• Som na caixa, Moraes, que a Ladeira da Praça só desce sambando que tem muito samba no pé. É preciso provar que conhece do riscado e daginga, como os Novos Baianos, até desembocar na Baixa dos Sapateiro.

    FELIZ ANIVERSÁRIO, CIDADE DA BAHIA!!!

    (Vitor Hugo Soares)

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    DEU NO ESTADÃO

    LUÍS LIMA

    Agência Estado

    A presidente Dilma Rousseff anunciou neste sábado, em sua conta no Twitter, que ela e o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), ordenaram o início da construção de dois corredores de ônibus em Salvador. “Com os novos corredores transversais, o tempo de viagem entre o subúrbio ferroviário e a orla atlântica vai cair de 1 hora e 30 minutos para 30 minutos”, afirmou.

    Segundo a presidente, o prazo de execução das obras é de 36 meses e o custo será de R$ 1,3 bilhão. “Menos tempo no trânsito é mais tempo para o trabalho, estudo, lazer e família. É mais qualidade de vida”, disse Dilma.

    Em seguida, a presidente destacou a sua participação na 55ª Assembleia do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que acontece na Costa do Sauípe (BA). “O evento reúne autoridades de 48 países da América Latina e do Caribe para discutir o desenvolvimento social e econômico na região”, afirmou em sua conta no microblog

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    CRÔNICA

    Salvador 465 X Golpe Militar 50

    Janio Ferreira Soares

    Não fossem comemorações tão absurdamente distintas, bem que a festa poderia ser uma só, como acontece quando pessoas nascidas em datas próximas resolvem dividir as despesas dos risoles, brigadeiros e até o cachê do cover do cover de Patati Patatá.

    Porém, neste caso específico, embora a diferença entre os episódios seja de apenas dois dias, definitivamente não existe chance de união. Acontece, meio como na música de Caymmi (alô! Bené Fonteles, maravilha de artigo), que a primeira aniversariante, que hoje, 29/03, completa 465 anos, é uma baiana cheia de encantos, mistérios e muitas dessemelhanças, docemente batizada em 1549 com o sagrado nome de Cidade do São Salvador da Bahia de Todos os Santos.

    Acontece que a segunda aniversariante, que depois de amanhã, 31/03, completa 50 anos, é uma triste e forasteira aberração puxada por um fórceps do fundo de um pântano verde-oliva, que, reza a lenda, já chegou ao mundo com um visual parecido com o do jovem Sarney ao assumir o seu primeiro mandato de governador do Maranhão (o mesmo buço e um Ray-Ban vintage, acrescidos de coturno, fuzil e quepe), sendo logo batizada de ditadura – ou golpe militar – tanto faz, assim mesmo, com as primeiras letras diminutivamente demonstrando meu desprezo ao nome. Falemos um pouco das duas.

    Apesar de ter sido um período muito tenebroso, pelo menos num aspecto a ditadura valeu a pena. Enquanto durou (21 anos), ela foi a responsável por uma produção cultural inspiradíssima, sobretudo na música. Quanto mais o sarrafo comia no centro, com prisões, torturas e o diabo a quatro, mais o Sol se repartia em crimes, espaçonaves, guerrilhas e cardinales bonitas, além de outras metáforas inseridas em geniais canções que, à época, nos enchiam de esperança de que um lindo amanhecer logo chegaria e então as crianças cantariam livres sobre os muros e ensinariam sonhos a quem não podia amar sem dor, como dizia Taiguara numa velha balada magistralmente escoltada pelos acordes do seu piano acústico.

    Mas aí, depois da volta do irmão do Henfil e de tanta gente que partiu num rabo de foguete, os conceitos sonoros e estéticos foram mudando, mudando e hoje a nossa cena musical praticamente se transformou numa outra ditadura conduzida pelo general Faustão e sua tropa de torturadores, atualmente formada pelo coronel Luan Santana, major Naldo, capitão Thiaguinho, tenente Anitta, sargento Bell, cabo Márcio Victor e aspirante Waleska Popozuda, sem falar nas dezenas de duplas sertanejas – conhecidas nas casernas pelo codinome “pau de arara e choque elétrico” –, sempre dispostas a usar suas vozes esganiçadas para implodir quaisquer movimentos paralelos que ousem sons e letras diferentes do padrão Paula Fernandes de qualidade (as últimas baixas, soube, foram Rodrigo Campos, Péricles Cavalcante e Wado, já ouviu falar? Pois é, acho bom procurá-los num sótão de alguma fazenda nas adjacências de Goiás, Goiânia, por ali.).

    Voltando a travada aniversariante – que periga chegar atrasada à sua própria festa -, lembro que ao vê-la pela primeira vez na velha rodoviária das Sete Portas o dia estava prestes a nascer, com a barra que o antecede enquadrando as luzes dos postes, o que deixava o cenário parecido com uma imagem que eu só veria anos depois, no filme Paris, Texas.

    Ao descer do táxi na Rua Rui Barbosa, o Sol já iluminava o corpo do poeta, a mureta, o mar e o começo da Ilha. Em frente ao Cine Guarani uma banca de revistas me acenava. “Quem lê tanta notícia?”. Meu tio Lindemar soltou minha mão, alisou minha cabeça e disse: “vai”. E aqui estou eu.

    Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, nascido na cidade de Santo Antonio da Glória, na margem baiana do Rio São Francisco

    mar
    29
    Posted on 29-03-2014
    Filed Under (Artigos) by vitor on 29-03-2014


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    Nani, hoje, no portal A Charge Online

    http://youtu.be/l3IoILJovpk

    Viva Salvador, que vai em frente, apesar dos pesares. Que seja a felicidade o destino final da Cidade da Bahia. Viva o 29 de Março.

    No mais, a poesia de Gil é essencial. Confira
    BOM DIA!!!

    (Vitor Hugo Soares)

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    ARTIGO DA SEMANA

    A Sonata da entrevista de Joaquim Barbosa

    Vitor Hugo Soares

    Carregada de tensão e faíscas elétricas, a entrevista do presidente do Supremo Tribuna Federal (STF), Joaquim Barbosa, que marcou o retorno do programa de Roberto D’Ávila à televisão (agora no canal privado Globo News), foi provocativa e atraente do começo ao fim. Fatos e informações do mundo da política, da justiça, da comunicação, da cultura, das relações sociais e principalmente da condição humana, espalharam-se fartamente por todos os blocos.

    Ainda assim, restaram importantes lacunas jornalísticas, à espera de perguntas e de respostas. Nas questões mais gerais citadas acima, e em várias outras, mais específicas e “da hora”, a exemplo do processo contra o jornalista Ricardo Noblat. Essa questão foi tangenciada por entrevistador e entrevistado. Ficou em aberto, rondando entre dúvidas, meias palavras e vacilações de parte a parte, até se dissolver no ar.
    Uma pena: para o programa, seus personagens e telespectadores.

    Mas nem tudo se perde por causa disso. A impressão, no conjunto da obra, é de que algo realmente significativo aconteceu na telinha da TV brasileira. E para todos os gostos: de quem admira e de quem detesta e não tolera Joaquim Barbosa. Ou para os que ainda observam o jurista (nascido em Minas Gerais das montanhas famosas, mas encantado e atraído desde a juventude pelo planalto central onde fica Brasília), com “aquela incômoda pulga atrás da orelha”.

    Afinal de contas, quando o assunto é o atual presidente do STF (o terceiro nome na escala do poder nacional, como ele próprio definiu), praticamente não existe meio termo no Brasil atual: é afago ou pancada.

    Muito já se falou em notícias, notas e artigos (até internacionalmente) sobre a entrevista. Virou um dos assuntos mais destacados da semana na mídia e na opinião pública e já foi repetida por duas vezes pela emissora que a produziu. Não vale, portanto, remoer detalhes, levantar suposições ou tentar interpretar e analisar silêncios eventuais.

    Estas linhas são, basicamente, para tentar dar relevo ao que o jornalista considera um dos momentos mais marcantes e emblemáticos do programa. Exatamente o último bloco, no qual Joaquim Barbosa fala das suas preferências musicais, e sugere a “Sonata a Kreutzer”, de Beethoven, como trilha de encerramento da sua conversa com o apresentador.

    Esta parte foi praticamente deixada de lado nas análises e críticas sobre a entrevista. Preciso registrar e reconhecer que a minha empolgação com este pedaço do programa de TV decorre talvez de experiências intelectuais próprias e de recordações de um tempo marcante de vida pessoal.

    Era (antes da mudança para Salvador no começo dos dramáticos anos 60) estudante de fim do ginasial e começo do curso secundarista no Colégio D. Bosco (comandado por padres salesianos e uma referência nordestina de qualidade de ensino), localizado na cidade pernambucana de Petrolina (PE). Meus passos e pensamentos então eram comandados pela curiosidade e o desejo da transgressão na cidade vibrante e progressista do fim dos anos 50.

    Bebia Cuba Libre já, misturava a dança do bolero com o Rock, mas me alimentava de leituras de romances variados, dos discursos flamejantes de Miguel Arraes e dos sermões ardentes do bispo D. Avelar Brandão Vilela, que reencontraria anos depois na Bahia. Ele Arcebispo de Salvador e cardeal primaz do Brasil. Eu, incômodo repórter e chefe de Redação da Sucursal do Jornal do Brasil.

    Minha curiosidade, naqueles dias no sertão, voltou-se para um caixote no quarto dos fundos da casa na beira do Rio São Francisco, onde meu pai guardava seus livros mais “perigosos”. Em geral, de autores russos. Ele estava de viagem na capital, ou trabalhando em Juazeiro (BA), do outro lado do rio , não lembro bem.

    Só sei que aproveitei para vasculhar os “livros secretos” de meu pai e das descobertas que fiz em seguida. Como ferro em brasa, elas me marcariam a carne e o espírito durante anos e até hoje. Não farei aqui uma lista dessas publicações, mas revelo que entre elas estava o romance de Lev Tolstói, “Sonata a Kreutzer”, um dos tesouros literários da minha juventude.

    Recordo bem: a capa era o desenho de um casal, com os traços e as marcas do “realismo soviético” nas artes gráficas. O que me deixou fascinado. A ponto de me desligar do resto do mundo em volta, e começar a leitura ali mesmo, ao pé do caixote aberto de livros de seu Alaôr.

    O final da conversa de Joaquim Barbosa com Roberto D`Ávila trouxe todo o passado de volta. Sonata a Kreutzer, o livro, em resumo, foi qualificado em seu lançamento, como Um Ensaio sobre o Ciúme. Trata do relacionamento do homem e da mulher em uma sociedade em mudança na Rússia do final do século XIX. Em tela, no embate dos personagens, afloram questões universais e ainda presentes. Em particular, os preconceitos, a moralidade das relações entre os homens e mulheres e os fatores que influem no comportamento. Dos simples instintos aos decorrentes da própria educação, do cotidiano da vida e das convenções sociais.

    A novela se passa numa viagem de trem que atravessa a Russia, onde vão se juntando ao casal outro passageiros. A inspiração de tudo, porém, está na música, à qual Tolstói era imensamente sensível. Afinal, os sentimentos exaltados que o romance sempre provocou, dentre o fora da Russia, e a polêmica desatada até nos Estados Unidos, só encontra paralelo na famosa peça musical de Beethoven, conhecida como Sonata a Kreutzer, composta em 1803.

    A música que o ministro Joaquim Barbosa evocou e sugeriu para encerrar sua entrevista na Globo News, “não apenas inspirou o título do livro de Tolstói, mas constitui um dos seus motivos centrais”, registra um crítico literário.

    Empolgante evocação de Joaquim Barbosa. Vale a pena ler e ouvir de novo. Confira.

    Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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    CRÔNICA PELÉ E A “FURADA” DA CNN

    Gilson Nogueira

    Leio no Yahoo: “Nesta sexta-feira de manhã, quem acompanhava o twitter do programa New Day, da CNN americana, recebeu a notícia sobre a morte de Pelé. A gafe foi logo corrigida pela assessoria de imprensa do Rei, que estava viajando entre Londres e Nova Iorque na hora em que a notícia foi publicada na rede. O programa retirou a informação do ar minutos depois, se desculpando pela informação falsa.”

    E viva ele, o maior jogador de futebol de todos os tempos, que segue, vivo, mais vivo que nunca, com a glória fazendo-lhe companhia, sem que, por isso, perca a humildade do garoto que, um dia, engraxou sapatos de muita gente, inclusive, no caso, ao chegar, em Santos, para jogar no maior time de futebol que o Brasil já teve, dos seus companheiros de equipe, o glorioso alvinegro praiano. Um engraxate de brincadeira, alí.

    Pelé, símbolo de orgulho esportivo da pátria amada Brasil, Atleta do Século XX, deu ao mundo da bola a oportunidade de conhecer a intimidade dela com o ser humano, coisa, até hoje, inexplicável e nunca repetida no universo do esporte das multidões. Maradona, junto dele, é uma piada.

    Pelé e a bola foram, sob as bênçãos e o Olhar de Deus, um dos espetáculos mais formidáveis que os torcedores de todo o planeta assistiram, ao vivo e em fitas de vídeo e de cinema, sem falar nas fantasias enloquecedoras que faziam ao ouvir as vozes extasiadas dos locutores de rádio, na época em que transmitir os lances de uma partida era mais de que escutar o desenrolar de um jogo, descrevendo seus dribles e gols espetaculares.
    O brilho de Pelé transpõe o tempo, alcança as estrelas e balança as arquibancadas da imaginação de quem o sabe Eterno.Não morrerá, jamais, ainda que, um dia , venha a falecer.

    Toc, toc,toc!

    Por enquanto, sabendo-o com saúde, representando sua presença, em qualquer evento, um diferencial de qualidade, cabe, sim, entender que a brincadeira de péssimo gosto dos americanos não passa de mais um gol de idiotice, esse ingrediente que faz dos noticiários de alguns sites de renome verdadeiros purgantes.
    Antes de uma barrigada sem limites, o noticiário que gerou o desmentido da CNN não passa de uma cagada jornalística internacional, antecedendo a Copa do Mundo no Brasil. Por falar nisso, é bom cruzar os dedos, para que não falte papel higiênico no país.
    Antes que eu esqueça, Pelé, imagino, tá…para os gringos.

    Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP

    BOM DIA!!!

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