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Postado em 31-03-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 31-03-2014 18:28

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DEU NO JORNAL A TARDE

Pelo menos 33 baianos foram mortos ou desapareceram durante a ditadura militar, entre eles o guerrilheiro Carlos Marighella e Stuart Edgar Angel Jones, filho da estilista Zuzu Angel, que nasceu em Salvador e cresceu no Rio de Janeiro.

Vinte e oito deles estão no livro Mortos e Desaparecidos Baianos, que será lançado nesta quarta-feira, 2, na Biblioteca Pública dos Barris. A publicação é um recorte de outro livro: Direito à Memória e à Verdade, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República.

Há outros cinco baianos citados nesta segunda publicação, não presentes na edição local, o que totaliza os 33 casos mencionados.

O lançamento do livro faz parte do projeto Ditadura Militar Direito à Memória: 50 anos do golpe de 1964, organizado pela Secretaria da Educação da Bahia e com o apoio da pasta estadual de Cultura.

“Há a necessidade de esclarecer as circunstâncias das mortes e o direito das famílias de terem acesso aos restos mortais de muitos deles”, diz o secretário da Educação, Osvaldo Barreto.

O titular conta que conviveu com dois dos desaparecidos: seu primo Uirassu Batista, nascido em Itapicuru, e Vandick Reidner, de Boa Nova, com quem estudou economia na Universidade Federal da Bahia. Ambos participaram da Guerrilha do Araguaia, como grande parte dos nomes da lista.

“Ter um filho que some é uma experiência trágica. Minha tia tinha uma expectativa do retorno de Uirassu. Ouvia alguém descer as escadas da casa e achava que era ele”, afirma Barreto.

Família destruída

A advogada Leônia Cunha, de 66 anos, afirma que, além de sua irmã Nilda Cunha, sua mãe Esmeraldina Cunha também foi uma vítima do regime militar. “Eles destruíram a nossa família. Lamento que as pessoas que tenham feito isso não tenham sido julgadas”, diz. Leônia relata que sua irmã foi presa em 20 de agosto de 1971, no edifício Santa Terezinha, na rua Minas Gerais, no bairro da Pituba, na capital baiana.

Nilda foi detida durante operação na qual morreu a guerrilheira Iara Iavelberg, mulher do capitão Carlos Lamarca, da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

Militante do MR-8, Nilda foi levada para o forte do Barbalho, junto com seu namorado, Jaileno Sampaio. “Ela foi barbaramente torturada. Vendaram os olhos dela e a levaram para um lugar frio onde lhe mostraram o corpo de Iara”, diz Leônia, com base em relato posterior da irmã.

Libertada no começo de novembro do mesmo ano, morreu no dia 14 do referido mês, com sintomas de cegueira e asfixia, aos 17 anos. A causa de sua morte nunca foi devidamente esclarecida.

Em outubro de 1972, sua mãe Esmeraldina foi encontra morta, em casa, com um fio de máquina de escrever no pescoço. Leônia, porém, não acredita na versão oficial de suicídio.

“Minha mãe não apresentava nenhum sinal de enforcamento. Não fizeram inquérito, não perguntaram nada para a gente”, afirma.

A advogada diz ainda que sua mãe já havia sido ameaçada por denunciar nas ruas os crimes da ditadura, após a morte de Nilda, o que teria “incomodado” o regime. “O major mandou avisar à senhora que, se não se calar, nós seremos obrigados a fazê-lo”, teria dito um desconhecido a Esmeraldina.

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Comentários

PAULO on 2 Abril, 2014 at 14:10 #

muito bom faltou informar o horário
do lançamento


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