando vazam ao sigilo das portas fechadas das salas de reuniões no Palácio do Planalto). Tenta segurar o leme como pode e suas forças, em maré vazante, permitem.

Os solavancos políticos, financeiros e administrativos balançam a nau chamada Brasil, que ela tenta conduzir em mar turbulento e coalhado de tubarões, que parece ficar mais bravo e agitado à medida em que junho avança e se aproxima a abertura da Copa do Mundo. O evento que atrai os olhos do mundo e que os donos do poder brigaram para sediar por estas bandas de baixo da linha do Equador, em ano de eleições quase gerais. Incluindo a sucessão presidencial, em cuja campanha para manter-se no cargo a atual ocupante do Palácio do Planalto está metida até os dentes.

É isso, ao que tudo indica, que está na origem da decisão de cancelar a visita da presidente à Bahia, para recepcionar e assistir, ao lado de Ângela Merkel, a partida entre Alemanha x Portugal, na Fonte Nova, dia 16 de junho, um clássico do futebol que promete estremecer a primeira fase da Copa do Mundo no Brasil.

O encontro na capital baiana das poderosas Dilma e Merkel era cantado e aguardado como instigante atração, à parte, para olhos mundiais, atentos ao grande jogo (o português Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, também estará no estádio baiano), principalmente de alemães, portugueses, gregos e baianos que vão encher a Fonte Nova na data do confronto

Dilma “fez forfait”, como assinalou o jornalista Luis Augusto Gomes. Optou pela festa eleitoral do “teste do metrô”, programada pelo governador Jaques Wagner para o dia 11, para tentar dar um empurrão na campanha do candidato petista à sua sucessão, Rui Costa, que segue empacado no terceiro lugar nas pesquisas, com escassos 9 pontos percentuais. Atrás de Paulo Souto (DEM) com 40% e Lídice da Mata (PSB) com 11%.

No jogo Alemanha e Portugal o anfitrião de Ângela Merkel será o petista Wagner, por escolha de Dilma. “Não temo vaias”, disse o governador da Bahia, que não é candidato a nada nestas eleições de 2014. A Fonte é de Merkel.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 7 junho, 2014 at 9:32 #

Uma copa sem estrelas!

Corremos o risco face às sucessivas contusões. Cristiano Ronaldo, Soares, entre outros,na UTI, Rivery abatido.

Este o lado triste.

Mas…

Os Deuses do Futebol são carinhosos, cuidam de seus admiradores…

Assim…

Graças aos Deuses e ao cheiro fétido que exala dos nichos governamentais……..

Teremos uma Copa sem a estrela do PT!

Merkel merece esse alívio. A coitada ainda deve sentir o peso das andanças de braços dados com Sarkozy. Alguém lembra da bizarra figura usando sapatos com palmilhas gigantes enquanto obrigava Carla Bruni a usar rasteirinhas.

Dona Dilma, a outrora gerentona, vestirá vermelho, tal qual um salsichão na grelha, ligará a TV, com um saquinho de pipoca sem sal, em companhia de ………….ninguém menos que Mercadante……..castigo merecido….para alívio da platéia em geral.

Vida que segue!

Tim Tim!!!


luiz alfredo motta fontana on 7 junho, 2014 at 11:18 #

Caro VHS

Quer saber?

Ando triste pela ausência de humor na atual política. Dilma não faz rir, falta-lhe graça e leveza.

Éramos, antes mais nada, uma terra de chistes, de sátiras.

Perdemos o humor, perdemos a inocência, perdemos a virgindade, perdemos a vergonha na cara. Viramos “companheiros”, nos tornamos “galera”.

A corrupção cresceu, adquiriu bandeiras, vestiu-se de políticas sociais, tornou-se meta econômica, travestiu-se de poder.

Saudades de outrora, de ouvir e rir com Juca Chaves. Afinal Adhemar era pinto perto destas aves de rapina que hora ocupam o cenário.

Lembremos:

“Caixinha Obrigado”

(Juca Chaves)

A mediocridade é um fato consumado
na sociedade onde o ar é depravado
marido rico, burguesão despreocupado
que foi casado com mulher burra mas bela
o filho dela é político ou tarado
Caixinha, obrigado!

A situação do brasil vai muito mal;
Qualquer ladrão é patente nacional;
Um policial, quase sempre, é uma ilusão
E a condução é artigo racionado.
Porém, ladrão… isso tem pra todo o
Lado!
Caixinha, obrigado!

O rock’n’roll, nesta terra é uma doença,
e o futebol, é o ganha pão da imprensa
vença ou não vença, o Brasil é o maioral
e até da bola, nós já temos general
que hoje é nome de estádio municipal
Caixinha, nacional!

a medicina está desacreditada
penicilina, já é coisa superada
tem curandeiro nesta terra pra chuchu
Rio de Janeiro tá pior que Tambaú
e de outro lado, onde está o delegado
Caixinha, obrigado!

Dramalhão, reunião de deputado
é palavrão que só sai pra todo lado
Se um deputado abre a boca, é um
atentado
E a mãe de alguém é quem sofre toda vez
No fim do mês… cento e vinte de ordenado.
Caixinha, obrigado!

Aqui o link para o Juca:

https://www.youtube.com/watch?v=05Xw-jrQlIs

Fico aqui com meu espanto e tristeza.

A única coisa que mudou foi a ausência do humor. O resto?…Piorou, por óbvio.


jader on 7 junho, 2014 at 11:30 #

regina on 7 junho, 2014 at 15:28 #

Com razão o poeta, perdemos a graça!!!


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