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AMOR DE ANJOS

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AMOR DE ANJOS

Maria Aparecida Torneros

Não me canso de constatar que a Vida me põe, constantemente, incriveis seres no caminho que, embora humanos, funcionam como verdadeiros anjos, me acolhem, acodem, ajudam, acompanham, são pacientes com minhas falas repetidas, e me confirmam que o Amor talvez seja tudo isso e mais um pouco.

Em dia final de entrega da declaração de imposto de renda, surge o ex-aluno amigo e me dá o help salvador. Em noite de solidão absurda, liga a amiga distante. Em tarde de agruras e correrias, a amiga médica me oferece um café de Três Corações, feito em cafeteira chiquetosa. Na manhã da missa de setimo dia, o abraço da prima que perdeu o marido é reencontro com o laço da infância com a família. A memoria traz o gosto dos pastéis que a mãe dela fazia. O feriado anuncia que é preciso ir ao mercado, e a anja secretária já combinou que irá comigo.

Mamãe é cuidada porque é idosa, mas é minha protetora, enquanto me dá broncas como se eu ainda fosse uma adolescente desmiolada. O filhão é figura esporádica, vive correndo, mas é anjo de candura quando pergunta – Mãe, foi ao médico?

O irmão é o gerente guardião, tem sorriso franco, ar solidário, meu velho companheiro de salas de cinema de arte. Ele confessava que não entendia nada, mas lá estava, ao meu lado, na juventude dos anos 70.

Pessoas que me cercam, longe ou perto. A amiga que me convida para visitá-la na Espanha, a outra que me leva para almoçar na sua casa, outra que me telefona e compreende meus nãos em função das crises de coluna.

Os homens que me escrevem, com sentimento machista, mas que são perdoados, porque sua companhia talvez seja o amor aos pedacinhos, fatias doces de tortas caprichadas que o gosto pode perceber com afeto.

As muitas amizades de longa data, as recentes incorporadas, as que a morte levou e deixaram saudades, as primas de sangue e carinho, as irmãs que o mundo me trouxe e as filhas que fui adotando no convívio.

Os queridos companheiros de estrada profissional, o aconhego das palavras de identificação de valores, nossas histórias, talvez muito mais.

Amo esta canção, Perhaps love… porque talvez seja isso mesmo, o Amor de Anjos me conduz e rege o tempo todo… agradeço e acolho, sou premiada, amém!

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro , edita o Blog da Mulher Necessária , onde o texto foi publicado originalmente.

Viva o 1º de Maio dos Trabalhadores de verdade. No Brasil e no Mundo.

BOM DIA

(Vitor Hugo Soares)

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