Real Madrid, o grande campeão europeu

Maria Aparecida Torneros

O goleiro Casillas levanta a taça do time vencedor do campeonato da liga das naçoes da Europa, apos um jogo emocionante em Lisboa núm sábado que reuniu dois gigantes do esporte,ambos da mesma cidade, a capital espanhola.
Real Madrid sagrou-se campeao pela décima vez depois de ima partida
envolta em emoções , marcando o gol de empate aos 48 minutos do segundo
tempo, o que lhe garantiu os 30 minutos de prorrogacao e a oportunidade da
vitoria com gols do Cristiano Ronaldo, de penalti, do brasileiro Marcelo e
do atacante Sergio Ramos, autor de gol decisivo e Di María que tambem
marcou o seu.

A falha do goleiro Casillas foi superada pela virada do jogo, a garra da
equipe e o delirio da torcida do Real presente em Portugal, incluindo o Reí
Juan Carlo.

Futebol para os espanhois é quase religião que o povo na cartilha das
competicoes tanto locais como europeias e internacionais como a Copa do
Mundo.

Uma conquista de jogadores de nacionalidades diversas defendendo camisas de
times espanhois.

BOA TARDE!!!

maio
24


Pacheco, o otimista da Copa de 82
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Copa e eleição no País do Ouro de Tolo

Janio Ferreira Soares

No dia 30 de outubro de 2007, ao voltar de uma cidade vizinha depois de participar de uma dessas reuniões onde os blá-blá-blás superam as resoluções, resolvi parar num bar de beira de estrada pra tomar uma cerveja e ficar pensando melhor. Passava um pouco do meio dia e a crueza do Sol, pra variar, sapecava no asfalto aquelas falsas imagens de poças d’água que costumam iludir motoristas e caminhantes desinformados das artimanhas do sertão.

Na metade da segunda garrafa, peço algo pra beliscar ao atendente com cabelo estilo Reginaldo Rossi e ele me traz um vistoso prato de iscas de fígado, cebolas e pimentões vermelhos. Aproveito o embalo e lhe pergunto o que querem aquelas pessoas grudadas na televisão, e o quase amigo Rossi, enxugando o suor do rosto com um pano de prato que prefiro acreditar ter somente essa serventia, me diz que em breve irão divulgar o nome do país que sediará a Copa de 2014. Giro a cadeira a tempo de ver o presidente da Fifa, Joseph Blatter, proclamar o que o mundo já sabia desde a desistência da Colômbia. “O país que produziu os melhores jogadores do planeta, que tem cinco títulos mundiais, terá o direito, mas também a responsabilidade, de sediar a Copa de 2014”. Sabe de nada, Mr. president!

Enquanto algumas moscas sobrevoam os restos de Alcatrão de São João da Barra que os pinguços derramaram durante a discreta comemoração pela nossa vitória (por W.O. diga-se), vejo na tela da TV um eufórico Lula na companhia de Paulo Coelho, Marta Suplicy, Romário, Dunga e do então ministro dos Esportes, o baiano Orlando Silva, coitado, que sequer imaginava que num futuro bem próximo teria um apelido que seria motivo de chacota nas reuniões em Zurique (consta que Jérôme Valcke, sempre que ia justificar nossa desorganização aos membros da Fifa, fazia questão de pronunciá-lo carregando no deboche e no sotaque. Tipo: “isso é normal no país de Mr. Tapiocá!”). Também vejo na plateia governadores, empresários e alguns políticos que furam poço, salivando e afiando as garras, certamente contabilizando as vantagens eleitorais e financeiras advindas das múltiplas possibilidades que essa decisão lhes proporcionará.

Pago a conta, dou uma gorjeta ao brother Rossi e pego a estrada de volta. No rádio do carro alguns entrevistados falam sobre as maravilhas que virão a reboque de Messi, Cristiano Ronaldo e Cia, ao tempo em que seu Jaime, um experiente motorista com mais de quinze mundiais nas costas, me pergunta se pode mudar de estação. Dou de ombros e mais tarde, ao despertar do ligeiro cochilo, ouço a voz de Luiz Gonzaga nos versos finais de A Triste Partida ser bruscamente interrompida pelo famigerado “em Brasília, 19 horas”. Seu Jaime resmunga qualquer coisa, enquanto as luzes de Paulo Afonso surgem lá onde a serra contorna a curva da chegada.

Quase sete anos depois – e a 19 dias do seu início -, leio que dos 167 compromissos assumidos pelo governo para “A Copa das Copas”, apenas 41% foram concluídos. Fora alguns estádios, as principais promessas só ficarão prontas sabe-se lá quando. Portanto, só nos resta dar uma de Pacheco, aquele otimista (e insuportável) símbolo da Copa de 82.

Diante do caos do trânsito, sinta-se no metrô de Tóquio. Nas filas dos aeroportos sucateados, imagine-se num check-in em Cingapura. Quando a internet travar e você não puder enviar seu selfie com cara de idiota, faça de conta que você é um idiota na velocidade dos megabytes de Hong Kong. E, finalmente, quando outubro chegar, acredite que com seu voto você estará contribuindo para mudar esse nosso belo quadro social.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

maio
24
Posted on 24-05-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-05-2014


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Sinfrônio, hoje, no Diário do Nordeste (CE)

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Antonio Balbino, ex-governador da Bahia:trem da memória
Foto: Jornal da Metrópole
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ARTIGO DA SEMANA

Justiça e Memória: a semana de Zavascki e Gabrielli

Vitor Hugo Soares

“- Doutor, tenho ao meu lado o Direito.

– É pouco – respondeu o juiz”.

(Raimundo Reis, antigo deputado do PSD e cronista do cotidiano na Bahia, no livro de memórias “Enquanto é Tempo”. )

Diante de dois fatos cruciais nesta encrespada semana de maio (os recuos e vacilações do ministro Teori Zavascki, do STF, no julgamento do habeas corpus dos presos da Operação Lava Jato, e do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, no depoimento à CPI do Senado para “apurar” malfeitos na compra da refinaria Pasadena pela estatal brasileira) , recorri à releitura de “Enquanto é Tempo”, de Raimundo Reis, citado acima.

“Enquanto é Tempo”, escrito e publicado por conselho e insistência de um vaqueiro da fazenda do autor, que ainda deu a indicação do título genial para um livro de recordações pessoais, trata da vida, contada aleatoriamente ao correr do tempo e eventos. Bem ao modo e estilo livre, original e sempre surpreendente de Raimundo, mas sem se levar demasiadamente a sério nem tomar a sério demais a muita gente “metida a besta” que o rodeava na política e no poder nos bons e maus tempos que ele atravessou.Principalmente nos bons.

O relato cobre décadas da história baiana e brasileira, principalmente o tempo em que – à moda da canção famosa de Gilberto Gil – “quem governava era Antonio Balbino” , então mestre do pessedismo estadual e nacional: vai do parto complicado na chegada ao mundo do neto do poderoso Petronilo Reis (o coronel Petro), respeitado até por Virgulino Ferreira, o Lampião, em suas incursões de temido cangaceiro pelo sertão do Rio São Francisco, em Santo Antonio da Gloria, até os anos 60/70.

Nos anos da ditadura, o autor já se transformara em inquieto parlamentar da Assembléia Legislativa da Bahia e brilhava, também, na condição de um dos mais cultuados intelectualmente e lidos cronistas do jornalismo impresso e radiofônico na sua terra. Citado até por Castelinho, na célebre coluna política do Jornal do Brasil.

O livro fala de coisas do amor, da imprensa, da família, da política, do direito e aplicação da justiça, da ética, retórica e atuação prática dos homens públicos na Bahia e no país. Registre-se que “Enquanto é Tempo” é um livro publicado em 1976, pela extinta Editora União, de Salvador. Raridade que ganhei de presente de Claudio Leal, ex-repórter da revista digital Terra Magazine, atualmente cumprindo pautas de “frilas”, entre São Paulo e Paris. Textos refinados do tipo do perfil do poeta Thiago de Mello, que ele produziu na Amazônia e publicou recentemente na Folha. Primoroso trabalho de jornalismo cultural, cada vez mais raro no Brasil das celebridades de estação e ídolos de barro.

Os ainda mal explicados fatos desta semana – protagonizados pelos sisudo e aparentemente inflexível ministro Teori, no Supremo, e o economista Gabrielli, atual secretário de Planejamento do governo Jaques Wagner (PT), ex-presidente da Petrobras no Governo Lula, na CPI da estatal no Senado, são emblemáticos deste tempo temerário. Igualmente exemplar (no pior sentido da palavra) é a própria CPI de fachada, tocada a muque pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros, e a maioria governista, sem contraditório, sem cobertura crítica da imprensa, sem reações firmes da oposição ou da sociedade, em complacente compasso de espera do começo da disputa da Copa do Mundo. Espaço amplo de esquecimento, apostam os sabidos da vez e os de sempre.

Comparado tudo isso, deste maio de 2014, das eleições gerais no Brasil, com alguns relatos do livro em questão, temos a constatação cristalina: além da enorme capacidade do autor de trafegar soberanamente entre o mítico e o real (a ponto de confundir seus biógrafos, como previa o escritor Guido Guerra antes de morrer), o livro surpreende, também, pela invejável atualidade de seus escritos e narrativas.

Para provar, vejamos o resumo de uma delas.

Num fim de tarde, no tempo em que a Assembleia baiana ainda funcionava na Praça da Sé, centro histórico de Salvador, onde hoje está a sede da Associação Baiana de Imprensa, o senador Pereira Moacir – “um dos filósofos do PSD”- fez uma observação ao autor, com ares de quem dá conselho. Isso, na hora em que Raimundo Reis era o centro das atenções de uma roda política na histórica Rua Chile, um dos lugares mais vigiados da cidade em tempos de mudanças dos ventos do poder e da política na Bahia e no País.

– Você tem um grave defeito como político. Possui uma memória privilegiada – alertou.

Pura verdade. Quando era deputado, o autor de “Enquanto é Tempo” sabia de cor e salteado o Regimento Interno da Assembleia Estadual. Assim, deu muito trabalho ao “amigo velho”, presidente Orlando Spínola, “no encaminhamento de polêmicas e explosivas questões de ordem”.

Conta Raimundo que foi, certa vez, de navio (Vera Cruz) ao Rio. No meio do caminho houve uma festa com muitas brincadeiras e participação dos passageiros. Cada um tinha que subir ao palco e fazer o que soubesse. Chegando a sua vez, Reis anunciou que iria declamar “Os Lusíadas”, a epopeia poética de Camões sobre os feitos dos navegadores portugueses, de fio a pavio. Muitos duvidaram, mas ele começou a plenos pulmões:

“As armas e os barões assinalados, que da ocidental praia lusitana, por mares nunca dantes navegados, passaram ainda além de Trapobana”… E foi em frente, sob olhares de incredulidade e admiração.

Resumo da história, que a ode é muito longa: Raimundo Reis saiu do palco nos braços de brasileiros e portugueses empolgados, passageiros como ele da incrível viagem do Vera Cruz. Todos gritavam: “Viva Portugal”. “Viva o Brasil”.

Sobrava então ao autor de “Enquanto é Tempo” a memória que faltou ao conterrâneo professor da UFBA, José Sérgio Gabrielli, ao falar na CPI do Senado sobre a efetiva participação e responsabilidade da companheira petista Dilma Rousseff, atual presidente da República, no nebuloso episódio da compra da Refinaria de Pasadena, quando ela presidia o Conselho Nacional de Petróleo.

Ou as informações que faltaram ao “duro” juiz Teori Zavascki, , motivo alegado para o recuo em julgamento de habeas corpus, da decisão de mandar soltar todos os presos pela Polícia Federal na escandalosa Operação Lava Jato, um dia depois de tirar da cadeia o ex-diretor da estatal metido no rolo. Este, continua em casa, leve e solto. Provavelmente, cuidando bem da memória (ou não?) para o caso de ter de contar o que fez e o que sabe.

Grande Raimundo Reis!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

maio
24


Rafael (no centro) em cena no filme “Trampolim do Forte”
Foto: Divulgação
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DEU NO CORREIO DA BAHIA

O ator Rafael Santos Souza, 19 anos, e a mãe dele, Marli Jesus dos Santos, 40, foram encontrados mortos dentro da residência com sinais de facadas nessa quinta-feira (22), por volta das 19h, no bairro Cosme de Farias. De acordo com a Central de Polícia, as vítimas foram atingidas em várias partes do corpo e já estavam em estado de gigantismo

Rafael interpretou um dos personagens do filme “Trampolim do Forte”, do diretor baiano João Rodrigo Mattos, que estreou no ano passado, mas foi filmado desde 2010. Nesta sexta-feira (23), o longa estreia em Feira de Santana.

O corpo do ator continua no Instituto Médico Legal (IML). Já o da mãe dele foi encaminhado para Ibicuí, município localizado a 515 quilômetros de Salvador.

Ainda não há suspeitas de quem pode ter cometido o crime, nem o motivo. Segundo a TV Bahia, familiares disseram que mãe e filho foram vistos pela última vez na terça-feira.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o caso – segundo a assessoria, a delegada Marta Carine é a responsável pelo inquérito.

O diretor João Mattos lamentou a morte de Rafael em seu Facebook. “Rafael Souza interpretou Caga-Sêco no “Trampolim do Forte”. Atravessou 400 testes para ser um dos integrantes do elenco do filme. Menino-homem talentoso,do bem, saudável, fraterno e alto astral. Eles nos deixou de modo brutal, pelas mãos violentas de uma cidade em combustão e em franca decadência. Que Deus, o Espírito Santo e todos os Orixás o iluminem por onde quer que esteja, assim como toda a sua família e amigos, que são muitos”, escreveu.

maio
24

Dá-lhe, Capinam! Dá-lhe Ederaldo!

Toca o afoxé ( e o samba baiano) pelas ladeiras da cidade.
Começando pela Poeira, na Saúde, bairro de bambas da minha juventude em Salvador.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


DEU NO JORNAL DO BRASIL (ONLINE)

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou, nesta sexta-feira (23/5), a soltura do deputado estadual de Mato Grosso José Riva (PSD), que teve sua prisão provisória decretada em decorrência da Operação Ararath da Polícia Federal, que investigou denúncias de lavagem de dinheiro, peculato e crimes contra o sistema financeiro nacional em Mato Grosso.

A operação – na qual foram também presos o ex-secretário da Casa Civil de Mato Grosso Éder Moraes e o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB) – gerou inquérito (Inq 3.842) em tramitação no STF sob o carimbo de “sigiloso”. O processo tramita no Supremo porque um dos investigados é o senador licenciado Blairo Maggi, que tem prerrogativa de foro por função.

Os advogados de José Riva fundamentaram o pedido de sua libertação no fato de que deputado estadual está ainda no exercício do mandato – e não licenciado, como tinha informado o Ministério Público.

Pelo artigo 27, parágrafo 2º da Constituição, aplicam-se aos deputados estaduais as mesmas regras da Constituição sobre a inviolabilidade e a imunidade referentes aos deputados federais. Estes – e portanto aqueles – só podem ser presos em flagrante delito.

Tem Dó de Mim
Vinícius de Maraes

Não faz assim
Tem dó de mim
Não posso mais chorar
Não vê que o amor é mais
É muito mais do que sonhar
Não faz assim
Tem dó de mim
Que fui querer demais
Demais amei
E agora eu sei
Quando a saudade insiste
É que o amor existe
E o amor é muito triste
Quando se desfaz

BOA TARDE!!!

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DEU NO JORNAL A TARDE (Reproduzido no Bê Naviani Blog)

MARIA STELA DE AZEVEDO SANTOS

Mais uma polêmica para que possamos refletir e dar um passo rumo a umestágio evolutivo elevado
que ajude a construir uma sociedade harmônica e equilibrada. O noticiário televisivo deu a seguinte manchete: “Juiz não reconhece manifestações afro-brasileiras como religiões. A decisão gerou polêmica e surpreendeu líderes do candomblé e da umbanda e o Ministério Público Federal.” Sou uma líder do candomblé e confesso que eu não fiquei nem um pouco surpreendida.

Venho de um tempo em que a referida religião era perseguida pela polícia, em virtude de na época o Brasil ter uma religião oficial – o catolicismo. A atitude do juiz precisa ser compreendida, porém jamais pode ser aceita. Optei por não dizer seu nome, pois o nome de uma pessoa é tão sagrado que não deve ser pronunciado quando o dono dele comete atos impensados e infelizes.

Um belo e significativo ensinamento da Ordem Rosa Cruz diz: “Eu te compreendo, mas em nome do verdadeiro amor não posso aceitar.” Podemos compreender uma atitude que tem por base o preconceito, que é fruto da ignorância sobre o tema que o juiz ousou julgar. O ignorante é assim mesmo: é insolente, “grosseiro nos gestos, nas palavras ou nas ações.”

Não fiquei surpresa, fiquei indignada. Senti repulsa, não pelo cidadão em si, mas pelo seu ato vergonhoso. Quanto a meu irmão que praticou tal ato, verdadeiramente, senti pena e, consequentemente, desejo de ajudá-lo. Afinal, ele é meu irmão, somos filhos de uma única energia, que para o candomblé é chamada de Olorum – o Deus Supremo, que vive no céu (no orum), o qual se expandiu e Dele fez surgir todos os seres vivos que habitam a Terra.

Essa é uma explicação que dou para ajudar meu irmão a entender que as religiões de matriz africana têm, sim, um texto base no qual se baseiam para realizar seus rituais, mas principalmente para ajudar seus adeptos a se tornarem cidadãos “assentados” no bem e na verdade. Esse texto base nos ensina que não basta sentir pena. O Código de Ifá, conjunto de ensinamentos no qual se baseia o candomblé, ensina a seus adeptos que a ignorância precisa ser perdoada, compreendida, mas nunca aceita, e que cabe àquele que conhece os mistérios, instruir aqueles que não os conhecem. Obedecendo, portanto, às orientações dadas pelos seres superiores, esclareço a meu irmão alguns detalhes do candomblé sobre o qual ele demonstra não ter o conhecimento necessário para realizar um julgamento.

A religião trazida para o Brasil por um povo possuidor de dignidade e generosidade inigualáveis tem um texto base, o qual é inclusive codificado através de códigos matemáticos. Não podemos, nem devemos esquecer-nos que um texto, em seu sentido amplo, é um conjunto de palavras expressas de maneira oral ou escrita, que pode ser longo ou breve, antigo ou moderno. Preciso pacientemente repetir que o texto base do candomblé é o Código de Ifá, pois um educador é educad para ser paciente. E nós, sacerdotes de qualquer religião, somos educadores de almas. Explicando ainda mais um pouco, o Código de Ifá é um sistema longo e antigo, considerado axiomático por revelar verdades universalmente dignas e válidas, ditas de maneira simples para expressar a complexa realidade da vida.

Também pacientemente repito que o candomblé possui um Deus Supremo, sendo os orixás divindades que servem como intermediárias entre Olorum e os humanos. Quanto à hierarquia, este é um dos grandes e fortes pilares dessa religião milenar, tanto no que se refere ao mundo das divindades quanto à comunidade dos “terreiros”. No mundo sagrado se tem: Olorum, orixás funfun (descendente direto do hálito do Deus Supremo), orixás vinculados ao ar, água, fogo e terra, seres humanos, animais, vegetais e minerais. Nas comunidades do candomblé a hierarquia está em tudo: nos cargos (iyalorixá, iyakekere egbomi, yaô, abian); no respeito à idade de nascimento do corpo (os “nossos mais velhos”) e à idade de nascimento, na Terra, da essência divina de cada um. Encerrarei este texto com um provérbio contido no Código de ifá: “O tempo pode ser longo, mas uma mentira não cai em esquecimento.”

Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá e mem da Academia de Letras da Bahia- ABL.
opoafonja@gmail.com

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