DEU NO PÚBLICO, DE LISBOA

O ator brasileiro José Wilker, de 66 anos, estrela de novelas como Roque Santeiro e Gabriela e de filmes como Dona Flor e seus Dois maridos, morreu neste sábado. As causas da morte ainda não são conhecidas mas a imprensa brasileira escreve que foi de enfarte.

Ao jornal brasileiro A Folha de São Paulo, o agente do ator, Cláudio Rangel, confirmou a notícia: “Percebemos hoje de manhã, graças a Deus não sofreu nada”. José Wilker terá morrido esta noite durante o sono.

Muito conhecido do público português, podemos ver o ator atualmente na novela que está passando na SIC, Amor à Vida, onde José Wilker é o médico Herbert. Esta é assim a última novela de Wilker, que além de se ter destacado na televisão, fez também carreira no cinema.

Em 1990, o ator trabalhou com João Canijo em Filha da Mãe. “A lembrança que mais me ficou, para além da relação com ele e da disponibilidade dele e da qualidade como ator que ele tinha, era o inferno que eram as filmagens cada vez que filmávamos em exteriores. Porque estava ainda passando o Roque Santeiro e o som foi todo dobrado porque só se ouvia ‘Roque! Roque! Roque!'”, disse o realizador português à Lusa. O realizador lembrou ainda que sempre que se sentavam “num sítio qualquer, passados menos de cinco minutos” havia uma fila a pedir autógrafos. “Filmar no bairro do Zambujal não foi nada fácil. Disso lembro-me”, diz João Canijo, contando que os dois mantiveram o contato durante algum tempo e que se voltaram a encontrar em Cannes, constatando que “a relação era a mesma”.

Além disso, Wilker realizou duas novelas (Louco Amor, 1983, e Transas e Caretas,1984), um filme (Cinderela, 1986) e ainda foi um dos realizadores, entre 1996 e 2002, da conhecida série Sai de Baixo.

José Wilker tinha também uma carreira reconhecida no teatro, tendo no ano passado encenado a adaptação ao palco do filme Rain Man, Encontro de Irmãos. Foi, aliás, no teatro que o ator começou a sua carreira na representação, no Movimento Popular de Cultura do Partido Comunista. A estreia profissional aconteceu em 1962 no elenco da peça Julgamento em Novo Sol.

Nascido a 20 de Agosto de 1946 em Juazeiro do Norte, no estado do Ceará, José Wilker mudou-se com a família, ainda em criança, para o Recife. Já adulto, e decidido a seguir o caminho profissional da representação, o a tor foi viver no Rio de Janeiro em 1963, onde estudou a arte de representar com o cineasta sueco Arne Sucksdorff. Dois anos depois, Wilker consegue um papel, apesar do seu nome não aparecer nos créditos, no filme A Falecida, de Leon Hirszman (1937-1987), um dos expoentes do cinema novo brasileiro. Este foi também o primeiro filme da actriz Fernanda Montenegro.

Nos anos seguintes, o ator consegue entrar em mais alguns filmes mas o primeiro grande reconhecimento que recebeu foi em 1970, quando lhe foi atribuído o Prémio Molière de Melhor Ator pelo seu trabalho na peça O Arquitecto e o Imperador da Assíria.

A sua carreira disparou então e depressa é convidado pelo escritor e argumentista Dias Gomes (1922-1999) para entrar na novela Bandeira 2, de 1971. José Wilker chegava assim à Globo e à televisão, onde se manteve uma figura sempre ativa e presente, tendo entrado nas duas versões da novela Gabriela – um marco da televisão brasileira. O actor foi o visionário Mundinho Falcão na primeira versão, de 1975, e o coronel Jesuíno no remake exibido em 2012. A frase que tantas vezes dizia nesta última versão (“Vou-lhe usar”) é hoje uma das mais repetidas nas mensagens de homenagem nas redes sociais.

O seu primeiro grande papel aparecia logo depois, quando em 1976 dá vida ao protagonista de Anjo Mau, uma novela de Cassio Gabus Mendes (1929-1993).

Nesse mesmo ano, o actor brilha no cinema no papel de Valdomiro ‘Vadinho’ Santos Guimarães em Dona Flor e seus Dois maridos, adaptação de Bruno Barreto da obra homónima de Jorge Amado. Até 2010, este ainda era o filme mais visto nos cinemas brasileiros, só ultrapassado depois por Tropa de Elite. Ao todo foram 49 filmes, destacando-se ainda Bye Bye Brasil (1979), de Cacá Diegues, onde protagoniza Lorde Cigano, ao lado de Betty Faria e Fábio Júnior, mostrando um Brasil em mudança através de um grupo que faz espectáculos para a população brasileira que ainda não tem acesso à televisão.

Fez 29 novelas e outro marco da televisão, também muito recordado em Portugal, é Roque Santeiro, novela escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva e onde José Wilker foi o próprio Roque Santeiro, ao lado de Regina Duarte e Lima Duarte. Fez 29 novelas.

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