mar
14

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CRÔNICA

Poesia e Poetas

Maria Aparecida Torneros

Ávida palavra
Dádiva a palavra

A palavra leva
A palavra presa
A palavra livre
A palavra lava

(Trecho do poema de Lena Jesus Ponte)

Já fiz manha pra ir à Espanha
Banquei a fatal para ir a Portugal
Nada consegui…

(Trecho do poema Viagem de Regina Lucia Mendonça Dias)

Por honra e gloria do poeta da praça do povo, o baiano Castro Alves, o dia 14 de março está consagrado no Brasil à comemoração da poesia, com seus poetas criadores, sonhadores, observadores, sensitivos, protestantes, que, através de palavras, versos, rimas e não rimas, interferem e nos ferem de prazer com suas inteligentes emoções ao interpretar a vida.

Neste dia, comemoro a amizade com duas poetas que me acompanham, em geração, desde os bancos escolares, do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Lena, companheira de meninice, com ela aprendi muito. Fiz o primeiro prefácio da minha vida, aos 15 anos, em 1965, no seu livro Meu Mundo, momento inesquecivel, com lançamento na livraria São José, e a garotada festiva da nossa turma ginasial.

Regina, cúmplice da mocidade que se descobriu, juntas, estudamos na Escola Normal, o tradicional Instituto de Educação, e também, no curso noturno, do Pedro II, segundo grau clássico, nos anos 67 e 68, anos que nunca terminaram.

Em 2008, fiz o prefácio, emocionada, do seu livro Translúcida, e em 2009, viajamos juntas para Espanha, Portugal e França.

Poetas amigas, celebrai! Somos assim, criaturas estranhamente ligadas pelo tempo e pelas palavrinhas mágicas.

Não me canso de reler seus livros, em instantes em que preciso reencontrar minhas raízes poemadas.

Agora, hoje, peguei os livros Ávida Palavra, da Lena, e Translúcida, da Regina, para me deliciar e homenagear o mundo delas, meu, nosso e de quem tem sentimentos, o tal mundo que norteou Castro Alves ao criar o seu celebre canto de dor diante da escravidão dos negros africanos, Navio Negreiro!

Poetas são assim, criaturas que se revelam no limbo de espaços entrecortados de dúvidas, lamentos, amores, alegrias, alternâncias de vivências, mas ollhares intensos para as dimensões interrogativas do modelo racional capitalista que tenta enquadrar o ser humano. Os poetas são revolucionarios sempre, fogem do tal modelito, questionam cada nuance da existência, voam através das palavrinhas como aves libertadoras.

Citações de poetas são refúgios para nossas almas. A cada poesia que alguém criou, uma asa se elevou no espaço, alguém alçou o vôo dos iluminados, elevou-se a um estado além do dia a dia e glorificou-se.

Tenho sorte de estar ligada a estas poetas amigas e dividir com elas as páginas poemadas da vida.

Ambas já são avós. Seguem poetando. Eu as sigo admirando. E aproveito para poema-las também!

Regina, rainha, Lena, menina,
Poesia princesa, palavra beleza,
Voando na alma, criação, avidez,
Na vida translúcida, altivez
Coisa de poeta aprendiz
Ou de artista experiente,
Nem se mente, nem se desdiz,
Só se gaba, além da prosa,
Quando verseja e me diz,
Cada uma delas, ao seu jeito,
O que lhes vai no peito
E o quanto me encantam…

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro. Editora do Blog da Mulher necessária, onde o texto foi publicado originalmente.

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