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Postado em 06-03-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 06-03-2014 15:52


Carnaval no Rio: Laura e Edson, em um bar de
Copacabana, prontos para sair nos bloquinhos

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Uma soteropolitana no carnaval de rua do Rio

Laura Tonhá

Com muita expectativa para curtir um carnaval de rua a moda antiga desembarcamos no Rio de Janeiro na última sexta-feira, véspera dos principais dias da festa, um grupo animado de 5 pessoas naturais de São Paulo e Bahia. Máscaras e adereços para os cabelos faziam parte da indumentária presente na bagagem, a amiga que mora no Rio avisou: “tragam fantasia, a graça na festa de rua aqui é sair fantasiado, pelo menos um pouco”.

Sábado de carnaval, orla de Copacabana a Ipanema, linda como sempre, entupida de turistas e foliões, todo mundo bebendo bastante e caminhando de um lado para o outro, a mistura inclui alguns cariocas no seu cooper habitual. Caminhamos também, de repente um grupinho fazendo um batuque – aquela batida de escola de samba. Opa, lá vem o carnaval. O som improvisado, baixo e sem qualidade, anima o grupo que o acompanha, mais para frente um carro de som, espécie de mini-trio, também no improviso, puxa outros sambas.

O domingo de carnaval segue no mesmo padrão, muita caminhada, pouquíssima música, carro de som e/ou grupo fazendo um batuque improvisado. Cai a ficha: o carnaval de rua do Rio, que eu imaginei tão lindo e poético, é extremamente amador se comparado ao incrível e profissional carnaval de rua que eu, como boa moradora de Salvador, conheço desde que sou adolescente, quando comecei a pular em bloco. Reconheço que a minha referência sobre o que estamos falando é muito alta e qualquer comparação será injusta.

O Sargento Pimenta, famoso bloco do Rio que só toca Beatles, absolutamente entupido oferece um som de qualidade em um palco armado no Aterro do Flamengo na segunda-feira de carnaval, creio que é um dos poucos. Subitamente, entendo porque o bloco da Preta, que possui um tremendo trio elétrico com “know-how” baiano, arrasta multidões. Possivelmente, é o que de mais profissional e incrementado tem o carnaval de rua do Rio.

Meu querido companheiro, um paulista pouco amante de carnaval mas que já brincou um bocado razoável em Salvador, acompanha minha perplexidade e achando graça, define bem a situação: “fui ao meu vizinho e incomodei-me, vim para casa remediei-me”. Saudade do som do trio, da potência e da qualidade, de sentir o corpo acompanhar a música, de ver e ouvir os grandes artistas em verdadeiros espetáculos ambulantes. Vontade de ouvir o Lepo-lepo inteiro e bem cantado.

Ainda que com um carnaval de rua “aquém” do esperado, o Rio de Janeiro nunca é em vão. Sempre podemos ver um pôr-do-sol lindo do Arpoador, curtir o Leblon, a Lagoa Rodrigo de Freitas, ir para orla de Ipanema, para os bares da Lapa e de Santa Tereza, fazer uma visita as delícias da confeitaria Colombo, subir no Cristo e no Pão de Açúcar e ver uma das vistas mais lindas do mundo. Aproveitamos tudo isso na cidade mais bonita do Brasil.

Sempre me impressiono no Rio, desta vez a constatação de que a cidade esta preparada para entreter e atender o turista. Congratulações para o serviço de táxi. Taxistas bem preparados e valores justos. Salvador precisa aprender muito com o Rio. O serviço prestado ao turista lá é sério, não é bico de final de semana. O desfile das escolas de samba na Sapucaí deve acompanhar a qualidade do turismo, até pela tradição. Este ficou para outra oportunidade. Contudo, se o tema é carnaval de rua a expertise esta nas bandas de cá. A Cézar o que é de Cézar.

Quem sabe ano que vem investimos no Furdunço de Neto.

Laura Dourado Tonhá, publicitária, é uma das fundadoras do Bahia em Pauta.

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Comentários

regina on 6 Março, 2014 at 17:52 #

Cada um na sua… E o que diríamos de São Paulo????

Allan Gripp em Lepo Lepo paulistano, 6.3.2014, FSP,

SÃO PAULO – Parte expressiva dos paulistanos prefere passar as férias no Turcomenistão a encarar quatro dias de folia. A esses, sinto dizer, o Carnaval de rua de São Paulo pegou no tranco, confirmando os prognósticos pré-momescos.

O ziriguidum por aqui foi barulhento: mais de 200 blocos, pelo menos o triplo do ano passado, desfilaram pela cidade, contrariando a alcunha de “túmulo do samba”, provocação eternizada pelo carioca Vinicius de Moraes.

O fato é que a metade de São Paulo afeita à batucada parece cada vez menos disposta a enfrentar os Carnavais saturados de Salvador e Rio, que neste ano brindou os foliões com alegorias de lixo pelas ruas –de fazer inveja ao desfile histórico de Joãozinho Trinta na Beija-Flor.

Um ponto importante a ser exaltado é que o renascimento paulistano está cada vez mais descolado do monótono e repetitivo espetáculo das escolas de samba.

O Carnaval do Anhembi teve um ano daqueles. Arquibancadas vazias, pouquíssima imaginação e a sombra das torcidas organizadas de futebol parecem condenar os desfiles ao interesse de um grupo cada vez mais restrito.

Nas ruas, ao contrário, o Carnaval paulistano foi espontâneo e gratuito. Mais inspirado na retomada carioca do que na folia baiana. Com um empurrão oficial: neste ano, a prefeitura decidiu proibir cordões e a cobrança por abadás. Melhor assim, convenhamos, do que pagar R$ 3 mil para pôr o Lepo Lepo no bloco.

O lado ruim dessa história é que ainda está para surgir a cidade brasileira capaz de reunir um grupo significativo de pessoas sem que isso resulte num pequeno caos.

Organizar o trânsito, evitar a concentração de blocos numa região (como aconteceu na Vila Madalena), limpar as ruas depois do batuque e oferecer banheiros públicos em número razoável são um bom começo. Do contrário, a turma do Turcomenistão vai chiar. E com razão.

A julgar pelas fotos do Rio aqui: http://noticias.bol.uol.com.br/fotos/imagens-do-dia/2014/03/03/com-greve-de-garis-lixo-se-acumula-no-rio.htm?fotoNav=48#fotoNav=48

acho que o mar não tá pra peixe….


Rosane Santana on 6 Março, 2014 at 20:32 #

Beleza de texto e observações, Laurita. Bjs e tudo de bom pra vc e Edson.


Gracinha on 6 Março, 2014 at 22:07 #

Belo texto Laura! Parabéns!!!
Creio que para quem conhece e ama o carnaval de Salvador, a comparação é inevitável e o nosso imbatível. Recordo-me que há mais ou menos 6 anos fui conhecer o carnaval de Recife e Olinda: amei o Galo da Madrugada, as fantasias lindíssimas, . muita musica, frevo contagiante e maravilhoso. Mas…ficou o gostinho de quero mais.
A propósito, hoje estive lendo uma bela publicação ” Carnaval da Bahia: um registro estético” de Nelson Cerqueira et, at., de 2002, que através de artigos; ensaios; depoimentos; analise econômica e sociológica etc, fala da magia que representa o carnaval da Bahia, desde a sua origem até o atual milênio.
Sim, o aprendizado deve mesmo ser recíproco… por coincidência, a falta de transporte, incluindo problemas c/ Taxi, foi a maior queixa deste carnaval.
Ah, o Lepo Lepo, até hoje recebe elogios (mais) e criticas nas redes sociais. De concreto não deu para ninguém: cantada e aclamada por milhares de foliões, não deixa dúvidas – tornou-se o hit deste carnaval.
O Furdunço agradou tanto que será ampliado em dois dias no próximo ano. Se quiser a companhia da coroa, estaremos juntas. Beijão!


Gracinha on 6 Março, 2014 at 22:15 #

Na publicação que me refiro, tive o prazer de encontrar ótima entrevista de Vovô do Ilê Aiyê à nossa querida jornalista Rosane Santana.


Laura on 7 Março, 2014 at 10:27 #

Obrigada Rô e mãe (doida para ir no Furdunço neh risos). Carnaval foi ótimo, sempre é Rio, Sampa, Salvador, Olinda!
Sobre o lixo no Rio de Janeiro, não vi muito lixo exposto na região da zona sul… o que eles comentavam é que esta região estava sendo assistida (limpa) por conta do turismo e carnaval, mas que a questão da greve da Limpurb estava bem séria em outros bairros. Bjo.


Olivia on 7 Março, 2014 at 11:00 #

Gosto muito do Rio, até as pedras de Copacabana sabem disso. A cada retorno à cidade maravilhosa, gosto mais do centro, e lá, Laurita, o carnaval e a vida são mais animados. Desde o Cordão da Bola Preta e o Monobloco, pra citar os mais famosos, não temos similar aqui em Salvador, são blocos democráticos, tocam música de primeira e arrastam uma multidão. Temos o belo Timoneiros da Viola, comandado por Paulinho da Viola, que é um deleite acompanhar. Também no centro, bailes carnavalescos, com ótimas orquestras, animam as noites no Circo Voador e na Fundição Progresso. Em Santa Tereza, blocos de carnaval sem cordas percorrem o bairro, a exemplo das Carmelitas, no Jardim Botânico, o Suvaco do Cristo é outra joia do carná carioca. Copacabana, Ipanema e Leblon ficam superlotados, mas a Banda de Ipanema e o Simpatia é Quase Amor ainda dão um bom caldo. E tem mais, quem passa uma noite na Sapucaí não esquece jamais. Evoé!


Lígia Amanda Galvão on 11 Março, 2014 at 20:39 #

Parabéns Laura pelo belo texto !!!
Filha de peixe, peixe é ! Beijo


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