fev
15


Sininho: ativista modelo retrô
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CRÔNICA

Sininho e Peter Pan na Terra dos Black Blocs

Janio Ferreira Soares

Adaptando um clássico da Disney, era uma vez um mundo meio animal chamado A Terra dos Black Blocs,onde começa a história de Peter Raposo Pan, um rapaz arisco e tatuado, e Sininho Quadros, uma ativista, digamos, modelo retrô (camisetascom frases requentadas, contatos de políticos para proteger“injustiçados”, discussões ideológicas numa roda de chope com citações da cartilha granskiana e batatas fritas…, essas coisas que até faziamsentido no tempo em que a classe operária nem sonhava em chegar ao paraíso).

Nessa vibe revolucionária com meio século de atraso, os dois entram num grupo chamado black bloc, cujo principal lema é destruir tudo que esteja ligado ao capitalismo,desde que não mexam com seus interesses nem haja c ontra-ataque das pessoas contrariadas(exemplos: nada de manifestações durante um Corinthians e Palmeiras ou num Rock in Rio, porque, no caso do jogo, neguinho não é doido de aborrecer a tropa da Gaviões da Fiel. Já no lance do festival, a visão da rapeize é a de que a grana do banco que paga o cachê do Metallica não tem nada a ver com aquela que está nos caixas eletrônicosdestruídos pelas mesmas mãos que aplaudema banda americana – entendeu a profundidade do #issomudaomundo, só que da nossa maneira?).

Em baixa com a população, mas em alta com alguns artistas e “intelectuais”- que nesses casos agem com o nível de inteligência de Naná, a esperta cadela que cuidava de Wendy, João e Miguel no desenho original -, os mascarados quebram o pau com a polícia, embora parte da imprensa só veja selvajaria do lado do pessoal do Capitão Gancho. Enquanto isso a turma de Sininho resolve tacar fogo nos carros das tevês e parte para agredir jornalistas durante as manifestações. A tragédia, como na canção de um velho simpatizante dos movimentos populares, estava sendo combinada no breu das tocas e só as carolinas nananianas não viam.

Até que, entre bombas, paus e pedras, surge um Santiago no caminho de um rojão,manuseado e aceso por todas as mãos que ninaram a fúria insana dos babacas.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura da Paulo Afonso, no lado baiano xô Rio São Francisco

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Comentários

vangelis.a on 15 Fevereiro, 2014 at 9:28 #

Sininho na terra do nunca: Nunca antes na história deste país… OPS!


Graça Azevedo on 15 Fevereiro, 2014 at 13:20 #

Beleza de texto.
Quanto a essa moçoila, Sininho, o que ela queria mesmo estar no BBB. Pena que não está entre seus iguais num programa que é a cara dela.


Graça Azevedo on 15 Fevereiro, 2014 at 13:23 #

E tenho a esperança que esse assassinato, sim, legalmente é, não fique impune como se tornou norma no Brasil.


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