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Posted on 31-05-2014
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Sergio Paulo, hoje, no Jornal de Roraima

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O livro revelador de Paulo Cesar Araújo

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O magistrado exemplar que deixa a Corte

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ARTIGO DA SEMANA

PAÍS DO INSÓLITO E DOS ESCÂNDALOS

Vitor Hugo Soares

O tempo passa, o tempo voa. Embora até a instituição financeira e a caderneta de poupança dos versos da propaganda famosa tenham virado pó e pesadelo há muito tempo, o País parece inabalável e arraigado em sua “cultura e tradição” de paraíso do insólito e dos escândalos.

Fatos que marcaram esta última e surpreendente semana de maio de 2014, demonstram isso, sobejamente. E registre-se que não está incluída, na relação, o anúncio inesperado e desalentador, na quinta-feira, 29, da aposentadoria precoce do ministro Joaquim Barbosa. Ele deixa ao mesmo tempo, no fim de junho que vem, a presidência do Supremo Tribunal Federal (cujo mandato se esgotaria no final do ano) e o posto de membro singular da Corte Suprema do Brasil, onde poderia permanecer, se o desejasse, por mais quase 11 anos.

Este caso, é preciso repetir, não se inclui em nenhuma das duas categorias citadas no título e na abertura deste artigo. As razões pessoais alegadas pelo próprio Joaquim Barbosa, para o seu afastamento, são dignas e aceitáveis, principalmente as razões de saúde. A situação se aplica mais ao rol das perdas e danos gerais do Brasil destes dias.

Perdas e danos nos limites do Poder Judiciário e muito além deles: Da guarda sem titubeios da Constituição à firme aplicação das leis (a exemplo do que ficou evidente no caso do Mensalão); da sensibilidade política, da inteligência, conhecimento e cultura, à conduta ética e inabalável coragem cívica das personalidades marcantes. Retas e avessa aos salamaleques e tapinhas nas costas.

Um doce de coco, de temperamento, evidentemente que Joaquim Barbosa não é. Isso seria exigir demais e já tem gente de sobra fazendo esse papel por aí. O fato é: sua saída é um baque, cuja amplitude e consequências ainda são impossíveis de avaliar, mas cujos efeitos logo o País e a sociedade começarão a sentir e pesar. A conferir.

De volta então aos episódios referidos no começo.

No primeiro caso, o insólito da flechada do indígena na perna do policial militar, durante os protestos em Brasília, nas imediações da “arena” do Planalto. No segundo, o novo (sem novidade nenhuma) depoimento blindado por todos os lados e sem contraditório, da presidente da Petrobras, Graça Foster. Lastimável encenação, do começo ao fim.

O terceiro fato é o perfil jornalístico primoroso de Paulo Cesar de Araujo – autor da biografia não autorizada do cantor Roberto Carlos, – que acaba de lançar um livro mais explosivo ainda, narrando os bastidores do processo que proibiu a venda de sua obra no País. Texto assinado por Camila Guimarães e publicado na edição comemorativa do 16º aniversário da revista Época. Neste caso, o insólito e o escândalo se entrelaçam a cada página.

Lá pelos anos 70, quando a ditadura apregoava maravilhas do “milagre econômico brasileiro”, eu trabalhava no Jornal do Brasil. Gostava de tirar uns dias a cada ano, para viajar pela Argentina e Uruguai. Ver profissionalmente e viver pessoalmente a vida naqueles anos loucos, nas duas margens do Rio da Prata, entre Buenos Aires e Montevidéu.

Na época, regimes discricionários e opressivos dominavam praticamente todos os principais países da América Latina. Sobre essas nações, na mais ampla e vergonhosa cumplicidade, sobrevoavam livremente os “especialistas” da Operação Condor, uma das mais terríveis e desumanas experiências de repressão, interrogatórios e torturas em qualquer tempo. Nas funduras dos regimes, mortes, desaparecimento, choro e ranger de dentes.

Ainda assim, havia resistência e esperança. Temperadas com bom vinho, ótima carne e muita utopia, que regavam conversas e “informes” clandestinos nos cafés, bares, hotéis, estâncias e feiras de antiguidades. Mal comparando, algo parecido com aqueles legendários e incríveis personagens do filme Casablanca, um Cult universal do cinema.

Aliás, para mim, a romântica capital uruguaia sempre se constituiu em uma espécie de Casablanca da América do Sul. Sem Bogart, Ingrid Bergman e o pianista Sam, evidentemente. Fascinava-me em Montevidéu aquele ambiente de conspiração política dos exilados que lá se abrigavam, misturado com as lembranças saudosas e comoventes de seu País, do outro lado da fronteira, mas inalcançável para eles. Coronel Dagoberto Rodrigues e dona Lourdes (falei sobre eles por telefone recentemente com o poeta Thiago de Melo emocionado na outra ponta da linha), jornalista Paulo Cavalcante Valente, Leonel Brizola, dona Neuza Goulart e tanta gente mais.

Paulo Valente sempre me dizia nas conversas do exílio: “Baiano, uma coisa que me espanta nas notícias do Brasil, é a capacidade inesgotável de produzir fatos insólitos e de absorver escândalos. Cada semana um escândalo novo e maior substitui o anterior e tudo segue no vai da valsa”, dizia o jornalista alagoano/carioca, que embarcara com Brizola nas primeira levas de exilados brasileiros para o Uruguai.

Recordo ao ler a reportagem da Época sobre o livro de Paulo Cesar de Araújo, “O réu e o Rei –minha história com Roberto Carlos em detalhes”. Um desses detalhes narrados pelo autor é emblemático. Ao final do julgamento, depois que os advogados da editora Planeta aceitaram o acordo que proibia a venda do livro sem consultar Araujo, o juiz Térsio Pires tirou de uma bolsa um CD de sua autoria e entregou a Roberto Carlos. “Também sou cantor e compositor, com o nome de Thé Lopes. Gostaria muito que você ouvisse e desse sua opinião sincera”.

Mais não digo, nem precisa. A não ser que o ministro Joaquim Barbosa vai fazer falta ao deixar a Corte. Muita falta.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia m Pauta.

E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Do estalo de Carlinhos Lyra e Joyce, na voz do inesquecível Emílio, uma canção Copacabana!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

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DEU NO CORREIO DA BAHIA

Da Redação

A Justiça Federal na Bahia revogou, na tarde desta sexta-feira (30), a prisão preventiva do vereador Marco Prisco, líder do movimento grevista da Polícia Militar da Bahia. A prisão foi substituída por medidas cautelares. Foi levado em consideração o fato do vereador possuir trabalho e residências fixas.

Apesar da liberação, ele terá que pagar 30 salários mínimos de fiança, não poderá frequentar quartéis nem ter contato com diretores de qualquer associação de policiais militares. Além disso, não poderá se ausentar da comarca de Salvador sem autorização prévia da Justiça, entre outras restrições.

Segundo o advogado de defesa Vivaldo Amaral, vereador só deve sair da prisão semana que vem, já que o pagamento da fiança só poderá ser providenciado na segunda-feira (2).

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