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Postado em 01-03-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 01-03-2014 00:03


Moraes:fora da folia baiana 2014
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DEU NO SITE EL CABONG

Quem se programou para ver o trio de Moraes Moreira no Carnaval de Salvador pode mudar de planos. O primeiro cantor de trios elétricos não vai mais se apresentar na festa. A decisão foi tomada ontem, depois do descumprimento de um acordo entre o músico e a Bahiatursa. “Acho que eu merecia mais atenção. A turma da pipoca estava me esperando. Deixo aqui meu protesto”, disse Moraes em entrevista por telefone direto do Rio de Janeiro, onde mora, ao el Cabong.

Segundo Moraes, havia um acordo dele com a Saltur, Empresa de Turismo de Salvador, e a Bahiatursa, órgão de turismo do governo da Bahia. Cada uma das empresas públicas entraria com uma parte dos recursos que viabilizaria sua única apresentação hoje (27/02) no circuito Dodô, Barra/ Ondina. O artista teria conseguido um trio elétrico e parte dos recursos, que inclui passagem, hospedagem, alimentação e cachê para ele e seus músicos, com a Saltur. A Bahiatursa entraria com a outra parte. A história teria virado, no entanto, uma disputa política.

Em cima da hora, ainda segundo ele, Moraes teria recebido um telefonema da Bahiatursa afirmando que a empresa não disponibilizaria mais os recursos caso o trio da apresentação fosse o da Saltur. O órgão teria oferecido um outro trio, mas Moraes não aceitou. “A partir do momento que a Bahiatura soube que eu ia sair no trio da Saltur retirou o apoio, alegando que era ano eleitoral. Mas eu já estava certo em sair no trio da Saltur que é o que saio há muitos anos. Eles politizaram o carnaval”, disse o cantor.

Muito triste por não poder se apresentar mais na festa, Moraes lamentou. “Todo mundo sabe que faço o Carnaval de Salvador muito mais por amor. São essas coisas da política que não concordo, são atitudes primitivas. Não acredito que isso vai influenciar em nada no resultado da eleição. Normalmente os artistas ficam pedindo aqui e ali. Eu, a essa altura de minha vida, depois de 40 carnavais e de um serviço prestado ao Carnaval, não tenho condições e saco pra ficar pedindo. Por isso decidimos cancelar. Só pedimos desculpas ao povo da Bahia. Não tem volta, já era. Já desmobilizamos a banda, inclusive. Lamento muito, mas a gente precisa começar a não aceitar certas coisas”, desabafou.

A Bahiatursa soltou uma nota oficial (que você lê abaixo) e em matéria do portal Terra, o presidente da empresa, Fernando Ferrero, deu sua versão. “Eu tenho comigo o ofício que o empresário de Moraes nos enviou na semana passada, solicitando um apoio de R$ 50 mil para tocar no Carnaval da Bahia, mesma quantia com que apoiamos Moraes no ano passado para tocar no nosso trio elétrico”, começa Ferrero. “Acolhemos de bom grado o pedido, reservamos um dos trios elétricos que licitamos, nos comprometemos a dar o cachê pedido e disponibilizamos para ele a possibilidade de escolha de dia. Quando, neste último final de semana, fomos informados de que ele não podia tocar naquele trio, nem naquela data, porque já havia se comprometido com a Saltur de tocar na quinta de Carnaval no trio deles, na Barra, com o cachê de 70 mil”.

Na matéria, Ferrero explica também que foi procurado pelo empresário de Moraes Moreira com a proposta de que a Bahiatursa complementasse o cachê com os R$ 50 mil já propostos, para que perfizesse a quantia de R$ 120 mil, o que seria ilegal se feito assim. “Eu não posso dar dinheiro do Estado para ele tocar no trio da Saltur, e ainda recebendo dois cachês, não é assim que se faz as coisas. O trâmite correto seria a Saltur procurar a Bahiatursa para firmar um convênio de cooperação técnico-financeiro, para, assim, complementar o cachê dele. O documento que eu tenho emitido por seu empresário só me pedia trio e cachê, não contemplava mais nada além disso”.

O dirigente completou refutando as acusações ditas pelo cantor aqui no el Cabong: ”Declarar que estamos politizando o Carnaval é balela. Estamos nos dando muito bem com a Saltur, ajudando o máximo que podemos a realização do Carnaval de Salvador, que é a cidade que mais recebe recursos. Ele quer jogar nas costas do Estado um compromisso que ele não teve. Se ele tivesse pedido, desde o início, um cachê de R$ 120 mil, teríamos dito que não poderíamos arcar com isso, já que nossa dotação para investir no Carnaval 2014 em todo Estado é de R$ 32 milhões. O empresário dele não deve entender como funciona o uso do dinheiro público. O dinheiro é para o Carnaval, mas tem que ser empregado dentro da legalidade.”

Moraes segue agora sua agenda de shows no Carnaval, se apresentando em Recife, Natal e Curitiba.

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