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Postado em 17-03-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-03-2014 00:54

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CRÔNICA

O ponto

Gilson Nogueira

No totem publicitário plantado no passeio do jardim central da Avenida Centenário, o termômetro marcava 34 graus. A praia do Farol da Barra não recebia número de banhistas proporcional ao calor apontado na peça que separa o lado bem cuidado da avenida do lado abandonado da mesma via, considerada, no passado, a menina dos olhos da Prefeitura, antes da ação dos vândalos de plantão, que destroem seus equipamentos de lazer, como aparelhos de ginástica, bancos, quiosques, além de lixeiras, todos feitos de pinho.

O último domingo de verão fez a minha alma cantar, como a de Tom Jobim cantou ao ver o Rio de Janeiro da janela do avião. Senti isso, ao dar a volta no Forte de Santo Antonio, o secular Farol da Barra, e, dali, poder admirar a Ilha de Itaparica deitada na borda do Oceano Atlântico e a entrada da Baía de Todos os Santos, onde um barco de pesca, pequeno, chegava perto dos arrecifes da linda praia em que tomo banho desde os primeiros anos de vida.O deslumbramento continua o mesmo, diante da paisagem, de céu e mar em dueto, desde o dia em que o Sol iluminou, pela primeira vez, a capital do berimbau.

Na Avenida Octávio Mangabeira, conhecida como Oceânica, entre o Edifício Oceania e um centro comercial, próximo ao Barravento, sobre um calçadão recentemente inaugurado, pela Prefeitura, crianças brincavam com bola, velocípede, bicicleta e skate, sem preocupação com o calor apontado na peça da Centenário. E sem medo de atropelos, uma vez que os veículos motorizados são proibidos de circular, no trecho, aos domingos. Os pais, atentos, pareciam, também, imitar os pequenos, ao compartilhar brincadeiras e sorrisos. Um deles, tocando, rasteiro, uma bola de couro, em tamanho oficial, para seu guri, no outro lado da pista, dizia, “ Controle a pelota, controle, antes de chutar, com calma, para mim!”

Enquanto isso, um grupo de jovens clicava suas máquinas fotográficas, para registrar a felicidade deles, com o mar ao fundo, tendo, na sua frente, sombreiros azuis com a frase, em letras brancas, “ Deus é fiel”.

Constatando a admiração de turistas com o cenário deslumbrante da Barra Atlântica, pensei: “ Por que, meu Deus, por que filhos da terra não cuidam, como deveriam, do mar da baía, das areias de suas praias, dos edifícios e monumentos, da civilidade para voltarem a ser campeões mundiais da hospitalidade!!!???”
Salvador tem tudo para dar certo. Falta-lhe educação. Esse é o ponto, educação. BOM DIA!

Gilson Nogueira, jornalista, colaborador do Bahia em Pauta. Acaba de retornar de viagem à Carolina do Norte (USA) em tempo de inverno e muita neve.

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