Juninho Pernambucano: quem o substituirá nos estádios?

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Criatividade em baixa

Marinaldo Mira

Neste início de temporada, os clubes brasileiros buscam reforços e sentem o mercado carente de jogadores de meio campo, principalmente avançados que usam a perna esquerda para criar jogadas ofensivas. O problema afeta também Bahia e Vitória que remontam as equipes no andamento do Campeonato Baiano.

Jogadores de meio campo mais jovens desapareceram do mercado. A pergunta que se faz é a seguinte: onde estão? Simples, quase todos foram exportados para Europa e Ásia por seus empresários. Os clubes só conseguem repatriar esses jogadores, quando eles passam dos 30 anos e já não acompanham o ritmo, a velocidade do futebol na Europa e Ásia ou outros mercados que pagam melhor.

Por causa disso, craques do meio campo como Zé Roberto (Grêmio, Seleção), Paulo Baier, Juninho Pernambucano, Alex (Coritiba), entre outros – são disputados até pelos grandes clubes, mesmo já considerados veteranos. Mais um exemplo atual é o meia Conca – que foi para China – e volta ao Fluminense, sem, no entanto, apresentar mais o fôlego que tinha.

A exportação prematura desses jogadores deixam os clubes brasileiros limitados a buscar veteranos ou então ficar sem boas opções para a posição estratégica nos esquemas de jogos. Agora mesmo, o Vitória perde o meia avançado Escudero por mais de sete meses, e não encontra outro atleta para a posição.

Clubes que investem na divisão de base sofrem baixas, porque empresários de jogadores querem colocá-los, o mais rápido possível, mesmo antes de 18 anos, em vitrines melhores, clubes do exterior, ganhar dinheiro e valorizar o seu produto. E o clube que revela o atleta, normalmente fica no prejuízo.

Vale somar a isso a manobra dos treinadores, que não têm paciência de ‘preparar’ atletas da base para essa posição. O cara tem vocação para ser meia, tem a perna esquerda e o treinador joga logo para ala, ou seja, deixa-o limitado a um pedaço do campo, a chamada beirada. Isso ocorreu com Gabriel (ex-Bahia, agora no Flamengo), escalado na ala por Joel Santana, para prejuízo do atleta e do clube. Hoje, Gabriel se destaca como meia avançado que é sua posição de origem.

O Vitória liberou Renato Cajá que vai completar 30 anos, e se enquadra nessa situação. Natural de Cajazeiras/PB, ele jogou em vários clubes, como no Guangzhou Evergrande (China) e foi repatriado em 2012 quando atuava no Kashima Antlers, do Japão e recentemente, retornou à Ponte Preta.

Só pra lembrar, o bom meia Paulo Baeir (ex-Atlético PR) joga do Criciúma e vai fazer 40 anos; Alex (Coritiba) tem 37 anos; Danilo (Corinthians), que chegou a ser pretendido pelo Vitória, tem 34 anos; Hugo (ex-Goiás) tem 34; Elano (Fla) , 32 anos, são alguns exemplos da entressafra de novos talentos.

Ano passado, quando Wellington Nem deixou o Fluminense e foi negociado por R$ 25 milhões para o Shakhtar Donetsk (da Ucrânia) tinha 21 anos.

O último bom jogador de criação que passou pelo Brasil foi Seedorf (que liderou o Botafogo) pendurou as chuteiras e agora é treinador do Milan.

Clarence Clyde Seedorf é vencedor da UEFA Champions League quatro vezes, foi o único a ter ganho o torneio por três clubes diferentes: pelo Ajax em 1994-95, com o Real Madrid em 1997-98 e pelo Milan em 2002-03 e 2006-07. Pelo Botafogo conquistou Campeonato Carioca de 2013, Taça Guanabara 2013, Taça Rio 2013 e Taça Rio 2012.

Só que poucos clubes têm cacife para importar um craque desse naipe.

Marinaldo Mira – Jornalista (Ufba/1980), cronista esportivo e professor de Ética. (marinaldomira@gmail.com)

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Comentários

Antonio Sacramento on 24 Fevereiro, 2014 at 20:47 #

Mais uma vez parabéns, Marinaldo.
Inteligente e atual esta sua matéria.


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