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Postado em 17-04-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-04-2014 17:57


Gabo:parte um mestre da literatura e do jornalismo
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DEU NO IG

O escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do Nobel de Literatura em 1982, morreu nesta quinta-feira (17), aos 87 anos. A informação foi dada por uma pessoa próxima à família para a agência AP e divulgada também por jornais como “El País” e “El Tiempo”.

Conhecido principalmente por “Cem Anos de Solidão”, Gabo, como era seu apelido, foi um dos mais importantes escritores da América Latina e de toda a língua espanhola. Nenhum título em espanhol além da Bíblia vendeu mais do que os assinados por García Márquez.

Também famoso pelo trabalho como jornalista, o autor escrevia romances e contos marcados pela combinação de real e fantasia, misturando histórias folclóricas a descrições tão gráficas que pareciam reportagens.
No dia de seu aniversário (06/03/2014), Gabriel García Márquez cumprimenta fãs do lado de fora de sua casa na Cidade do México.

Recentemente, o autor ficou oito dias hospitalizado no México, por causa de uma pneumonia. Recebeu alta em 8 de abril, mas na ocasião os médicos disseram que sua saúde era frágil. O escritor teve um câncer linfático nos anos 1990, e em 2012 seu irmão, Jaime, afirmou que ele sofria de “demência senil”.

Nos últimos anos, o autor evitava aparições públicas. Mas no último aniversário, em 6 de março, apareceu em frente à sua casa na Cidade do México para receber amigos e fãs que levaram bolo e flores. O escritor foi fotografado, mas não se pronunciou.

Trajetória

Gabriel García Márquez nasceu em 1928 na pequena cidade de Aracataca, norte da Colômbia. Foi criado pelo avô materno, um coronel que lutou na guerra civil do começo do século, e pela avó, que costumava lhe contar histórias fantásticas.

Frequentou um colégio jesuíta e estudou Direito da Universidade Nacional da Colômbia, quando começou a escrever para jornais e a frequentar círculos de escritores e jornalistas, inclusive um grupo conhecido como Barranquilla. Com os anos, passou a se dedicar cada vez mais ao jornalismo, trabalhando inclusive como crítico de cinema.

Nos anos 1950 foi enviado à Europa para ser correspondente internacional do diário colombiano “El Espectador”. Desde então morou em vários lugares do mundo, como Roma, Paris, Barcelona, Nova York e Cidade do México, onde viveu nos últimos 30 anos.

Símbolo de um período de forte ascensão de escritores latino-americanos, a obra vendeu 50 milhões de cópias em 25 idiomas.

Misturando fantasia e realidade, “Cem Anos de Solidão” conta a história de sete gerações da família Buendía, que vive no povoado fictício de Macondo, situado em algum lugar da costa colombiana entre os séculos 19 e 20.

O escritor e jornalista norte-americano William Kennedy definiu “Cem Anos de Solidão” como “a primeira obra literária desde o Livro de Gênesis que deveria ser obrigatória para toda a raça humana”.

Nobel da Literatura

O sucesso do livro foi fundamental para que García Márquez ganhasse o Nobel de Literatura em 1982. Ele foi o quarto escritor latino-americano a receber o prêmio, depois dos chilenos Gabriel Mistral (em 1945) e Pablo Neruda (em 1971) e do guatemalteco Miguel Ángel Asturias (em 1967).

A Real Academia Sueca de Ciências, que entrega o prêmio, justificou a escolha dizendo que nos romances e contos de García Márquez “o fantástico e o realismo são combinados em um rico mundo composto de imaginação, e que reflete a vida e os conflitos de um continente”.

O escritor foi além do sucesso de um livro só, consolidando-se como um contador de histórias imaginativas e bem escritas como “O Outono do Patriarca” (1975) e “Crônica de Uma Morte Anunciada” (1981), além de contos publicados em coleções e revistas.

Cada novo trabalho – até o último, “Memórias de Minhas Putas Tristes” (2004) – era esperado com expectativa por críticos e leitores e traduzidos para vários idiomas. A morte era um de seus temas mais frequentes, bem como a força do destino e do inexplicável.

“Com suas histórias, García Márquez criou um mundo próprio, que é um microcosmo. É tumultuado e desconcertante, mas passa autenticidade e reflete o continente (América Latina), sua riqueza humana e sua pobreza”, definiu a Real Academia.

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Comentários

Cida Torneros on 17 Abril, 2014 at 20:49 #

Gabo nos deìxa mergulhados na profunda solidao. Ele è o melhor contador da nossa saga de latino americanos. Seus textos sao reliquias. Sinto a orfandade na alma.


regina on 17 Abril, 2014 at 21:48 #

Duas reflexões e um poema:

“A vida não é o que se viveu, mas sim o que se lembra, e como se lembra de contar isso.”

“Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja.
Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas – porque tenho uma mente fértil e delirante – e porque posso achar errado – e ter que me desculpar – e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.
Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que “nada é para sempre.”

Si alguien llama a tu puerta, amiga mía,
y algo en tu sangre late y no reposa
y en su tallo de agua, temblorosa,
la fuente es una líquida armonía.

Si alguien llama a tu puerta y todavía
te sobra tiempo para ser hermosa
y cabe todo abril en una rosa
y por la rosa se desangra el día.

Si alguien llama a tu puerta una mañana
sonora de palomas y campanas
y aún crees en el dolor y en la poesía.

Si aún la vida es verdad y el verso existe.
Si alguien llama a tu puerta y estás triste,
abre, que es el amor, amiga mía.

Gabriel García Marquez


regina on 24 Abril, 2014 at 20:21 #

Belíssimo artigo do Orlando Senna sobre Garcia Marques:

http://cadernodecinema.com.br/blog/o-cineasta-gabo/


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