Voo Kuala Lumpur-Pequim: mistérios no ar

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DEU NO PÚBLICO, DE LISBOA

Enquanto seguem as buscas do boeing desaparecido na rota Kuala Lumpur-Pequim, acumulam-se perguntas cruciais. Algumas sem respostas.

Há algum caso de desaparecimento de avião semelhante a este?

Não há registo de um aparelho desta dimensão (trata-se de um Boeing 777) alguma vez ter desaparecido. O caso mais próximo é o do Air France 447 que CAIU no Atlântico em 2009 depois de ter descolado do Rio de Janeiro, mas os primeiros destroços foram detectados no mar no dia seguinte ao desastre e o avião cinco dias depois. No caso de aviões pequenos, as buscas podem ser bastante mais demoradas e os destroços podem nunca aparecer. O caso registado de um avião desaparecido durante um longo período de tempo é famoso: um aparelho da Força Aérea do Uruguai caiu nos Andes argentinos em Outubro de 1972 e ali permaneceu quase dois meses, até os sobreviventes (29 de início, 19 no final) serem resgatados.

Porque está demorando tanto tempo a encontrá-lo?

Explica o jornal The New York Times que a cobertura dos radares não é universal, sobretudo quando a aeronave sobrevoa os oceanos. Nessas alturas, os aviões utilizam outros sistemas de navegação, transmitindo um sinal que permite determinar a sua posição recorrrendo a satélites, explica o diário britânico The Guardian. Os pilotos têm, de X em X tempo, que comunicar via rádio a posição em que se encontram. Aparelhos como o Boeing 777 têm sistemas automáticos que enviam os dados do motor e de outras funções técnicas para uma base de manutenção (não para a torre de controle que monitora a rota). Os investigadores podem usar estes dados para perceber onde se encontra o avião ou o que resta dele; esses dados ajudaram a encontrar o Air France 447, mas bastou um dia e no caso do MH370 já se passaram quase quatro. Ou os sinais foram parados deliberadamente, ou houve uma avaria eléctrica total, ou então o avião desintegrou-se em pleno ar.

Onde estava o avião quando desapareceu dos radares?

O MH370 fez o último contacto com a torre de controle uma hora depois de decolar de Kuala Lumpur (ia para Pequim e a rota iria fazê-lo passar pelo Vietname e Estreito de Malaca), era sexta-feira em Portugal e já sábado na Malásia. Ia em velocidade e altitude de cruzeiro — a pelo menos dez mil metros e a 222km por hora. Não estava longe da cidade malaia portuária de Kota Bharu, mas encontrava-se já no espaço aéreo do Vietname.

As caixas pretas dos aviões não têm um sinal que permite localizá-los em caso de acidente?

Têm, mas o sinal tem um alcance limitado e as buscas podem estar sendo feitas fora desse perímetro.

A que distância pode estar o avião do lugar do último registo?

Há muitas dúvidas sobre o local da queda. O protocolo determina que, perante um alerta, os pilotos devem pilotar, navegar e comunicar, por esta ordem. Manter o avião no ar é, então, a primeira prioridade. Mesmo com problemas nos motores, este modelo pode voar durante 20 minutos se os pilotos conseguirem controlá-lo. Por esta circunstância — e por não se encontrar vestígios na zona da rota — as buscas foram alargadas. As buscas centraram-se primeiro na zona marítima entre a Malásia e o Vietname, mas agora realizam-se também na costa oeste da Malásia. O site FlightRadar24 tem um registo que mostra o MH370 a desviar-se do curso mas isso não prova que tenha mudado de rota, o que porém pode ter acontecido depois do último registo. Foi levantada a hipótese de o avião ter mudado o sentido de voo (voltado para trás?) e de poder ter passado a voar a baixa altitude. Se tivesse perdido motores, poderia planar durante cerca de 145 km, se os pilotos ainda estivessem aos comandos.

Quem está a realizar as buscas?

Participam equipas de vários países: Auatrália, China, Estados Unidos, Filipinas, Indoinésia, Malásia, Nova Zelândia, Singapura, Tailância, Taiwan, Vietnam. Realizam-se buscas aéreas apoiadas por uma frota de 24 embarcações.

Quantas pessoas estavam a bordo?

227 passageiros e 12 tripulantes. Chineses (153), malaios (38), indonésios (7), australianos (6), indianos (5), franceses (4), americanos (3), neo-zelandeses, ucranianos e canadenses (2), russos, de Taiwan, italianos, holandeses e austríacos (1). O passaporte italiano e o austríaco, já se sabe, tinham sido roubados na Tailândia e não era os titulares que viajavam com eles. Um dado que fez levantar a possibilidade de o desaparecimento do avião ter sido um ato terrorista, mas essa hipótese começou a perder força ao conhecer-se a identidade de um dos passageiros suspeitos — trata-se um um homem iraniano que pretendia continuar a viajar até chegar ao país onde iria pedir asilo político.

O que aconteceu ao MH370?

Todas as hipóteses estão em aberto: acidente, erro humano, terrorismo. Até a possibilidade de o piloto ter derrubado intencionalmente o aparelho está em cima da mesa — já aconteceu duas vezes, nos casos dos EgyptAir, em 1999, e do SilkAir (Indonésia), em 1997. O que se sabe é que o B777 (modelo que chegou ao mercado em 1995) é um avião resistente e o único desastre que se conhece é recente, data de 7 de Julho de 2013 quando um aparelho da Asiana caiu ao aterrar em San Francisco (EUA); morreram três pessoas. O avião das linhas aéreas da Malásia tinha 11 anos de serviço e já registava uma avaria numa asa, em 2012. O aparelho desaparecido tinha 11 anos e havia uma avaria no seu registo — em 2012 foi detectado um problema numa asa quando o aparelho já rolava na pista

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