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ARTIGO/CONTRASTES

Cláudia Ferreira e o Motorista do 1636

Por Franciel Cruz

Nada ou tudo que se diga sobre o covarde e brutal assassinato de Cláudia da Silva Ferreira poderá dar a dimensão da barbárie cometida pelo Estado. O vídeo mostrado nesta segunda-feira, dia 17, pelo Jornal Extra é terrivelmente chocante. Os três policiais do 19º BPM de Rocha Miranda, os sub-tenentes Adir Machado e Rodney Archanjo e o sargento Alex Sandro Alves, tratam a auxiliar de serviços gerais e mãe de 8 filhos, quatro naturais e quatro adotados, como se fosse um saco, para usar a forte e, paradoxalmente, impotente expressão do viúvo Alexandre Fernandes da Silva.

E o desprezo policial, como sói acontecer, contamina e/ou é contaminado pelas diversas outras esferas de poder e da sociedade. A auxiliar de serviços gerais, Cláudia da Silva Ferreira, moradora do Morro do Congonha, que, como se observa tem nome, profissão e residência, transforma-se apenas em uma mulher arrastada pela viatura, segundo os noticiários. Ou então em uma “trabalhadora”, de acordo com a fala da ministra Maria do Rosário em seu pronunciamento no twitter.

Esta é uma lógica que se repete per seculae seculorum. Os jornais e os outros veículos da mídia e do poder especializaram-se em retirar não só a dignidade dos deserdados, mas insistem em não reconhecerem nem mesmo o presente que eles receberam na pia batismal. Aliás, o único momento em que há tratamento igualitário entre pobres e ricos é na seguinte ocasião: quando um pobre é assassinado ou um rico é detido por tráfico ou algo que o valha nunca (ou muito raramente) dão-se destaque aos seus nomes. Quando a situação é inversa, isto é, um rico é assassinado e um pobre é preso com uma trouxinha de maconha, aí sabemos toda a árvore genealógica de todos os envolvidos.

É absurdamente incrível esta disparidade de tratamento. Para ficar no campo policial, vale comparar os seguintes fatos e procedimentos. A polícia feroz, que matou o menino Joel e, pouco tempo depois, seu primo Carlos Alberto aqui no Nordeste de Amaralina, em Salvador, é a mesma que se porta de modo extremamente condescendente diante de uma agressiva moça que diz ser sobrinha de um juiz e conhecida do radialista e ex-prefeito Mário Kértesz (http://www.youtube.com/watch?v=EhTbFdvNFCU). Eles se guiam pelo devastador axioma. “Rico também delinque, mas aí não é problema da polícia”.

Porém, o que queria também destacar é que dia de ontem não ficou marcado somente pela Barbárie, não pelo menos para mim e para as cerca de 80 pessoas que lotavam o ônibus 1636, com destino à Mata dos Oitis, via orla. Exatamente no horário do rush, com a cidade toda engarrafada (é incrível como a atual gestão conseguiu o impossível: piorar o trânsito de Salvador), nervos à flor da pele, cansaços, estresses, foi possível presenciar um ato de delicada bravura.

Seguinte foi este.

No primeiro ponto da Avenida Pinto de Aguiar, uma senhora com uma criança no colo adentrou o ônibus lotado. Nas Condições Normais de Temperatura e Pressão, o motorista, já exausto por um dia de trabalho e aborrecimentos, tocaria o bonde sem maiores preocupações. Mas não o motorista do ônibus 1636. De modo surpreendente, ele parou o buzu e falou com voz serena, mas firme. “Só sigo viagem se derem lugar a esta senhora”.

Passaram-se pouco mais 30 segundos, que pareciam uma imensidão, tamanho o constrangimento, até que, enfim, uma pessoa se levantou. A senhora, então, pode se sentar com seu filho e a viagem prosseguiu normalmente.

Normalmente, vírgula, extraordinariamente. Ali, naquele momento, estávamos presenciando mais um ato de terna bravura daqueles que, apesar das mais duras adversidades do cotidiano, recusam-se a se entregar à barbárie. Aliás, a batalha da serena, mas combativa, delicadeza contra a estúpida brutalidade parece ser a mais importante luta neste Brasil tão desigual e desgraçadamente dividido.

Por isso, apesar dos dissabores de um buzu completamente lotado, fiquei o resto da viagem imaginando como seria confortante se o motorista do ônibus 1636 de Mata dos Oitis fosse o responsável por prestar socorro a Cláudia da Silva Ferreira.

P.S.1 Antes de escrever estes rabiscos, fui ao Google para ler algo sobre a morte de Cláudia da Silva Ferreira. Porém, a referida ferramenta de pesquisa sempre completava com outro sobrenome. Apareceram as mortes da atriz Cláudia Magno, ocorrida há exatos 20 anos, a reportagem sobre “O Assassínio de Cláudia Lessin Rodrigues”, que recebeu o prêmio Esso de 1977, e até mesmo o boato sobre a “morte” da cantora Claudia Leitte.

P.S.2 Perdi uns bons anos nos ordinários bancos da Faculdade de Comunicação. No entanto, depois ouvi as benditas palavras do anjo torto e fui ser barnabé na vida. E estamos todos bem. O glorioso jornalismo baiano, que saiu lucrando imensamente, e este burocrata que vos aborrece. Agora, contudo, tentarei fazer valer o diploma. Vou correr atrás de informações sobre a história do condutor do ônibus 1636 que trafega pela orla rumo à Mata dos Oitis.

Franciel Cruz é baiano e diplomado em jornalismo, mas não pratica nenhum dos dois, diz o autor.O BP discorda.E o texto fala mais alto.

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A homenagem de um ateu que acredita em milagres ao santo da maior devoção de minha mãe, dona Jandira .
A ela, em memória, onde estiver. E ao mano José Genival Soares, herdeiro do nome do santo.

(Vitor Hugo Soares)

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Lisboa:encantos de uma cidade especial

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Os elétricos (bondes), o rio Tejo, as roupas coloridas nos varais, as mulheres de rosto enrugado à janela, o som do Fado numa esquina, mas também a história e a saudade. O jornal Washington Post andou por Lisboa e apaixonou-se.

Numa série de reportagens especiais sobre viagens e turismo, o jornal norte-americano andou por várias cidades europeias.

O artigo sobre Lisboa ficou a cargo de Anja Mutic, uma escritora de origem croata que vive em Nova Iorque há 15 anos, que viaja pelo mundo e já escreveu para a National Geographic, Washington Post, The Wall Street Journal, New York Magazine, BBC Travel, entre outros.

No texto, a escritora diz que já perdeu a conta das vezes que visitou a capital portuguesa e que o marido viveu 14 anos em Lisboa.

Desta vez, a visita começou pela Baixa, a bordo do elétrico 28, onde destaca a «recente renovação» do Terreiro do Paço, «com cafés, restaurantes, museus e, nos dias mais ensolarados, multidões de turistas de câmeras na mão».

Depois são as colinas de Lisboa, «com a sua beleza envelhecida escondida em labirintos de vielas», «as ruas pavimentadas com calçada portuguesa e a arquitetura neoclássica da Baixa Pombalina, construída após o sismo devastador de 1755».

mar
19
Posted on 19-03-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-03-2014


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Duke, hoje, no jornal O Tempo (MG)


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DEU NO RG DO MÊS/ PORTAL TERRA

Procura-se uma nova classe alta…

por Nizan Guanaes

O que os americanos e ingleses mais sofisticados têm em comum? Cultura.

Livros e dinheiro são uma mistura perfeita para elegância, savoir faire e bom gosto.

Infelizmente o Brasil, que copia tanta coisa destes dois grandes países, não aprendeu a copiar essa ainda. A pobreza do rapaz rico dos camarotes, estampada na capa da Vejinha, mostra uma classe alta inculta que beira as raias do constrangimento num país cheio de desigualdades.

Ninguém que tenha aberto um livro será capaz de, num mundo desigual como o nosso, abrir champanhes magnum a rufar de tambores e piscar de luzes.

Dinheiro sem livro faz garotos ruidosos e meninas caladas. Gente mal vestida com as melhores grifes. E que não sabe se comportar no mundo.

Gente caipira.

A começar, não sabem falar inglês, inaceitável num mundo global. O mais lamentável ainda é que falam mal português também.

A vida social em Nova York e Londres se passa dentro de universidades e museus, misturando caridade, diversão e cultura. Quando você conversa com pessoas como Tina Brown e Arianna Huffington, elas não são apenas locomotivas sociais, elas são enciclopédias vivas. Sem cultura e sem refinamento intelectual, seremos sempre sinhozinhos e sinhazinhas capiras mesmo que a gente compre todas as roupas, relógios, fivelas, todos os aviões e carros do mundo.

Este país, apesar de todos os desafios que tem, já é um gigante global. E além de uma nova classe média, ele precisa de uma nova classe alta.

Harvard, Yale, Stanford, Oxford, Cambridge… são centros sociais desse mundo moderno. É lá nessas escolas que se formam o establishment social que vai influir no mundo. No Brasil, nós ainda achamos que esse establishment se forma em Nammos, em Mikonos, ou no Club 55, em St.-Tropez.

Nasci no Pelourinho. Fui a uma universidade bem mais ou menos. Mas em vez de dar uma Ferrari pro meu filho, coloquei ele na melhor escola que São Paulo tem: a Graded. E ele, por conta própria, escolheu fazer o colegial em uma das melhores prep schools dos Estados Unidos. A escola Exeter foi fundada em 1781. Lá estudou Mark Zuckerberg. A biblioteca tem 250 mil livros. E Antonio está estudando latim, fazendo remo e sofrendo pra burro pra entrar na disciplina da escola. Mas isso sim é uma herança.

Meu filho leu mais do que eu, sabe mais do que eu. Está se tornando um homem melhor por dentro e por fora.

Eu acredito que desse jeito construo não só um futuro pra ele, mas construo um futuro melhor pro país. Eu me dedico pessoalmente à educação de minhas crianças. Cada uma tem seu caminho e seu estilo. Passei, por exemplo, uma semana mostrando a Antonio o que era Istambul. E três horas jantando com Zeca, eu e ele, num restaurante três estrelas Michelin em Osaka.

Os brasileiros melhores que nós formamos são a maior contribuição que podemos dar ao futuro desse país. Claro que o caminho não é fácil. Antonio, por exemplo, acostumado à boa vida de um menino em sua idade em São Paulo, luta para se enquadrar à vida espartana e focada em Exeter. Ao acompanhar meu filho e sua luta na tradicional escola, vejo de posição privilegiada como os Estados Unidos e a Inglaterra fabricam grandes mentes a ferro e fogo. Estudantes de história que viram fotógrafos ou vão fazer moda, ou simplesmente serão grandes anfitriões.

Mas em tudo que forem fazer terão a marca indelével da boa educação. E é isso, educação, que nós, a elite, desejamos e cobramos tanto para os pobres que eu cobro para os ricos. Porque é elite estudada, culta e sensível um dos maiores luxos que este país mais precisa.

mar
19

BOM DIA!!!

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