abr
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DEU NO ESTADÃO

Em nota divulgada há pouco, o hospital Sírio-Libanês informou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi “liberado para a realização de suas atividades normais”, depois de receber alta na manhã deste domingo, 27.

De acordo com o hospital, os exames realizados por Lula apresentaram resultados “dentro da normalidade”.

O ex-presidente foi internado ontem (26) em decorrência de uma crise de labirintite, confirmou o hospital. As equipes médicas que acompanharam a internação de Lula foram coordenadas pelos médicos Roberto Kalil Filho e Milberto Scaff.

A página de Lula na rede social Facebook já havia informado, por volta das 13h, que o ex-presidente passou a noite no hospital Sírio-Libanês e encontra-se descansando em sua residência, em São Bernardo do Campos (SP).

Fonte: Agência Estado

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DEU NO JORNAL O GLOBO, EDIÇÃO DESTE DOMINGO, 27/4. NAS BANCAS.

Sob o jugo de sua calma

Caetano Veloso

As ‘canções praieiras’, cantadas por Caymmi acompanhado de seu violão, são momentos altos na história da música

Salvador é hoje uma das cidades mais violentas do Brasil. A greve da PM amplificou ainda mais a sensação de desassossego e insegurança dos baianos e a imagem desfigurada que hoje os brasileiros fazem da Boa Terra. Cresci sabendo que o Brasil nasceu na Bahia, o samba nasceu na Bahia, Cristo nasceu na Bahia. Mitos que não têm sido apenas desmentidos mas cruelmente pisoteados. Uma coisa, porém, ninguém pode negar: Dorival Caymmi nasceu na Bahia. E isso é como redimir as três afirmações anteriores, que vão, num crescendo, do simples orgulho histórico ao total absurdo. João Valentão é brigão, pra dar bofetão não presta atenção e não pensa na vida. A todos João intimida. Os chefetes matadores, seguidores tristonhos e provincianos da onda de heróis bandidos dos morros cariocas do passado (e que insistem em querer dar mostras de que ainda têm e terão eternamente o mesmo poder de sempre), são personagens soteropolitanos de agora. Mas João tem seu momento na vida. É quando sinto que se prova que, se os chefetes cariocas estão em descompasso com o andar da sociedade, os seus emuladores baianos são como o eco retardado de um gemido sinistro. Não há sonho mais lindo do que sua terra, diz o canto que brilha em perene redenção do insalvável.

Caymmi nasceu. Algo houve, cem anos antes da morte de DG, que nos mantém capazes de esperar, crer, amar. A canção brasileira é uma entidade em que as pessoas que por acaso se encontraram nesta parte do extremo Ocidente em que se fala português reconhecem-se, quase se justificam. Dorival Caymmi é um centro dessa entidade. O centro. Um polo. Um ponto fora da circunferência. Ele e só ele pode ser tudo isso.

As peças que ficaram conhecidas como “canções praieiras”, cantadas pelo autor acompanhado de seu violão, são momentos altos na história da música: as ouvimos e sabemos logo que se trata de grande arte, de algo que enaltece a nossa humanidade. As gravações têm apenas o defeito de terem sido mixadas com menos volume no violão em relação à voz do que seria o ideal. Mesmo assim, não há quase nada à altura em nossa música, em nossa literatura, em nossas artes plásticas ou cênicas.

Caymmi teve uma casa de veraneio em Rio das Ostras. Stella, sua mulher de sempre (minha mãe dizia que ela era sua cantora favorita dentre todas as brasileiras que se apresentavam nos programas de rádio — e que Caymmi, casando-se com ela, tinha nos roubado esse tesouro; mas o fato é que Stella encontrou a felicidade em Dorival e, numa única faixa do disco que este fez, décadas mais tarde, com Tom Jobim, ela provou que nos dava mais do que toda uma carreira de estrela poderia), recebeu a kombi da TV Globo em que eu cheguei com Alcione e a equipe que iria gravar um encontro entre Caymmi e nós. Quando todos cumprimentávamos a dona da casa (que ironizava toda a situação com aquele calor de sinceridade apaixonante), Caymmi chegou, falou rapidamente com todos e me destacou do grupo para, segundo ele, me mostrar uma coisa muito importante que ele tinha feito. Eu o segui casa adentro, uma dessas casas brasileiras de beira de praia do final do século XX, sem nenhum encanto aparente. Chegamos ao cômodo onde estava aquilo para o que ele queria chamar minha atenção. Era uma sala neutra, com uma poltrona comum. Um ventilador estava no chão, ligado. Caymmi, pondo a mão no meu ombro, disse: “Olha o que eu fiz: botei o ventilador de frente para a poltrona. Eu me sento aqui e fico só pensando em coisas boas”. Era um koan baiano, uma lição do Buda-Nagô, como sintetizou Gil. Zen-yoruba.

Quando minha querida Suzana de Moraes, filha de Vinicius, se casou com Robert Feinberg, Dedé, mãe de Moreno, então minha mulher, foi madrinha, Carlos Drummond de Andrade, padrinho. Isso me deu a oportunidade de conhecer Drummond, que falou de música e política, chegando ao alvo: “O melhor é Caymmi”. Feliz, contei a história da poltrona e sobre o “só pensando em coisas boas”. Drummond, grave e sorrindo: “E nós, hein, Caetano, que só pensamos em coisas ruins…”.

Caymmi sabia de tudo. João Gilberto me disse que eu olhasse sempre para ele, que ele era o gênio da raça, uma lição permanente. Não por acaso ele é folclore e sofisticação urbana, “O mar” e “Você não sabe amar”, primitivo e impressionista, ligado a todos e sozinho. Todas as coisas ruins que se apresentam de modo tão estridente ao nosso redor agora mesmo estão sob o jugo de sua calma, de sua teimosa paciência, de sua doçura, de sua luminosa inspiração. Stella não nos deu apenas a “Canção da noiva”, Nana, Dori e Danilo: ela nos deu a vida de Caymmi. As coisas ruins vão ter de se virar para enfrentá-lo.

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Arlindo:talento e modéstia a serviço
do fotojornalismo
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DEU NO PORTAL DE A TARDE

O repórter fotográfico Arlindo Félix, 70 anos, morreu na noite deste sábado, 26, no Hospital Português, vítima de um câncer. Arlindo se dedicou por cerca de 50 anos ao registro dos fatos jornalísticos da Bahia.

“Ele viveu muitos momentos da história da Bahia e colocou seu nome na história da cidade”, disse o colega de profissão e amigo pessoal, Luciano da Mata. Arlindo Félix trabalhou por duas vezes no jornal A TARDE, onde chegou chefiar a equipe de fotografia.

Além do profissionalismo, Luciano da Mata destaca a generosidade do amigo, que “sempre esteve disposto a ajudar os demais colegas”.

O sepultamento será às 15 horas no Cemitério Campo Santo. Arlindo Félix deixa mulher, três filhos e cinco netos.

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PESAR

BAHIA EM PAUTA lamenta a perda do profissional especial da imagem jornalistica e generosa figura humana, além de amigo e colega (na vida e na redação de A Tarde) cuja partida entristece os que pensam e fazem o BP e o jornalismo da Bahia.
Um abraço de pesar e conforto aos familiares de Arlindo. (Vitor Hugo e Margarida, em nome do BP) /strong>

abr
27
Posted on 27-04-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-04-2014

Amorin, hoje, no Correio do Povo (RS)


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DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE PORTUGAL

Os papas João XXIII (1881-1963) e João Paulo II (1920-2005) serão canonizados este domingo,27, no Vaticano, na presença de centenas de milhares de pessoas, pelo papa Francisco e pelo papa emérito Bento XVI.

O papa emérito Joseph Ratzinger, que vive em reclusão desde que renunciou ao cargo em fevereiro de 2013, vai assim juntar-se às celebrações de canonização, fazendo da ocasião a primeira vez que dois papas vivos celebram uma missa juntos.

A cerimónia decorrerá no átrio da Basílica de São Pedro, a partir das 10:00 locais (09:00 em Lisboa, e será também concelebrada por cerca de mil cardeais e bispos e mais de 700 sacerdotes.

De acordo com o ministério do Interior italiano, “61 delegações de 54 países, 19 chefes de Estado, 24 chefes de governo, 23 ministros e 800 mil peregrinos são esperados em Roma” para a canonização.

DEU NO CORREIO DA BAHIA

Após dois dias desaparecido, um índio de 57 anos foi encontrado morto na zona rural de Ilhéus, município do Sul baiano, na sexta-feira (25). Ele foi localizado por uma tropa do Exército que atuou na região durante a duração do decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Estado da Bahia, decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff durante a greve da Polícia Militar.

Segundo o tenente-coronel Silva Neto, comandante das tropas de Ilhéus, o próprio irmão da vítima procurou os militares e disse que o irmão estava desaparecido. “Estávamos com uma patrulha atuando na área, que foi contactada pelo irmão dele, dizendo que a vítima estava desaparecida há cerca de dois dias. Ele forneceu o endereço do irmão, onde encontramos o corpo no início da noite de ontem [sexta”, relata.

O corpo de Luís dos Santos Santana foi encontrado perto da própria residência, em uma área de pasto. “Ele apresentava perfurações no tórax e no rosto que parecem ter sido provocadas por tiros, mas a causa da morte dele ainda vai ser definida pela Polícia Civil”, disse o militar.

A área foi isolada até a chegada do Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Ilhéus, que realizou a perícia do local na manhã deste sábado (26). Ainda segundo o tenente-coronal Silva Neto, eles não conseguiram chegar ontem porque a região onde o crime aconteceu é de difícil acesso, piorado com a chuva que caía na localidade.

Não há informações sobre o que teria motivado a morte de Luís, que havia se mudado para a região de Ilhéus com a família em 2013. A vítima era oriunda da terra indígena Caramuru-Paraguaçu, de usufruto do povo Pataxós-hã-hã-hães,

Olha nós do BP aqui de novo com a disposição de sempre e ainda mais revigorados depois de passar uns dias de ócio, cultura e boemia em Sampa (que ninguém é de ferro).
Um abraço forte aos leitores e ouvintes que sentiram saudades, amigos preocupados com a falta de notícias, opinião e música e o jeito BP de ser ser e fazer blog.
Aquele abraço também para para os que nem deram conta da ausência e aqueles que imaginaram que estavam livres da gente.

Vida que segue! Som na caixa, maestro!.

(Vitor Hugo Soares)

http://youtu.be/V9GtHizULcQ

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CRÔNICA

Marina usa batom de beterraba

Janio Ferreira Soares j

Numa mesa vizinha à minha, dois jovens papeiam através de seus celulares com pessoas a milhas de distância ou a poucos metros dali – fico curioso em saber. Mais à direita, um casal também tecla seus aparelhos praticamente na mesma pegada, o que me faz imaginá-los remetentes e destinatários dos mesmos kkks que ora devem estar piscando nas quatro telas em questão. Tento obter algum sinal da provável sincronização whatsappiana entre eles, mas me distraio e perco a conexão. Uma pena.

Um pouco à frente, outro casal acompanhado de duas adolescentes fazendo selfies segura firmemente seus smartphones, talvez temendo que eles resolvam fugir na primeira abordagem do garçom. Nas demais mesas a situação não é muito diferente, à exceção de uma, onde um casal de meia-idade destoa da manada, fazendo breves comentários entre uma garfada e outra. Apuro os ouvidos e consigo escutar um “o seu é muito melhor, querida”, seguido de um sorriso maduro e honesto, como o Rosso Di Montalcino que descansa em suas taças. Por alguns segundos penso que o mundo ainda pode ter salvação.

Minha esperança se esvai assim que o maitre me entrega o cardápio e a carta de vinho num…. tablet. Nele, fotos de pratos e de garrafas com pequenas resenhas e sugestões de harmonizações, todas, creia, tendendo à picaretagem cibernética. Antes de continuar a manuseá-lo, penso em quantos dedos melecados já devem ter deslizado por cima daqueles cordeiros, risotos e malbecs e avalio pedir o velho menu de papel. Desisto da ideia ao lembrar a minha primeira vez num japonês autêntico quando, ao solicitar ao garçom com aspecto ninja um talher no lugar dos pauzinhos, recebi de volta um olhar tão mortal quanto o de David Carradine antes de aniquilar o seu oponente com o golpe do gafanhoto manco.

Na TV exposta numa loja vizinha, vejo Eduardo Campos e Marina Silva rindo em belas imagens em branco e preto, provavelmente insinuando um novo Brasil estilo retrô. De supetão me recordo de uma matéria onde ela se diz alérgica a produtos de maquiagem e, quando indagada sobre o suave grená que lhe cobre os lábios, responde tratar-se de um simples batom de beterraba – veja que charme – feito por ela própria. Penso comigo: “Marina usa batom de beterraba!”. Pronto, já tenho o título do meu próximo artigo.

De início, ao vê-lo bailando sozinho na fria brancura do meu Word, pensei em Faustino, criação do grafiteiro/blogueiro/roqueiro Miguel Cordeiro (quanta rima!), que nos tempos de uma Salvador analogicamente linda, vivia enchendo seus muros com citações que eram a cara dos baianos classe média. (Se você tem mais de 45 já deve ter visto de dentro de um ônibus da Vibemsa – que na época trafegava pelas ruas da first city brasileira numa velocidade que hoje seria considerada supersônica -, algum muro com frases do tipo: “Faustino tirou um Chevette Jeans no consórcio”; Faustino estuda para o concurso de auditor fiscal”; “Faustino rouba miudezas nas Americanas”; “Faustino passa os domingos jogando dominó”; “Faustino lava suas roupas com Rinso”, entre tantas outras).

Mas depois, ao fantasiar uma Marina diferente da candidata (cabelos soltos, meio santa, meio Frida, raspando lentamente uma beterraba num potinho para, em seguida, pincelá-la suavemente nos lábios), penso em Caymmi e na sua morena homônima, que só porque teve a ousadia de pintar o seu rosto que ele dizia ser só dele, perdeu para sempre o seu amor, ganhando, em compensação, a chance de fazer companhia a Dora e Anália como musa inspiradora numa das suas geniais canções. Cem vivas a Dorival!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

abr
27
Posted on 27-04-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-04-2014


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Aroeira, no jornal O Dia (RJ)

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