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ARTIGO/OPINIÃO

O LENÇO DE VIAGEM

Maria Aparecida Torneros

Sempre gostei de levar comigo, quando viajo, um lenço com a estampa da bandeira brasileira. Orgulhosamente, exibo o pendão verde amarelo, como turista ou profissional, reconhecendo ao longo dos meus 64 anos, que meu país precisa de muito para se estabilizar, dirimir desigualdades socais, assumir práticas democráticas sem a mesmice enfadonha do poder exercido sem critérios ou respeito aos de classes desprivilegiadas.

A cada informação que aponta nossos problemas de educação, saúde, saneamento, habitação, transportes públicos, impossivel não lamentar tantos retrocessos e, ao mesmo tempo, concentrar esforços nos avanços já alcançados, nas conquistas tecnológicas, na industrialização progressista, na agricultura antenada que amplia nosso papel de participantes de um mundo globalizado e com fome de alimentos ou de energia sustentavel.

Pergunto-me sempre, que pais é esse? Sei que somos muitos Brasis. Disso, nao duvido.

Mas, ao observar os graus de violência que grassam no cotidiano nacional, nas manifestações e protestos, na identificação de movimentos de desamor, nas ações policiais com tanto improviso ou abordagem insana, sinto que estamos perdidos sem ordem, sem meios definidos para conter a violencia que assassina jornalistas, que desafia cidadaos acuados e não pune com leis efetivas os que se julgam aptos a fazer “justiça” de barbárie.

Brasil que sorri nos jogos de futebol, que brinca nos carnavais e que perde a razão nos instantes em que estoura literalmente a cabeça de compatriotas em nome do vandalismo.

A viuva do cinegrafista assassinado no Rio de Janeiro, citou o Brasil numa entrevista, referindo-se a um Brasil que repentinamente se mostra violentissimo, sem amor, com tanto ódio, tanto rancor, encobertos por máscaras que camuflam sentimentos infelizes, pendores que atacam a dignidade humana e liberam atitudes visceralmente destruidoras. Que momento histórico será este no qual nos metemos como dançarinos do fogo cruzado em sintonia com um sintoma estranho que nos dá a dimensão de perplexidade, abandono ou total insegurança?

Talvez, em conjunto à punição, precisemos de muitos investimentos em educação, moblilizando um mutirão nacional em torno de brigadas da boa convivência, do respeito mútuo, da valorização da vida, do cumprimento de deveres e, sobretudo, se houver consciência, que cultivemos a Paz, que o Brasil multiplo não seja o do tráfico mas o da solidariedade, o país da alegria, da busca sincera de um ponto de equilíbrio, um saudavel tesouro que possamos desenterrar e usufruir! Brasil, livre-se dos mascarados violentos e assuma o multicolorido encontro com seu destino de sociedade capaz de se curar e renascer!

Minha alma de brasileira quer sorrir de novo. Agora, infelizmente, meu coração chora!

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, edita o Blog da Cida, onde o texto foi originariamente publicado.

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Comentários

Cida Torneros on 13 Fevereiro, 2014 at 8:22 #

Bom dia a toda a turma do Bahia em pauta! Vamos adelante, sem perder a esperança! Aqui no Rio, quase 50 graus!


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