Marina (com Eliana) em Salvador:”Lula é bala de prata”
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ARTIGO DA SEMANA

O “Volta Lula” e a bala de prata de Marina

Vitor Hugo Soares

Bala de ouro é um elemento bastante conhecido e comum na história policial e na cultura baiana. Incrustada há décadas no noticiário local, das últimas páginas dos jornais, de vez em quando ela ressurge e ocupa o imaginário romântico, passional e criminal na terra de Todos os Santos e de quase todos os pecados, no dizer do saudoso cronista do cotidiano, Nelson Gallo.

Para ser mais exato, essa mística circula na Cidade da Bahia e arredores desde o crime passional que abalou Salvador no Século XIX e, na verdade, não constitui grande novidade para os locais.

O novo mesmo é a bala de prata. Aquela que a ex-senadora Marina Silva – vice na chapa do PSB, encabeçada por Eduardo Campos, – introduziu no debate e no noticiário político naciona,l sobre as eleições presidenciais deste ano, durante sua explosiva visita a Salvador, esta semana.

Coincidentemente (ou não?), no mesmo período em que a presidente Dilma Rousseff esteve em andanças no estado. Distribuindo “bondades administrativas” contra a seca, cantando loas ao seu atual ministro dos Transportes, Cesar Borges (ex-governador e ex- carlista de carteirinha), afagando egos de aliados descontentes. Além, é claro, de tentar dar um empurrãozinho no “pesado” candidato Rui Costa, que o governador impôs a petistas e aliados para sua sucessão.

Vamos por partes, retornando à bala de ouro, para não perder o fio da meada deste artigo que mistura suspense policial com tensão política e eleitoral, nestes dias estranhos e complicados de fim de abril e começo de maio.

Em 1947, o historiador baiano e imortal da Academia Brasileira de Letras, Pedro Calmon, transformou em romance de enorme apelo popular, o célebre crime passional que rendeu manchetes sem fim nos jornais locais, em novelas e nos noticiários radiofônicos de um tempo sem TV e Internet. Além de segredadas conversas nos quartos fechados “de muitas famílias da alta sociedade baiana”, como era comum dizer-se na época.

Título do livro? : “ A Bala de Ouro”.

Um resumo a seguir, para contextualizar jornalisticamente a informação histórica e literária: O romance de Pedro Calmon foi inspirado no final trágico do noivado de uma jovem soteropolitana chamada Júlia Fetal e o professor João Estanislau da Silva Lisboa.

Julia se apaixonou por outro rapaz e, às vésperas do casamento, terminou o noivado. Estanislau considerou o rompimento “uma traição, que cobrava vingança para lavar a honra ferida”, como se noticiava na época. Mandou cunhar uma bala de ouro “para ser usada em ocasião especial”.

Júlia foi surpreendida dentro de casa e assassinada com um único e certeiro tiro no peito. O professor foi preso e o seu julgamento “dividiu a imprensa e a sociedade baiana”. Entre os favoráveis à tese dos advogados do professor de “legítima defesa da honra” ao praticar o crime “em razão da traição e humilhação sofrida. Do outro lado, os que pugnavam pela condenação de Estanislau “pelo crime insano, brutal e covarde (sem possibilidade de defesa da vítima) que ele cometera”.

O julgamento terminou com a condenação e prisão do assassino. Mais não digo sobre esta tragédia passional baiana. Quem desejar saber mais, que leia o livro do imortal Pedro Calmon ou consulte os jornais da época. Vale a pena, nos dois casos.

A história de Marina Silva é desta semana, Está quentinha ainda, pegando fogo mesmo, principalmente nos bastidores partidários. Ainda fervilha, na Bahia e no País, nos debates políticos e discussões sobre a sucessão presidencial neste ano de 2014.

A presidente Dilma, ao lado do governador Jaques Wagner ( escolhido por ela para coordenar a sua campanha de reeleição no Nordeste), consultava meio atônita a arfante (como ainda parecia na “fala aos trabalhadores” em rede nacional da Radio e TV na véspera do 1º de Maio) o péssimo resultado para ela e seu governo da mais recente pesquisa de opinião.

Foi quando, de um auditório de homenagem da ONU à ex-ministra presidente do CNJ, Eliana Calmon (candidata ao senado pelo PSB na Bahia), por seu combate contra a corrupção no Judiciário, Marina lembrou o movimento “Volta Lula” que grassa nas hostes do PT e partidos aliados. Disparou:

“O ex-presidente Lula é uma bala de prata que o PT tem e isso é inquestionável. O problema é que bala de prata não pode falhar, porque quando ela falha, tudo desmorona”.

Marina disse mais, muito mais, na sua surpreendente metáfora da bala de prata cunhada em Salvador esta semana. E mais não digo, até porque mais não sei. Quem souber que revele, ou acrescente.

O resultado da bala de ouro do professor Estanislau, que matou Julia Fetal, já sabemos. A de prata, da metáfora de Marina, ainda é cedo para se prever o desfecho. Até porque não se sabe se “a bala de prata do PT”, será mesmo disparada.

O fato é que as visitas à Bahia da presidente Dilma Rousseff – em indisfarçável campanha pela reeleição apesar dos tropeços de seu governo e dos índices nada animadores de aprovação pessoal que tem colhido nas últimas pesquisas – e da ex-senadora e ex-ministra de Luls, Marina Silva, vice da chapa de Eduardo Campos (PSB), que promete azedar o chope governista (mesmo propósito do tucano Aécio Neves, em franca ascensão), deram um toque político ardido e todo especial a esta semana do centenário de nascimento de Dorival Caymmi , gênio musical da Bahia e do País. Cuja memória, depois da ventania, mar revolto e tempestade que sacudiram na data dos cem anos de Caymmi, esta semana, os soteropolitanos prometem celebrar em grande show na noite deste domingo (4) na beira do mar do Farol da Barra.

Um grande Viva a Dorival!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 3 Maio, 2014 at 11:48 #

Caro VHS!

Sábados tem, além da saudade das noites de sexta, o sabor do “Artigo da semana”.

Um convite ao vagar do olhar, sem pressa, sem sobressaltos, com o violão e voz de Caymmi assegurando o bem estar.

Pedro Calmon é a surpresa/lembrança da vez. Anote-se: Durante o regime militar, na condição de reitor, proibiu a entrada da polícia militar na Universidade do Brasil, dizendo: “aqui, esses beleguins de tropa militar não entram, porque entrar na Universidade só através de vestibular”.

Volta à cena a tal Marina. Aquela mesma que adoraria ter sido a “Dilma de Lula!, mas, certo ou errado, foi por ela derrotada. Quem não se lembra dos embates entre a Casa Civil e o Ministério do Meio ambiente? Um dia, cansou-se, e empreendeu uma retirada em nome de uma tal economia e/ou desenvolvimento sustentável, que até hoje não se sabe ao certo o que traduz, a não ser, é claro, uma certa intolerância genérica com tudo que não seja do mesmo tom de verde que agita em sua bandeira.

Sobreviveu às agruras da floresta tropical, amparada pela Igreja Católica, de cuja sombra se afastou ao encontrar uma nova fé na Igreja Evangélica Aliás, deste despir e vestir novos hábitos, pouco sei. Não lembro ter encontrado informações a respeito. Resume-se ao verbo trocar, como resumido foi o seu estar ao lado de Chico “O Mito” Mendes, que segundo os “marinistas”, a transforma em sua mitológica herdeira.

Ao cunhar Lula como “bala de prata”, Marina inova.

O tiro certo e único contra o mal pode até ser simpático ao lulistas, mas não traduz o criador desta criatura chamada Dilma.

Lula, este “Frankenstein” tupiniquim, de fato criou Dilma, como criou Haddad, e agora tenta criar Padilha.

Daí, a se transformar em solução, mesmo que restrita a um só disparo, só mesmo no pensar exótico de Marina.

Caso Dilma tenha se transformado em versão feminina de lobisomem, estará posta a discussão sobre a necessidade de a chamar, segundo do dilmês, de “lobimulher”.

Mas……como já chamaram de bala de prata até mesmo o plano real, entre outras intervenções neoliberais, aceita-se como lúcida a propositura de Marina.

Caro VHS!

Ainda bem que, na mágica Bahia, podemos encontrar o mar e Caymmi. Sob o mesmo vento e ao som dos atabaques.

Tim Tim!!!


luís augusto on 3 Maio, 2014 at 14:17 #

Velho Vítor, tinha lido o texto de manhã cedo na Tribuna.

Rendendo-me a seus encantos, recordo nosso Zorro das revistas, de vez em quando voltando a sua mina de prata para fazer as balas com que impunha justiça no Velho Oeste – Tonto ao lado, não discriminemos.


luiz alfredo motta fontana on 4 Maio, 2014 at 9:47 #

A lembrança do Zorro, pelo Luís Augusto, foi primorosa. Valeu.

Mas, restou a indagação, ao contrário do Zorro, e até mesmo do Tonto, já que ambos sabiam o que queriam desde a primeira cena, ou quadrinho.

Marina é apenas desfile de ideias vagas, carregadas de repúdio a tudo que não lhe é semelhante. Ou seja, talvez a todos, já que não se conhece o que Marina realmente pretende caso um dia venha governar.

Muitos dirão:

Como assim?

Heresia!!!

Marina defende o desenvolvimento econômico suatentado!!!

Pois é!

Desenvolvimento sustentado é coisa imprecisa, até Médici poderia defender seu governo sob esse epíteto, afinal buscou desenvolver sustentado na mais cruel e vergonhosa repressão.

Marina, a que sonhava em ser uma Dilma de Lula, continuará, por certo cuidando dos cargos de Vaz de Lima, o tal esposo.

Lula, tentando fincar postes, Aécio apresentando-se como algodão entre cristais, como seu avô, aquele sempre pronto a tornar-se a opção “confiável em qualquer conflito. Por fim, Campos, o que soube transformar a mãe em vitalícia ministra do TCU.

Socorro Zorro!!!!!!!!!


jader on 4 Maio, 2014 at 11:28 #

Excelente comentário, Fontana .


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