Geromel:cara de estudante universitário…

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…e muita informação na TV

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ARTIGO DA SEMANA

Manhattan Connection: Geromel e os bilionários da Forbes

Vitor Hugo Soares

Pode até parecer insistência desnecessária, mas vou em frente na opinião: Considero relevante tirar o chapéu (pela quarta vez em menos quatro meses), para novo tento jornalístico em formato de entrevista multinacional – no triângulo New York (Lucas Mendes e Caio Blinder), São Paulo (Ricardo Amorim), Veneza (Diogo Mainardi) – assinalado pelo Manhattan Conection, domingo passado.

No programa do canal privado Globo News, para quem dorme tarde na véspera da segunda-feira, o foco principal, desta vez ,recaiu sobre o paulistano Ricardo Geromel, profissional de comunicação, especializado em bilionários, da revista Forbes.Golaço do programa, depois de Boni, da televisão, FHC, da política, e Luiza, dos magazines.

Na poltrona de entrevistado agora, “um rapaz com cara de estudante universitário”, na definição precisa do apresentador Lucas Mendes. No entanto, o “garoto”, ao superar a timidez pessoal inicial e o temor profissional, diante do alerta de um dos entrevistadores (Mainardi) sobre a ameaça de “algum processo criminal lhe ser jogado nas costas por alguém incomodado com seu trabalho”, se revelaria detentor de informações preciosas e com elevado poder explosivo e polêmico.

Sem sair do tom (salvo em algumas reticências) e com bom humor, uma das marcas principais do programa, Geromel falou dos ricaços e como fortunas são construídas no Brasil, na Rússia, na França, nos Estados Unidos, no Reino Unido ou na africana Angola. Não raramente, da noite para o dia.

Empresários de larga tradição e cabedal,aventureiros de todo tipo, políticos, novos ricos ou herdeiros de famílias tradicionais de poderosos freqüentadores da lista, mundialmente famosa, que cresce mais a cada edição, indiferente aos conflitos localizados, perdas das moedas nacionais, crises econômicas e financeiras, políticas ou governos e regimes.

A conversa no Manhattan Connection descortinou um universo tão surpreendente e estranho quanto fascinante e complexo em suas múltiplas facetas, redes e conexões: Gente que nasceu rica, gente que multiplicou dinheiro com trabalho, inventividade e transparência. Bilionários metidos a sabidos construtores de castelos de areia, como o brasileiro Eike Batista, “que quando era bilionário adorava ter os seu nome e perfll apresentados na Forbes”.

Gente que fez fortuna misteriosa, espetacular e rapidamente, a exemplo da filha do ditador angolano, Eduardo Santos, “que não ficou nada contente, muito ao contrário, ao ver o seu nome aparecer entre raras mulheres do mundo, na lista da revista dos ricaços”, revela o rastreador de fortunas.

Em vários momentos da entrevista – a conversa ocupou um bloco inteiro do Manhattan e merecia mais espaço ainda – revelações interessantes e surpreendentes. Principalmente em relação a dados sugeridos ou já disponíveis, “mas ainda não de todo confirmados e por isso ainda guardados com sigilo pela publicação norte-americana”, sobre ricaços brasileiros e mundiais, a caminho do primeiro bilhão.Uma aula de construção e concentração de riquezas.

Sem dúvida, para os insones do domingo, um prato cheio de relevantes e deliciosas informações. Pelo muito que foi dito e pelo bocado que ficou subtendido. Ou à espera de boa e eficiente investigação jornalística.

O telespectador ficou sabendo, por exemplo, que a lista mais recente dos bilionários da Forbes, é freqüentada por 67 brasileiros. Na anterior, eram 45. Um espantoso crescimento de concentração de renda, “o maior nos últimos dois anos”, apesar da crise e da desvalorização do Real. O mais intrigante, porém, acontece na Russia. Um país com metade da população e economia bem menor, em seu conjunto, que a brasileira, mas com quase o dobro de bilionários na lista dos ricaços do mundo, segundo o ranking dos bilionários atuais.

E uma tendência recente, revelada por Ricardo Geromel. Antes, havia um culto de orgulho, quase celebração, da maior parte dos freqüentadores da relação. Ultimamente, é cada vez maior a quantidade dos que ligam para os especialistas da revista (mais de 400 e 20 deles em tempo integral de pesquisa, contatos e checagem de dados), “pedindo para ficar de fora do ranking”.

Esta tendência, reveladora de temores com as medidas de taxações de fortunas e investigações sobre suas origens, começou com a chegada de Obama ao poder nos Estados Unidos, mas ganhou corpo com a eleição do socialista François Hollande, na França. “Os franceses, meia centena de bilionários, muitos deles com suas fortunas na Suiça e em outros países, são os que mais pedem atualmente para ficar de fora do ranking dos donos das grandes fortunas”, revela Ricardo Geromel.

“Mas a Forbes atende a esse tipo de apelo?”, pergunta o âncora, Lucas Mendes. “A política da Forbes é: se a pesquisa revela que ele tem um bilhão de dólares ou mais, ele entra na lista, atualmente com 1.646 integrantes, que vem sendo feita há 28 anos”, responde o entrevistado.

Diogo Mainardi, de Veneza, quer saber sobre a fortuna dos novos oligarcas da Ucrânia, e o entrevistado demonstra saber de muita coisa, “mas infelizmente não pode compartilhar segredos, em razão do sigilo pedido por algumas fontes, por alegados motivos de segurança, que a revista respeita”. Lucas Mendes retorna o foco para o Brasil:

-Ricardo, você levantou a fortuna de Lula ou da presidente Dilma. Lula é bilionário?”. A resposta é positiva quanto ao levantamento, mas negativa quanto ao tamanho da fortuna: “Não, Lula não é bilionário, mas… As reticências da resposta são interessantes e merecem ser vistas e anotadas com atenção, na íntegra, por quem perdeu o programa e se interessar pelo assunto.

É de lamentar (quem sabe em razão do horário em que muita gente já está no primeiro sono para agüentar o tranco da segunda-feira) a reduzida repercussão da entrevista na mídia brasileira durante a semana.O vídeo da rica conversa de Mendes, Blinder, Mainardi e Amorim, com Geromel, no entanto, está no site do Manhattan e circula intensamente na Internet.

Merece ser visto, ou revisto, como exercício nas redações sobre a técnica e a arte de entrevistar, ou como objeto de estudo atento nas aulas de teoria e prática das escolas de Comunicação do País. Confira.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor­_soares1@terra.com.br

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Comentários

rita lelis on 23 Março, 2014 at 16:03 #

sou visitante eventual do blog e leitora de sua coluna na tribuna. faço a mais contundente crítica ao deixar no ar, como o tal geromel, o mas …em relação à tão falada fortuna de lula. mas o quê??? eu quero saber. não assisto há tempos a globonews, o mainardi me causa asco. vi apenas, depois da ampla divulgação, a surra que d. luiza deu no babaca pseudo-veneziano… vc precisa assistir o jornal do heródoto, na record news, ali sim se pratica o bom jornalismo. saia dessa vitor hugo, vc tem nome e credibilidade nesta soterópolis.


rita lelis on 23 Março, 2014 at 16:03 #

sou visitante eventual do blog e leitora de sua coluna na tribuna. faço a mais contundente crítica ao deixar no ar, como o tal geromel, o mas …em relação à tão falada fortuna de lula. mas o quê??? eu quero saber. não assisto há tempos a globonews, o mainardi me causa asco. vi apenas, depois da ampla divulgação, a surra que d. luiza deu no babaca pseudo-veneziano… vc precisa assistir o jornal do heródoto, na record news, ali sim se pratica o bom jornalismo. saia dessa vitor hugo, vc tem nome e credibilidade nesta soterópolis.


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