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DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE LISBOA

O guitarrista de flamenco Paco de Lucía faleceu hoje, aos 66 anos, informaram fontes da autarquia de Algeciras, na região espanhola de Cádiz, a sua cidade natal.

As mesmas fontes explicaram que o guitarrista morreu vítima de um ataque cardíaco quando se encontrava em Cancún, no México, tendo chegado já sem vida a um hospital da cidade.

Um amigo, Victoriano Mera, explicou que De Lucia estava brincando com os filhos numa praia de Cancún, cidade onde tinha uma casa, quando começou a se sentir indisposto.

José Ignacio Landaluce, alcaide de Algeciras, declarou já que a morte de Paco de Lucía é “uma perda irreparável para o mundo da cultura e para a Andaluzia”. A autarquia deverá decretar o luto oficial.

A família do artista está organizando o translado do corpo do guitarrista para a sua terra natal.

Nascido em dezembro de 1947 em Algeciras e considerado um dos maiores guitarristas da história contemporânea, Paco de Lucía, nome artístico de Francisco Sánchez Gomes, era um nome grande da música do mundo e reconhecido internacionalmente. Em 2004 foi distinguido com o Prémio Príncipe das Astúrias, como “um músico que transcendeu fronteiras e estilos”.

Biografia

Paco De Lucía, “um génio” que morreu hoje aos 66 anos em Cancún (México), foi considerado um revolucionário da guitarra e um dos principais responsáveis pela popularização do flamenco, arte que levou aos quatro cantos do planeta.

Nascido em 1947, Paco De Lucía transformou-se nas últimas quatro décadas numa das principais ‘vozes’ da música espanhola, com concertos em dezenas de países – em Portugal tocou várias vezes.

Paco De Lúcia (Paco é diminutivo de Francisco e Lúcia era o nome da mãe, de origem portuguesa) fez pelo menos dois ‘tours’ em Portugal, o último dos quais em 2004, quando apresentou o álbum ‘Cositas Buenas’, mas no ano passado atuou para um público luso-espanhol no Festival de Fado e Flamenco (Badasom) em Badajoz.

De uma família de músicos – tem dois irmãos guitarristas e um outro cantor – colaborou ao longo da carreira com dezenas de músicos, incluindo guitarristas como Al DiMeola, John McLaughlin ou o pianista Chick Corea.

Subiu pela primeira vez a um palco com apenas 12 anos – quando chamava-se apenas Francisco Sánchez Gómez -, mas desde antes que já ambicionava seguir os passos do pai, também guitarrista, e dedicar-se plenamente ao flamengo.

Mas foi a partir dos anos 60 do século passado e, especialmente na década seguinte, que o mito de Paco de Lúcia nasceu, com reinterpretações dos ritmos do flamengo que o guitarrista fundiu com outros sons, como o dos batuques, com que estreou, ao vivo, um dos seus temas mais conhecidos: ‘Entre dos aguas’.

Trabalhou com os principais nomes do flamenco em Espanha, retirou o flamenco dos ‘tablaos’ (lugares onde se realizam apenas espetáculos de flamenco) e levou-o aos grandes palcos de todo o mundo, algo que se consolidou com esse ‘hit’ de 1973, a rumba mais conhecida.

Misturou o flamenco com jazz, blues, country, salsa, bossa nova e até música hindú e música árabe, inspirando mestres de vários estilos.

Além de ser galoardo, em 2004, com o Prémio Príncipe das Astúrias – considerado o Nobel espanhol – recebeu, no mesmo ano, um Grammy pelo melhor albúm de flamenco, o Prémio Nacional de Guitarra de Arte Flamenco, a Medalha de Ouro Mérito das Belas Artes 1992, o Prémio Pastora e o Prémio da Música 2002.

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Comentários

regina on 26 Fevereiro, 2014 at 16:20 #

A gente não deveria despertar assim… Triste noticia!!!
Tocador dos dedos mágicos, compositor fecundo e imaginativo, embaixador maior da cultura espanhola, flamenga, revolucionário que reinventou, elevou aos mais altos altares e juntou os acordes da guitarra flamenga às raízes do jazz, blues, bossa nova, e às que ele chamava “Las musicas de la nevera vacia”.

“Pero Paco de Lucía siempre procuró restar importancia a su gigantesca figura. Una escena de un documental que emitió TVE, rodada en su casamexicana, en la que aparecía tumbado en una hamaca, resume bien ese intento, fallido, y su humor inteligente: “No se crean nada, lo que hacemos los artistas es estar tirados todo el día”, decía. “Los músicos somos unos chaneladores [cuentistas] que siempre estamos con el rollo de la angustia. El artista sufre, sí, pero más sufre un albañil subido en un andamio de seis pisos un 8 de enero. O Bach, que estaba siempre tieso y cada semana tenía que componer una fuga para la catedral de Leipzig. Y sin calefacción ni comida. Y Van Gogh, el pobre, siempre pelao, y sin oreja. Y hoy los artistas nos creemos algo, unos fenómenos…”.

http://cultura.elpais.com/cultura/2014/02/26/actualidad/1393426383_691930.html

http://www.youtube.com/watch?v=k6Nw0Hm_wTM


Carlos Volney on 26 Fevereiro, 2014 at 16:29 #

Foi-se, e muito cedo, um virtuose da música de excelência.
O mundo fica menos alegre ou mais triste, depende do ponto de vista de cada um, e a música infinitamente mais pobre.
Enquanto isso, as “excelências” do axé e do pagode gozam cada vez mais de perfeita saúde física e financeira.


Graça Azevedo on 26 Fevereiro, 2014 at 18:12 #

Volney, assino junto, amigo.


Luiz on 26 Fevereiro, 2014 at 19:28 #

Discreto e talentoso.
Este é Paco de Lucia.
Esteve em Porto Alegre, em novembro passado.
Tocava muito.


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