Barbosa na Fundação Steve Biko (Casa de Angola), em Salvador
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DEU EM A TARDE

Maíra Azevedo

Durante a sua passagem por Salvador, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, participou, no sábado, 12, de um encontro com jovens negros universitários, integrantes do Instituto Cultural Steve Biko, na Casa de Angola.

Joaquim Barbosa conheceu histórias de superação e recebeu o título de “Bikudo” pelo compromisso que demonstra com a causa racial.

Tachado por muitos como arrogante e introspectivo, Joaquim Barbosa demonstrou estar completamente a vontade no encontro.

“Me sinto muito feliz em participar de uma atividade como essa. Por isso não quero falar muito, prefiro ouvir. Conhecer a história de muitos de vocês”, avisou Barbosa.

Histórias como a de Keise Valverde, 20 anos, estudante de direito que não conseguia esconder a emoção em ter um encontro com o presidente do suprema corte brasileira.
“Ver o senhor no STF me dá a inspiração para seguir em frente com meus estudos e alcançar os meus objetivos, que é ser juíza”, disse.

Ao ver as lágrimas de Keise, o ministro decidiu dar um conselho para a estudante. “Estude bastante, essa é a primeira dica. Com o amadurecimento, chega um tempo que você não chora mais”, disse Barbosa.

Sempre objetivo, mas sem fugir das perguntas, o ministro não hesitou em responder sobre o fato de ainda ser uma exceção no Tribunal Superior da Justiça brasileira. “Não me causa desconforto, nem tampouco me sinto melhor por isso. Creio que com o passar dos tempos será cada vez mais natural (negros em posição de destaque)”, afirmou, em entrevista exclusiva à reportagem do A TARDE.

Tratado como uma espécie de “pop star” pelos jovens que estavam no evento, que disputavam autógrafos e fotos ao lado da autoridade máxima do Judiciário, Joaquim Barbosa reconhece que se tornou uma referência positiva, mas diz que faz apenas a sua obrigação. “Fico muito feliz. É bom saber que milhares de pessoas olham para você e passam a ter aspirações, mas sou muito realista, isso passa”, afirmou Barbosa.

Candidatura

Sobre uma possível candidatura para disputar a presidência da República, o ministro disse estar aliviado por já ter passado o período de desincompatibilização para quem vai disputar as eleições deste ano. “Foi um alívio porque muita gente falava que tudo o que eu estava fazendo (a condenação do mensalão) tinha um objetivo por trás. Agora, eu terei uma vida quando sair do STF e aí veremos o que acontece. Pode ser que daqui a dois anos eu nem queira mais ouvir nada de política”, afirmou.

Em relação às práticas de racismo que já sofreu – foi comparado a um macaco -, Barbosa foi bastante pragmático: “Fazer meu trabalho bem feito, em qualquer lugar que eu estivesse, sempre foi a minha resposta”.

No final do evento a diretora-executiva do Instituto Steve Biko, Jucy Silva, deu a Joaquim Barbosa uma placa em homenagem pelo seu trabalho em prol das ações afirmativas e o título de “Bikudo”, pelo compromisso com a pauta racial.

Presidente de honra do Steve Biko, o vereador Sílvio Humberto (PSB) convidou Joaquim Barbosa para ser um parceiro para a construção da nova sede da organização. “Você poderá ser um dos elos inquebráveis desta luta”, disse o vereador ao ministro do Supremo.

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Comentários

jader on 14 Abril, 2014 at 9:09 #

Enquanto isto , o Janio de Freitas comenta na Folha:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/161221-nos-passos-de-obama.shtml


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