Maravilhas: Musica, Dominguinhos e Nana.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Nayara Reynaud

Do Cineweb

“Que saudade matadeira eu sinto no meu peito. Faço tudo para esquecer, mas não tem jeito.” Este é só mais um dos muitos versos que Dominguinhos cantou e tocou com sua sanfona, transformando-a em um instrumento da saudade, sentimento que persiste no coração dos fãs do cantor, compositor e instrumentista desde sua morte em 23 de julho do ano passado. Uma emoção que deve ser reavivada em qualquer espectador do documentário “Dominguinhos”, que estreia nesta quinta (22).

Exibido na última edição do festival É Tudo Verdade, a produção conta com a codireção do montador e diretor de vídeos de peças teatrais Joaquim Castro, do pianista e compositor Eduardo Nazarian e da cantora Mariana Aydar. O trio conseguiu imprimir uma sensibilidade ímpar ao retrato da vida do sanfoneiro que respirava música igual ao ar que entrava no fole de seu acordeão, como sugerido em uma bela metáfora do longa.

O filme é sensorial, indo além dos arquivos e depoimentos, para transportar o público ao universo do músico. Isso, graças ao excelente desenho de som do próprio Joaquim e de Edson Secco —ambos já trabalharam com Paula Gaitan, que tem como característica a exploração dos sentidos em suas obras—, capaz de levar, logo nos primeiros minutos de exibição, o espectador de volta para o aconchego do sertão.

Os sons sertanejos se intercalam no meio da narrativa, quase cronológica, da vida de Dominguinhos.

Ele já havia sido retratado no documentário “O Milagre de Santa Luzia” (2008), de Sergio Roizenblit, no qual o instrumentista viaja pelo Brasil para mostrar as diferentes formas regionais de se tocar o acordeão e os principais sanfoneiros do país.

Mas agora o foco é só nele, por meio de entrevistas dadas pelo próprio compositor para a equipe do longa ou para programas televisivos —especialmente à TV Cultura, coprodutora do filme—, demonstrando logo que esta é uma história de Dominguinhos contada por ele mesmo.

A voz off do cantor nesses depoimentos é preenchida por várias imagens de arquivo, algumas até da Cinemateca nacional, como as de Garanhuns (PE) na época da infância do então, simplesmente, José Domingos de Morais; migrantes nordestinos partindo em caminhões pau de arara; o Rio de Janeiro dos anos 1960 e 1970; os protestos durante a ditadura militar, entre outras coisas.

O documentário tem ainda o trunfo de trazer apresentações raras e inusitadas do músico, como um ensaio intimista de Nana Caymmi chorando ao cantar com ele Contrato de Separação ou o lado jazzista dele, característico na capacidade de improvisação do instrumentista que nunca estudou música formalmente, mas sempre soube fazê-la de forma surpreendente.

São mostrados também números especiais gravados para o projeto transmídia “Dominguinhos+”, que inclui, além do filme, uma websérie e vídeos inéditos no YouTube de duetos com grandes nomes da MPB, a exemplo de Djavan, Hermeto Pascoal, Hamilton de Holanda e Yamandu Costa, que foram apresentados no documentário.

As parcerias são uma constante na carreira dele e o filme mostra que todos, há muito tempo, só queriam seu xodó. Gal Costa, de quem foi músico em uma de suas turnês; Elba Ramalho, que cantou muitas de suas canções; e Gilberto Gil, com quem compôs algumas músicas —como Eu Só Quero um Xodó, por exemplo, executada no filme com uma apresentação diferenciada dos dois—, são só alguns dos célebres nomes que passaram por seu caminho.

Sua relação profissional e pessoal com seu padrinho musical, o rei do baião, Luiz Gonzaga, de quem herdou a missão de eternizar a sanfona na música brasileira, e a compositora e cantora Anastácia, com quem manteve um relacionamento, é contada no documentário.

Mas, no geral, a vida pessoal dele não tem tanto destaque no filme, que se debruça mais sobre o músico, cantor e compositor do que sobre o homem em sua intimidade. Mesmo assim, terminados os 84 minutos de exibição, ainda se ressente a ausência de alguns trechos de sua carreira no longa.

O que aplaca isso é a sequência final, com a fala de Dominguinhos sobre sua família e a solidão do artista junto às lágrimas vertidas ao tocar com a Orquestra Jazz Sinfônica um belo arranjo para De Volta Pro Meu Aconchego. É a prova que para superar a falta que a distância traz ele seguiu os passos de seu mestre: “Saudade, meu remédio é cantar”.

jun
06
Posted on 06-06-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-06-2014


Sid, hoje, no portal de humor A Charge Online

DEU NO CORREIO DO POVO

A última pesquisa Datafolha, publicada nesta sexta-feira,6, apontou que para as eleições de outubro a presidente Dilma Rousseff caiu de 37% das intenções de voto em maio para 34% no começo do mês de junho.

Conforme a pesquisa, Dilma vem sofrendo uma queda gradual e desde fevereiro já caiu dez pontos percentuais. A exemplo da petista, o pré-candidato do PSDB à presidência, senador Aécio Neves, também perdeu votos de maio para junho, passando de 20% das intenções de voto para 19%.

Eduardo Campos, pré-candidato do PSB, oscilou de 11% para 7%. Brancos e nulos somam 17% (ante 16% em maio). Os indecisos somaram 13%, depois de apresentar 8% no mês anterior.

De acordo com a Datafolha, nas candidaturas de partidos nanicos, o pastor Everaldo (PSC) somou 4%, depois de atingir 3% em maio. José Maria (PSTU), Denise Abreu (PEN), Eduardo Jorge (PV) estacionaram em 1% das intenções de voto em junho. No levantamento anterior, os candidatos já tinham o mesmo índice.

Magno Malta (PR), que não estava incluído nas sondagens anteriores, soma 2% das intenções. Mauro Iasi (PCB), Levy Fidelix (PRTB), Eymael (PSDC) e Randolfo Rodrigues (PSOL) sequer pontuaram.

Segundo turno

Em um possível segundo turno, Dilma ganharia de Aécio Neves, somando 46% contra 38% do senador do PSDB. Em maio, o placar era de 47% da petista contra 36% do tucano.

Em um cenário diferente, em que o adversário de Dilma é Eduardo Campos, Dilma venceria novamente, alcançando 47% contra 32% do pessebista. No mês de maio, a disputa apontava 49% para a atual presidente contra 32% do ex-governador de Pernambuco.

Rejeição

A taxa de rejeição da presidente Dilma Rousseff estacionou nos 35%, mesmo índice apontado no levantamento anterior. Aécio Neves e Eduardo Campos tem 29% de rejeição, ante 31% e 33%, respectivamente, na pesquisa anterior.

Influência

O Datafolha mediu as personalidades mais influentes na eleição de outubro. O ex-presidente Lula segue na liderança. Hoje, 36% dos entrevistados afirmam que “com certeza” votariam em um candidato indicado por ele. Na segunda colocação está presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, com 26%.

O levantamento do Datafolha foi feito entre 3 e 5 de junho com 4337 pessoas em 207 municípios do País. A pesquisa foi registrada no TSE sob o protocolo BR-00144/2014 e tem margem de erro máxima de 2 pontos porcentuais e nível de confiança de 95%.

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DA ÁREA DE COMENTÁRIOS DO SITE BLOG PARA O ESPAÇO PRINCIPAL DE NOTÍCIAS E OPINIÃO DO BAHIA EM PAUTA: UM TEXTO DE LUIS AUGUSTO GOMES SOBRE O CANCELAMENTO DA VISITA DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF A SALVADOR PARA RECEPCIONAR ANGELA MERKEL E ASSISTOR AO LADO DA CHANCELER ALEMÃ, DIA 16, O JOGO ALEMANHA X PORTUGAL, NA FONTE NOVA, PELA COPA DO MUNDO.CONFIRA (Vitor Hugo Soares)..

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OPINIÃO

LUIs AUGUSTO GOMES

Caro Vítor, noto sempre no BP que as matérias políticas, das mais variadas naturezas, não suscitam tantos comentários como as musicais, literárias, amorosas (por exemplo, o enlace de Cláudio, que suponho ser o Leal, e Let, com perdão da intimidade), de trânsito, de vida, enfim, qualquer uma.

Talvez isso reflita um pouco certo (certo?) desencanto que tenhamos com a atividade, embora seja, desgraçadamente, a de que mais necessitamos para que o planeta, o continente, o país, o estado, a cidade e até o nosso bairro sigam em frente.

Mas ao ler esta, do “forfait” de Dilma, fico a pensar no que poderia ter determinado tal cancelamento sem uma explicação, pelo menos segundo o texto acima – e vou tentar ser o primeiro no comentário, embora tanto pretenda dizer que não sei se serei ultrapassado por outro colega leitor, porque a notícia instiga.

Do ponto de vista institucional, quero saber o que teria feito a presidente desistir de receber a mulher mais poderosa do mundo (esta, sim), em evento tão festivo, curtir as delícias do poder e do prestígio, que para ela devem ser um doce encanto de, com todo respeito, aprendiz, neófita, iniciante, até intrusa, paraquedista de uma realidade que, seguramente, uns poucos anos atrás, seria, até para ela, inimaginável. (De quebra, poderia bater um papo em português com um Durão Barroso desses, já que a partida é Alemanha x Portugal).

A matéria vem acrescida da informação de que Jaques Wagner, o cicerone-tampão, “não acredita que haverá protestos fortes na Copa contra os políticos” (ou seja, ele e ela), e aí nós, velhos jornalistas, temos que fixar a diferença: foi uma resposta a alguma provocação de repórter, no que deveria ser contextualizada pelo órgão que originalmente a publicou, ou uma declaração espontânea, gratuita, o que revelaria um ato falho?

Antes do resto da Bahia, Salvador, inicialmente, como diria locutor esportivo das antigas, foi reduto petista inexpugnável, onde Lula e Dilma tiveram votações consagradoras. Ocorre que a presidente tem andado tomando vaias, das minúsculas às volumosas, em cantos diversos do Brasil, e teria mesmo cancelado discursos em “arenas” na abertura e na final da Copa.

Em 2012, nesta cidade que cambaleou, mas nunca perdeu a consciência, nem na ditadura ou sob o carlismo, a presidente disse algumas bobagens em comício na campanha eleitoral e o resultado todos nós sabemos. Aquilo traumatiza.

Somando tudo isso, não é de duvidar que ela tenha medido as consequências de um desastre soteropolitano altamente prejudicial ao projeto de reeleição, preferindo, para usar linguagem bem comum, entregar seus falsos brilhantes para não perder os dedos, quem sabe a mão, o braço, o pescoço.

Abraço, e desculpe minhas eternas brincadeiras.

LuiS Augusto Gomes é jornalista, editor do blog político Por Escrito, na Bahia.

jun
06

Tudo Ben!!!
BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

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Brasil, com ou sem futebol

Gilson Nogueira

Aos cinco anos de idade, ouvi, pela primeira vez, um grande silêncio. E ele dizia, “não chore, futebol é assim mesmo, quem canta de galo, antes do jogo terminar, se lenha, ou melhor, aprende a lição, queira ou não queira, para o resto da vida”.

O tempo passou. E aquele choro escondido de minha mãe deu para não esquecer, jamais. Foram lágrimas verdes e amarelas. A alegria derreteu-se no seu rosto.Até hoje, nos seus 90 anos de vida, de divina sabedoria, minha mãe fala, baixinho, sem maquiagem, sorrindo, do desastre brasileiro, no Maracanã, contra o Uruguai, na final da Copa de 1950, com a voz pontuando o célebre “o que passou, passou”, no conformismo natural de quem não precisa de remédio para deletar da cabeça o que não vale a pena.

Eu falei cabeça? Pois é, nela estão os neurônios que poderiam explicar, agora, os motivos dessa maresia, nas ruas de Salvador, a oito dias da estréia da Seleção no mundial de futebol da Fifa. Alíás, não precisa dizer mais nada. Até o sapo que fazia o maior barulho em uma boca de lobo na minha rua sabe as razões.

No calendário da bola, em uma semana, a Seleção entrará em campo, em busca do Hexa. Nunca, em tempo algum, testemunhei tamanha indiferença popular, em período de participação brasileira no mundial de futebol. Por isso, ao ver a bandeira do Brasil tremulando na janela de algum automóvel, em alta velocidade, escuto-a, também, a me dizer:

“ Acredite em mim, eu sou maior do que os corruptos brasileiros! Eu sou o maior que eles! Eu sou o povo do Brasil, esse gigante pela própria natureza, em busca da nossa grande vitória! Com ou sem futebol!”

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador de raiz do Bahia em Pauta

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