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CRÔNICA

A PROFESSORINHA DO RIO

Maria Aparecida Torneros

Foto de 1971, eu e minha turminha de alunos excepcionais, na escola Nerval de Gouveia, em Ramos, Rio de Janeiro. Só consigo lembrar o nome da Dirce, a primeira, no alto da ponta direita. Mas todos me marcaram muito. Suas dificuldades de aprendizagem me mostraram que a vida é desafio sempre. Por causa deles até fui fazer um curso no instituto Helena Antipofh, mas, eu já fazia Jornalismo na UFF e segui mesmo a carreira de jornalista.

Esta turminha foi única na minha vida. Dá pra sentir na expressão da foto o quanto fomos felizes por poucos meses, e a Dirce, ah, ela fugia pra rua no meio da tarde e eu corria atrás, com a garotada torcendo que eu a pegasse e trouxesse de volta. Nós cantávamos, recortavamos papéis, fazíamos colagem, brincávamos no pátio, alguns dormiam muito, estavam medicados, tinha fila pra me dar beijinho quando iam embora pra casa.

Eu percebi que não tinha a vocação e o suporte emocional necessário para me dedicar a esse tipo de crianças e a educação delas, como precisaria. Aprendi muito no instituto Helena Antipoff, mas desisti. Admiro quem consegue lidar com estas criaturinhas realmente tão especiais, carinhosas, alegres e possa ajudá-las a se inserir na vida.

O Instituto Helena Antipoff é um estabelecimento público de ensino especializado em Educação Especial, pertencente à Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, e é centro de referência em Educação Especial no Brasi , produz conhecimentos em educação especial e confecciona recursos multissensoriais que contribuem para a atualização permanente dos professores e desenvolvimento e aprendizagem dos alunos.

Atualmente, O IHA conta com profissionais e mantém oficinas para este fim: teatro, dança, música, informática, oficina vivencial de ajudas técnicas e pedagógicas, ginástica, artes plásticas e brinquedoteca. Há também o Centro de Transcrição à Braille, serviço para atendimento de alunos cegos e com baixa visão. Durante as atividades nas oficinas, os professores atuam com os alunos e a intenção é pesquisar novos recursos e metodologias para o desenvolvimento deles.

Na oficina vivencial de ajudas técnicas e pedagógicas, são estudados os materiais que trazem benefícios ao aluno portador de necessidades educativas especiais, em relação ao seu conforto e autonomia. As pesquisadoras observam como as crianças se saem nas atividades e que dificuldades apresentam – sobretudo de locomoção – procurando desenvolver materiais sob medida, que melhorem o desenvolvimento, a autonomia e o conforto dos alunos.

As pesquisadoras do IHA criam peças com papelão, por considerarem o material bastante maleável e um bom exemplo é a “cadeirinha de chão”, produzida com uma faixa para que as crianças dos pólos de bebês e das turmas de Educação Infantil sentem-se sozinhas no chão e se entrosem umas com as outras. Outro exemplo são os encaixes de mesa para as cadeiras de rodas de deficientes físicos ficarem bem posicionadas.

A foto me trouxe muitas recordações. Lembrei que fizemos, juntos, coelhinhos pintados para comemorar a Páscoa. Saudades de todos eles. Por onde andarão? 43 anos se passaram!

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, e edita o Blog da Mulher Necessária, onde o texto fou publicado originalmente.

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Comentários

Cida Torneros on 14 Abril, 2014 at 0:25 #

Em1972 fui trabalhar na revista O Cruzeìro e terminei a faculdade. Fui professora primaria municìpal concursada com regencia de turmas de 1969 a 1971, quanndo me escalaram para essa turminha especial. Anos maìs tarde ingressei no magisterio superior onde lecionei em cursos de Comunìàçao por mais de 20 anos. Todavia a vivencia com as crianças especiais tem a descoberta dos limites de cada ser humano.


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