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Postado em 24-02-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 24-02-2014 10:45

DEU EM O GLOBO

Gravações de depoimentos ao Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro, apresentadas ontem pelo “Fantástico”, da Rede Globo, e parte de uma investigação revelada com exclusividade semana passada pelo GLOBO, revelam que mais duas bombas deveriam ter explodido no Riocentro na noite de 30 de abril de 1981, simultaneamente à que foi detonada num carro no estacionamento, matando um militar e ferindo outro. Uma das bombas explodiria no palco, onde se apresentavam artistas durante um show em comemoração ao Dia do Trabalho. A morte de artistas provocaria comoção.

A outra bomba deveria ter explodido na casa de força do Riocentro, para que a energia elétrica fosse cortada e a falta de luz provocasse pânico nas cerca de 20 mil pessoas que assistiam ao show. As afirmações foram feitas pelo ex-delegado de polícia Cláudio Guerra, que foi até o local no dia do atentado para prender pessoas falsamente ligadas ao atentado.

“Seria colocado no palco, justamente pra atingir… A comoção seria a morte de artistas mesmo, né?” disse Guerra.

O GLOBO teve acesso à investigação dos procuradores da República do grupo Justiça de Transição, que apuram o caso há dois anos, e os repórteres Chico Otavio e Juliana Castro publicaram o conteúdo desse trabalho no dia 16 deste mês.

Os procuradores denunciaram seis envolvidos no atentado: cinco militares, três deles generais, além de Guerra. Para denunciar o então capitão Wilson Luiz Chaves Machado — parceiro do sargento Guilherme Pereira do Rosário, morto na ação, e dono do carro onde a bomba explodiu — e outros cinco acusados de envolvimento, os procuradores produziram 38 volumes de documentos e 36 horas de gravações de depoimentos em áudio e vídeo.

Pelo menos dois novos depoimentos reescrevem a história da ação, aos quais o GLOBO teve acesso e o “Fantástico” mostrou ontem imagens. O do major reformado Divany Carvalho Barros, de codinome Doutor Áureo, que admite, pela primeira vez em mais de três décadas, que foi ao Riocentro com a missão delegada pelo comando de apagar provas que pudessem incriminar os militares e de desfazer a cena.

“A caderneta com telefones, nomes, anotações. Peguei a caderneta, peguei uma granada defensiva que ele (sargento) usava na bolsa que não explodiu. Peguei a pistola dele”, conta.

E o depoimento da viúva do sargento, Suely José do Rosário. Ela disse que, logo após a explosão, agentes do DOI a ameaçaram. Um deles foi identificado por ela pelo codinome “Doutor Luís”. Eles teriam queimado documentos de Guilherme no tanque de roupas de sua casa. Também teriam recolhido as folhas de alterações do sargento (um currículo dos militares), devolvendo-as depois fatando páginas.

“Um tal de Luiz. Chamavam ele de Doutor Luiz. Ele falou: ‘a senhora vai ser chamada para depor, a senhora veja bem o que a senhora vai falar. A senhora vai ser acompanhada. A senhora tem que lembrar que a senhora tem dois filhos para criar’”.

Ao depor no Ministério Público Federal, Machado negou participação no atentado.

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